Por Academia Marial Em Artigos Atualizada em 20 MAI 2020 - 16H38

Ofício de Nossa Senhora

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Conhecido também como Ofício da Imaculada Conceição, é uma das orações mais antigas da Igreja. Escrita no século XV, já na baixa idade média e às portas do Renascimento, período em que a Virgem Maria era invocada de forma veemente como auxílio e protetora dos cristãos. É desse período a apresentação iconográfica da Virgem com um manto amplo e, sob o mesmo, fiéis refugiados. Segundo fontes, o Ofício foi composto pelo franciscano Bernadino de Bustis. Teve sua aprovação em 1678 pelo papa Inocêncio XI, ganhou relevo após o papa Pio IX conferir-lhe importância e riqueza após a declaração do dogma da Imaculada Conceição de Maria em 1854.

O costume de rezar o Ofício veio de Portugal, juntamente com a riqueza da devoção à Imaculada Conceição. Devoção que se expandiu por toda a colônia já nos primeiros anos da colonização, basta vermos o grande número de dioceses, paróquias e comunidades que trazem como titular a Imaculada Conceição.

Esta oração, embora longa, é repleta de beleza doutrinal acerca dos ensinamentos por parte da Igreja sobre a Virgem Maria. Podemos dizer que, é uma oração com fundamentação bíblica, doutrinal e popular. O principal desta riqueza é o de que, a Virgem é exaltada em vista de Jesus Cristo. Vemos tal verdade ao longo de todo o texto onde referências são feitas à Virgem Maria.

No Ofício a Virgem é invocada como Filha de Deus Pai e Virgem. Isso nos remete a criação de Maria por Deus. Nos leva a refletir sobre o mistério da encarnação, onde Deus querendo se fazer presente em meio a humanidade, encarnando por amor total, quis precisar de uma mulher, logo, se Deus desde sempre pensou em enviar seu Filho ao mundo é certo que já pensava em uma mulher para colaborar com tal missão, e essa foi Maria. Diante dessa tese, das tantas perguntas que não calam no coração das pessoas, uma é: a partir de que momento Deus pensou na Virgem Maria? Diante dessa interrogativa podemos afirmar que, Deus ao pensar na encarnação do Messias, sempre pensou na Virgem Maria, ou seja, desde o Antigo Testamento. Vemos essa verdade, não de forma explícita, mas implícita em Isaías 7,14: “Eis que uma Virgem conceberá e darás à luz um filho...”

No Ofício vemos sempre alusões à Virgem Theotokos (Mãe de Deus). Nos primeiros séculos da Igreja, esse título era destaque, e foi confirmado pelo concílio de Éfeso, em 431. Theotokos é o maior título dado à Virgem Maria, isso, em virtude dos privilégios que recebera. O dogma da Imaculada Conceição de Maria, mostra que ela foi concebida sem a mancha do pecado original, porque não era conveniente que a Mãe de Deus estivesse, nem que fosse por instante, sob o poder de Satanás. Permaneceu virgem porque a concepção de Jesus, Deus-Homem não poderia dar-se de outra maneira, se não de forma excepcional, sem a contribuição humana, sendo o Filho de Deus, o Verbo eterno do Pai.

Outro título que vemos como destaque na oração em referência é o de Maria Virgem. Esse título invocado desde os primeiros séculos do cristianismo foi definido como verdade de fé, como dissemos, colocando em voga a concepção virginal de Jesus Cristo, também colocando em relevo a virgindade perpétua de Maria, antes, durante e depois do parto (ante partum, in partum e post partum). Trata-se de uma afirmação cristológica. Como já dito, os dogmas “marianos” são em vista de Jesus Cristo. Tal afirmativa é defendida pela Igreja para combater as teses que colocavam em dúvidas a divindade de Jesus, bem como sua verdadeira humanidade. A concepção virginal de Cristo, torna-se uma das confirmações da divindade de Cristo. Assim, ao declarar a maternidade divina de Maria, também sua virgindade é afirmada como uma realidade que diz respeito não somente à pessoa da Virgem Maria, mas especialmente a Jesus.

Como vemos, uma realidade desencadeia outra, se analisarmos os dogmas e verdades de fé acerca da Virgem Maria, notaremos que uma realidade está interligada a outra. Na maternidade divina de Maria interliga a sua Virgindade Perpétua e a Imaculada Conceição de Maria, onde se fundamenta o Ofício de Nossa Senhora.

A partir dessa teologia, vemos que Maria ocupa lugar especial no projeto de Deus. Sua virgindade, antes, durante e depois, assegura que a concepção de Cristo não se deu a partir da união do sêmen masculino com o óvulo feminino, como acontece na concepção de qualquer ser humano. Se Jesus tivesse sido concebido a partir de sêmen mortal, teria tido um corpo mortal.

Vemos também a Virgem sendo invocada na oração como rainha e intercessora da humanidade. A Virgem Maria, sempre foi invocada como intercessora. A doutrina de que Maria fora coroada como Rainha do céu, remonta ao início da Igreja. Muitos Padres da Igreja escreveram a respeito e defenderam tal tese, como Gregório de Nazianzo e Efrém da Síria. Eles defendiam Maria como mãe do “Rei do universo” e a “Virgem Mãe, de quem surgiu o Rei de todo o mundo”. Dessa tradição, o papa Pio XII toma fundamentação para a encíclica Ad caeli Reginam (Rainha do céu), tendo essa como tema principal a realeza da Virgem Maria e a instituição de sua festa.

No capítulo VIII da Lumen Gentium também encontramos outra fundamentação, onde a Igreja destaca o papel especial da Virgem Maria que assunta ao céu, “com a multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna”. Por isso, é invocada desde sempre na Igreja como “advogada, auxiliadora, intercessora, socorro, medianeira”, nos assegura a Lumen Gentium, deixando claro que com isso nada tira e nem acrescente à dignidade do único mediador que é Cristo.

Destaco acima verdades de fé da Igreja que nos ajuda a compreender o teor fulcral da oração do Ofício de Nossa Senhora. É uma das mais belas orações marianas que se perpetua, sobretudo através dos lábios do povo simples que tem o costume de rezá-la, principalmente aos dias de sábado, dia dedicado à Virgem Maria ou de forma acentuada no mês de maio, mês mariano.

Pe. Valdivino Guimarães, CSsR
Mestre em Teologia Dogmática, mariólogo e iconógrafo 
Associado da Academia Marial

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