Por Pe. Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça Em Palavra do Associado Atualizada em 08 NOV 2018 - 11H10

Eras Tu, Senhor? A Comunicação em forma de Fraternidade


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A fraternidade é a forma mais direta de comunicação da Boa Nova de Cristo. É o coração de toda mensagem evangélica: o amor fraterno capaz de dar a vida pelo outro, de resgatar a vida dos mais perdidos, necessitados, no espírito da misericórdia e gratuidade.

Isto implica na defesa da dignidade humana como imagem e semelhança de Deus e o respeito ao Seu Plano de Amor da criação, impresso na consciência e nas leis da natureza, de onde decorre a ética da justiça, do equilíbrio, da realização do Bem.

Através de várias iniciativas e pastorais, campanhas e obras, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB - vem refletindo e agindo ao longo das décadas, com toda a comunidade brasileira sobre vários temas e áreas da nossa realidade, especialmente por meio da Campanha da Fraternidade: a ecologia, a saúde, a terra, o índio, o negro, o trabalho, a mulher, a fome, o menor, a educação, a moradia, o jovem, a família, idoso, a pessoa com deficiência, a segurança, a água, a comunicação, a paz, etc.

Ao VER o quadro real, com suas injustiças, desigualdades e incoerências com a verdade cristã, a Igreja exerce, com a autoridade de Cristo, sua missão profética de JULGAR, avaliar à luz do Evangelho, conscientizar sobre os valores e denunciar o sistema de pecado, apresentando pistas de ação e sua colaboração concreta - O AGIR - para uma solução justa e fraterna a partir da solidariedade e da união.

A comunhão eclesial, seguindo o exemplo e o coração de Cristo, se inclina aos mais pobres e excluídos e adverte que os que excluem estão contra a vontade de Deus. Oprimem e exploram o próprio Cristo no ser humano faminto, prostituído, prisioneiro, dependente químico, alcoolizado, indefeso no ventre... Rejeitam o Jesus abandonado, doente, menor carente, pobre, mendigo, analfabeto... Discriminam o Senhor no negro, no indígena, na mulher, no idoso, nas pessoas com deficiência, nos portadores do vírus do HIV, dentre outros.

É necessário que nós nos convertamos à proposta do Mestre que é a humildade, a partilha na igualdade, a solidariedade e o amor fraterno, à consciência de que não somos melhores que ninguém. Somos do mesmo "barro" ainda que agitados pela vaidade e pelo orgulho que tão facilmente retorna ao chão. Tudo passa! A figura do mundo se esfumaça. Nós também passamos. Cada ser humano que de nós se aproxima é nosso irmão, é Jesus. E um dia, Ele próprio nos julgará pela nossa sensibilidade, nossa atenção, nosso amor: "Estava com fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Estava nu e me vestistes... doente e fostes me ver..." E nós: 'Mas quando, Senhor que te fizemos isso?”. Responderá para nós o Cristo: "Todas as vezes que fizestes isso ao menor dos pequeninos , a mim o fizestes". E que nunca ouçamos o inverso : " o que não fizestes ao menor dos pequeninos..." ( Cf Mt 25, 31-46). Restará a surpresa: "ERAS TU,SENHOR!".

Fazer ao próximo aquilo que gostaríamos que fizessem conosco. Se sempre pensássemos e sentíssemos assim em nossos corações, não nos esquivaríamos mais dos irmãos necessitados, não driblaríamos as nossas responsabilidades. Não aceitaríamos passivos a exploração dos mais pobres e fracos. Nem o engano e a manipulação dos ingênuos e iletrados. Lutaríamos cristã e democraticamente pela partilha da terra, da renda, do pão, da instrução, na mesma espiritualidade do repartir do abraço, da fé e do coração. Amaríamos mais, sem dúvida, a verdade, sem coligações, nem vínculos, sem omissão. Mediríamos as palavras, os juízos, os rótulos que impomos às pessoas. Saberíamos nos colocar no lugar do menino com fome, da mulher marginalizada, do pai e mãe de família desempregados, das pessoas faveladas, sem teto, sem água, sem saneamento básico, sem energia elétrica, enfermas sem atendimento digno de saúde, dos idosos abandonados, de tantos excluídos e seus problemas, privados da educação e da cultura , dos direitos e da vida digna.

Você já experimentou alguma situação desta? Alguém o ajudou? O que você sentiu? Conforto, segurança, salvação, alegria, gratidão? Seja, então, este alguém para o outro! Faça aos irmãos o que gostaria de receber. O outro é você que também quer ser feliz, se libertar e exercer seus direitos. Da mesma dignidade do seu coração, a imagem do Homem Perfeito, Deus que se encarnou e se fez dom e serviço à nossa pobreza até a cruz. O outro é Jesus.


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Que o Pobre de Nazaré nos dê coragem de sairmos do nosso comodismo e do acúmulo de preocupações com o nosso bem estar e conforto. Que Ele nos desinstale do nosso egoísmo e nos dê olhos para vermos as carências urgentes dos nossos irmãos mais pobres para nos esforçarmos em atendê-las, levando-os à promoção humana, distintivo indispensável da evangelização, na continuidade do pensamento de São Paulo VI e com sua intercessão. E que o Verbo Encarnado que se esvaziou de tudo, até da glória divina, se fez homem servo e despojado e deu a sua vida por nós, nos mantenha em sua Kénosis e que sempre nos lembre no Ensinamento Social de sua Igreja que o que excede as nossas necessidades de vida digna, é de direito natural daquele que carece, na dimensão da justiça distributiva.

Assim, não haverá mais pessoas excludentes nem excluídas. Seremos todos irmãos, conforme o plano divino, na comunhão dos dons, na justa partilha dos bens que o Senhor criou para todos, na verdadeira comunicação missionária que começa na fraternidade , no amor solidário e se desenvolve na verdade de uma ação transformadora cristã do mundo que ,pelo caminho justo e caridoso , plantará a paz.

Pe Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça
Assessor Eclesiástico Diocesano da Pastoral da Comunicação e Familiar da Diocese de Nova Friburgo – RJ
Membro da Academia Marial de Aparecida e da Academia Friburguense de Letras

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