Por Academia Marial Em Títulos de Nossa Senhora Atualizada em 13 NOV 2019 - 09H43

Nossa Senhora da Esperança: socorro dos desesperados

Os fiéis sempre invocam o nome de Maria com a esperança de que Ela os ajude a resolver seus problemas pessoais. Assim, este título não é novo, pois, na Liturgia, a Mãe de Deus tem sido denominada “Esperança dos desesperados”.


Nossa Senhora da Esperança

Algumas vezes, ela é também invocada e identificada como Senhora do Amor Divino ou da Expectação, pois, em alguns lugares, esta devoção se referia à esperança do parto, pelo qual a Virgem Mãe daria à luz brevemente ao Filho de Deus. Neste caso, ela era representada grávida, tendo sobre o seio a Pomba Divina, símbolo do Espírito Santo.

O mais antigo santuário de Nossa Senhora da Esperança de que se tem notícia é o da cidade de Meniézes, na França, construído no ano de 930. Depois dele, vários outros foram erguidos, espalhando-se esta devoção por toda a Europa.

Em Portugal, este culto desenvolveu-se muito na época das grandes descobertas marítimas, figurando entre seus devotos o comandante Pedro Álvares Cabral, que possuía uma bela imagem da Padroeira em sua residência, trazendo-a consigo em sua feliz viagem às Índias.

O Brasil foi, portanto, descoberto sob o olhar terno e protetor da Mãe da Esperança.

Esta efígie histórica mostra a Virgem Santíssima com o Menino Jesus sentado em seu braço esquerdo e apontando para uma pomba, que repousa sobre o seu braço direito. Ela está atualmente na cidade de Belmonte, numa capela onde se diz ter sido batizado o descobridor do Brasil, e foi trazida novamente ao nosso país durante o Congresso Eucarístico Internacional do Rio Janeiro, em 1955.

Nos tempos modernos, a devoção à Nossa Senhora da Esperança foi revivida em Saint Brieuc, na Grã-Bretanha, e espalhou-se de maneira excepcional após a aparição da Virgem Maria em Poitmain, nos dias terríveis da invasão prussiana, quando o inverno, a fome e a guerra se uniram para castigar o povo francês.

O dia 17 de janeiro foi, em 1871, especialmente sombrio para a história da França. Paris estava sitiada e as tropas em retirada. O bispo de Saint Brieuc, desesperado, fez um voto solene a Nossa Senhora da Esperança para que salvasse sua pátria, e ordenou que o mesmo fosse lido na capital às seis horas da tarde.

Mais ou menos a essa hora, na vila Pontmain, próxima às linhas inimigas, o Sr. Barbedette terminava em seu celeiro o trabalho cotidiano, auxiliado pelos filhos: Eugênio, de 12 anos, e José, de 10. Escurecia, e o mais velho, cansado, saiu um pouco para espairecer e ver como estava o tempo lá fora.

Qual não foi sua surpresa quando, sobre uma casa próxima, a poucos metros de distância, Eugênio avistou uma jovem senhora, resplendente de luz e de incomparável beleza, vestindo um traje azul, salpicado de brilhantes estrelas e calçando sandálias azuis com fivelas douradas. Sobre a cabeça, apresentava um véu preto e, por cima, uma coroa, que era mais alta na frente e menor atrás.

O menino contemplava extasiado a maravilhosa aparição, quando uma vizinha saiu de casa. “Joana” - disse Eugênio - “a senhora não enxerga nada lá em cima da casa do vendedor de fumo?” Por mais que olhasse, contudo, ela nada conseguiu avistar. O mesmo estava acontecendo com o Sr. Barbedette. Porém, seu irmãozinho José logo percebeu a visão e, além de descrevê-la do mesmo modo que Eugênio, exclamava entusiasmado: “Como é linda! Como é linda!”

A mãe das crianças também nada enxergou, mesmo colocando os óculos. Por isso, achou que era uma alucinação dos meninos e levou-os para jantar. Algum tempo depois, eles tiveram licença para sair e viram que a bela senhora continuava de pé no mesmo lugar.

O Sr. Vigário e a irmã Vitaline, professora dos videntes, chamados ao local, nada puderam ver. No entanto, outras duas meninas internas, que acompanhavam a irmã, contemplaram a celestial aparição e demonstraram grande alegria ao vê-la sorrir. Emocionada, a multidão de curiosos que ali se encontrava, a convite do vigário prosternou-se e começou a rezar.

Aos poucos, a visão foi se transformando aos olhos das crianças. Apareceu em volta da Senhora uma fita azul com quatro velas: duas na altura dos ombros e duas no joelhos. Mais tarde, outra fita muito comprida desenrolou-se sob os pés da Virgem e uma pena invisível escreveu os seguintes dizeres: “Mas rezai, meus filhos! Deus vos atenderá dentro em breve. Meu Filho se deixa enternecer”. Viram depois, nas mãos de Maria, um crucifixo vermelho e uma estrela que, dando volta em torno da Senhora, acendeu as quatro velas, parando em seguida sobre a sua cabeça. Finalmente, às 20h45, um véu subiu pouco a pouco e escondeu a aparição.

Este fato extraordinário despertou vivo interesse na região, principalmente porque, dez dias depois, foi assinado o armistício, terminando a sangrenta guerra entre a França e a Alemanha. O bispo de Laval, após detalhados exames sobre o assunto, publicou, a 02 de fevereiro do ano seguinte, uma carta admitindo a realidade da aparição e autorizando o culto da Virgem Maria sob o título de Nossa Senhora da Esperança de Pointmain.

Foram inúmeras as graças alcançadas no lugar da aparição e, pouco depois, erigiu-se ali uma bela basílica, que foi entregue aos cuidados dos padres Oblatos de Maria Imaculada, ordem para a qual entrou, posteriormente, José Barbedette, um dos pequenos videntes.

A Ordem dos Oblatos, instituída na França em princípio do século XIX, espalhou-se pelo mundo devido à sua admirável obra missionária, chegando ao Brasil em 1946. Oito anos depois, os padres se estabeleceram em Poços de Caldas (MG), no bairro operário de Vila Cruz, onde formaram um colégio para crianças pobres.

Oração


SENHORA DA ESPERANÇA,
Tua alegria era fazer a vontade do Pai.
Tua vida era estar atenta às necessidades dos outros.
Intercede por nós!

Quando nossa fé vacila,
Quando somos tentados a desesperar,
SENHORA DA ESPERANÇA, intercede por nós!

Quando fechamos o coração, 
Quando consentimos à injustiça,
SENHORA DA ESPERANÇA, intercede por nós!

Quando parece ser difícil seguir teu Filho,
Quando nos cansamos de fazer o bem,
SENHORA DA ESPERANÇA, intercede por nós!

Quando o 'não' se antecipa ao nosso 'sim',
Leva-nos a JESUS CRISTO, nossa esperança.

Amém.


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