Localização: Jerusalém
Por: Luciana Gianesini
Segundo a tradição de Notre-Dame de Liesse, três irmãos naturais da região de Laon, membros da Ordem dos Hospitalários e ligados à assistência aos peregrinos da Terra Santa, partiram em direção ao Oriente por volta de 1134. Durante a viagem, foram capturados e levados para o Cairo, onde teriam sido pressionados a abandonar a fé cristã. Permaneceram, porém, fiéis à sua fé.
A tradição conta que o sultão enviou sua filha, a princesa Ismérie, para tentar convertê-los. Ao ouvir falar da Virgem Maria e desejar conhecer sua imagem, a princesa recebeu dos prisioneiros o testemunho da fé cristã. Naquela mesma noite, os irmãos teriam encontrado milagrosamente uma imagem da Virgem Maria. Ismérie, tocada pela experiência, teria se convertido e ajudado os prisioneiros a fugir, levando consigo a imagem.
Depois de uma longa caminhada, os fugitivos, exaustos, adormeceram. Ao despertar, segundo a tradição, perceberam que haviam sido transportados milagrosamente do Cairo para a região de Laon, na França. A imagem de Nossa Senhora também estava com eles. O grupo teria chegado às proximidades de Marchais, onde a estátua se tornou tão pesada que não pôde mais ser transportada. Os fugitivos compreenderam esse fato como um sinal de que a Virgem desejava permanecer naquele lugar.
No local onde a imagem permaneceu, foi construída uma capela e teve início o culto a Notre-Dame de Liesse. O próprio nome Liesse está associado à alegria, e a tradição explica o título como referência à alegria que a presença da Virgem desperta no coração dos fiéis. A paróquia do santuário a invoca como “cause de notre joie” — “causa da nossa alegria”.

O santuário de Notre-Dame de Liesse está localizado na atual comuna de Liesse-Notre-Dame, na região de Hauts-de-France, diocese de Soissons. A primeira capela foi erguida no local associado à tradição da libertação dos três irmãos. A atual basílica, em estilo gótico flamejante, teve sua construção iniciada no século XIV: a igreja foi edificada a partir de 1344 e ampliada em 1480.
No interior do santuário é venerada a Virgem Negra de Liesse. A devoção atravessou os séculos e atraiu peregrinos de diferentes regiões da França. Entre os objetos que testemunham essa história estão numerosos ex-votos, oferecidos por fiéis em agradecimento pelas graças recebidas.
A tradição de Notre-Dame de Liesse também está ligada a uma fonte considerada milagrosa. Segundo o relato, os três irmãos e Ismérie teriam despertado junto a uma fonte depois de serem transportados do Cairo para a França. A água passou a ser associada a diversas curas e tornou-se parte da experiência dos peregrinos.
Em 1913, o Papa São Pio X concedeu à igreja o título de Basílica Menor, em reconhecimento à importância do santuário e de sua peregrinação.
Senhora da Alegria, ensinai-nos a reconhecer a presença de Deus mesmo em meio às dificuldades. Que, como os peregrinos que ao longo dos séculos recorreram a vós, saibamos confiar na intercessão materna de Maria e conduzir nossa vida para Cristo, verdadeira fonte da alegria.
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