O Magistério da Igreja é amplo ao apresentar a presença de Maria na história da salvação. Ela é modelo de virtudes, fé e perseverança para os cristãos, como destaca a Constituição Dogmática Lumen Gentium, de São Paulo VI, publicada em 1964.
Diversos documentos da Igreja ajudam a refletir sobre o papel de Maria e sua contribuição na caminhada de fé. A Redemptoris Mater (A Mãe do Redentor), de São João Paulo II, publicada em 1987; a Ad Caeli Reginam (Para a Rainha do Céu), de Pio XII, de 1954; e a Marialis Cultus (Culto Mariano), de Paulo VI, de 1974, podem ser instrumentos importantes para a compressão do significado de Maria na Igreja.
A Palavra de Deus também colabora nesse aspecto, conforme apresentado no livro dos Atos dos Apóstolos: “Todos perseveravam unânimes na oração, junto com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos” (At 1,14).
Mas, como entender Maria como exemplo de sinodalidade? O bispo de Cruz Alta (RS), Dom Nélio Domingos Zortea, colabora com essa relação de Maria, modelo sinodal que caminha com Deus e com o povo. “Maria é um exemplo da caminhada da Igreja. Ela sempre esteve aberta a Deus, à Palavra de Deus, sintonizada com a mensagem divina e guardando tudo em seu coração. Nesse sentido, Maria tem essa abertura para Deus, abertura ao anjo quando lhe aparece, abertura aos sinais e à comunidade, dado que participava semanalmente da sinagoga, buscando conhecimento e procurando sintonizar seu coração com Deus”, explica o bispo.
Ela também está presente em momentos importantes da Igreja, como em Pentecostes. “Maria sempre acompanhando os apóstolos (...) Ela não desanima, mas procura sempre acolher aquilo que vai acontecendo na vida, sempre na disponibilidade de servir e de ser presença junto à comunidade. Em Pentecostes, ela se faz presente na oração dos apóstolos. Assim, o Espírito Santo vai agindo na vida dela, na vida dos apóstolos e na vida da comunidade, sendo esse testemunho constante, sereno e participativo”, lembra Dom Nélio.
Maria ensina a dar testemunho em comunidade, fortalecendo uma espiritualidade mais sinodal. “Ela nos ensina essa abertura desde o início, sempre participando da vida da comunidade, aberta para Deus, junto com os apóstolos. Nossa Senhora se faz presente na alegria, na dor do povo e também no entusiasmo de seguir a Cristo”, pontua o bispo.
Inspirados e perseverantes como Maria
“Que todos os devotos de Nossa Senhora possam ser perseverantes, assim como Nossa Senhora. Mas ser perseverante é participar ativamente; e participar ativamente não significa necessariamente falar ou exercer um ofício, mas fazer-se presente constantemente junto à comunidade, testemunhando a sua fé”, finaliza o bispo de Cruz Alta (RS).
Leia mais sobre a sinodalidade
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Eucaristia, pão dos caminhantes
A Eucaristia, apresentada pela Igreja como fonte e centro da vida cristã, também fortalece a vivência da sinodalidade. Dom João Justino reflete sobre a importância da comunhão eclesial, da assembleia litúrgica e da celebração de Corpus Christi para a caminhada da Igreja.
Maria, o rosto sinodal da Igreja
O texto apresenta Maria como modelo de Igreja sinodal, destacando seu papel de comunhão, escuta e missão, inspirando os fiéis a viverem unidos na fé e a levar Cristo ao mundo.
A Sinodalidade na Assembleia Geral da CNBB
Um dos temas debatidos na 62º Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é a sinodalidade e sua aplicação prática. Neste ano, o evento acontece entre os dias 15 e 24 de abril, no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP). Até 2028, toda a Igreja caminha para o processo de implementação do relatório final do Sínodo sobre a Sinodalidade. Mas, de forma concreta, como é edificado esse método e conceito na Assembleia Geral?
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