Revista de Aparecida

A Sinodalidade na Assembleia Geral da CNBB

Escrito por Matheus Azevedo

15 ABR 2026 - 17H25 (Atualizada em 15 ABR 2026 - 17H40)

Thiago Leon

Um dos temas debatidos na 62º Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é a sinodalidade e sua aplicação prática. Neste ano, o evento acontece entre os dias 15 e 24 de abril, no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP).

Até 2028, toda a Igreja caminha para o processo de implementação do relatório final do Sínodo sobre a Sinodalidade. Mas, de forma concreta, como é edificado esse método e conceito na Assembleia Geral?

Um dos indicativos para a implementação do Sínodo é tomar consciência da participação em diversos aspectos eclesiais da Igreja, mas, sobretudo, da vivência unificada no processo de salvação. “Ao viver o processo sinodal, tomamos nova consciência de que a salvação a receber e a anunciar passa através das relações. Ela vive-se e testemunha-se juntos” (Relatório Final, número 154).

O cardeal arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, relembra que a sinodalidade já é uma realidade na Igreja no Brasil. “Nós, no Brasil, temos uma tradição muito bonita: essa dinâmica da escuta que marcou todo o processo sinodal é algo que caracteriza a tradição da Conferência dos Bispos do Brasil, mas também de toda a América Latina. Nesse sentido, constato que, de alguma forma, nós estamos bastante sintonizados com aquilo que o Sínodo está pedindo para toda a Igreja”, reflete o presidente.

Thiago Leon Thiago Leon Dom Jaime Spengler durante a 62° Assembleia Geral da CNBB

Em um paralelo com o Documento de Aparecida, elaborado em 2007, o cardeal Spengler reforça a semelhança do processo. “Tanto assim que o processo de construção do relatório, como também do documento final do sínodo, repercute muito aquilo que foi o Documento de Aparecida, que se tornou uma espécie de documento paradigmático, não só para o contexto latino-americano e caribenho, mas para a Igreja em sua universalidade”, contextualiza Dom Jaime.

E o episcopado brasileiro? Como observa a sinodalidade na Assembleia?

O fato de os bispos se reunirem em Aparecida já é expressão da sinodalidade. O Santuário Nacional é o centro de unidade. Dessa forma, o espírito sinodal é esse espírito de caminhar juntos. É o desejo de todos nós de fazermos uma caminhada conjunta, não só em união com o nosso povo aqui do Brasil, com as nossas dioceses, mas também, com a Igreja universal”, explicou o bispo de Cachoeira do Sul (RS), Dom Edson Batista de Mello.

Para o bispo diocesano de Irecê (BA), Dom Antônio Ederaldo de Santana, a sinodalidade é sinal de comunhão e algo que não se termina, sendo uma proposta do saudoso Papa Francisco já encaminhada há alguns anos. “A sinodalidade é algo que se renova a cada ano, não se termina, porque não pode terminar um processo de diálogo e comunhão. Ao contrário, ela vai se completando. Este ano, em especial, teremos as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, que também são frutos da sinodalidade”, comenta o prelado.

O arcebispo de Santa Maria (RS), presidente da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB e membro da equipe de elaboração das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), Dom Leomar Antônio Brustolin, reforça que o documento é fruto de um processo sinodal iniciado em 2022 e marcado por ampla escuta, participação e discernimento. “A sinodalidade é caminhar juntos, é fazer um itinerário comum. Nós já estamos fazendo isso há muito tempo, desde que começamos a elaborar as DGAE. Agora, enquanto conclusão do sínodo e processo de implementação, o resultado dos sínodos está sendo votado e a proposta das diretrizes está sendo implementada”, conta Dom Leomar.

Indicativos sobre o processo de construção do documento também são apresentados por Dom Leomar Brustolin. “As diretrizes serão a concretização da sinodalidade: quais são os caminhos comuns que os bispos devem assumir no Brasil? Um deles, por exemplo, é a transmissão da fé às novas gerações; como fazer para os católicos voltarem para a Igreja? Como garantir que quem termina a Primeira Comunhão e a Crisma não vá embora da Igreja? Depois que recebem os Sacramentos, como garantir que continuemos trabalhando pela justiça, pela paz, pelos pobres e pelas pessoas que mais precisam? Como oferecer uma formação mais discipular, não só devocional, mas verdadeiramente discipular, para os nossos Católicos? São muitos os desafios, não são poucos. E a sinodalidade é isso: fazer caminhos comuns para que assumamos essa responsabilidade”, conclui o arcebispo.

Thiago Leon Thiago Leon Episcopado brasileiro reunido na 62° Assembleia Geral

Relatório Final sobre o Sínodo sobre a Sinodalidade

Conheça o Relatório Final sobre o Sínodo sobre a Sinodalidade, elaborado entre 2021 e 2024. Acesse e confira.

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Diversos outros temas ligados à sinodalidade estão disponíveis no site a12.com/redacaoa12/sinodalidade.

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