Revista de Aparecida

Maria, o rosto sinodal da Igreja

“Como Maria, a Igreja é Mãe e Mestra”, Dom Murilo Krieger, arcebispo emérito de São Salvador da Bahia e primaz do Brasil

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Escrito por Matheus Azevedo

30 ABR 2026 - 07H00

Thiago Leon

O mês de maio, por excelência, é dedicado a Nossa Senhora em seus diversos títulos. Essa tradição remonta à Idade Média, sendo um período tricesimum, 30 dias nos quais os fiéis se dedicam a orações em honra à Virgem Maria, conforme nos apresenta o Guia sobre Piedade Popular e Liturgia, de São João Paulo II, de 2001.

Maria, nossa Mãe, foi Aquela que, diante dos apóstolos, nos ensinou a viver em comunidade à luz do Espírito Santo e, segundo a vontade de Deus, como narrado no livro dos Atos dos Apóstolos. Mas o que significa dizer “Maria como o rosto sinodal da Igreja”?

Nesta reflexão, o arcebispo emérito de São Salvador da Bahia e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, colabora com os ensinamentos sobre a temática. “Maria (...) ensina à Igreja que o Espírito Santo age em corações que se abrem à sua ação e que buscam viver em comunhão com os outros. Afinal, quem realiza a obra de santificação é Ele, não nós. Para ter um “rosto sinodal”, a Igreja precisa olhar para Maria e procurar viver como ela”, pontua.

De acordo com Dom Murilo, a Lumen Gentium apresenta, em seu capítulo VIII, Maria como figura e ícone da Igreja, colaboradora direta da missão salvífica de Cristo. Como Maria, a Igreja é Mãe e Mestra. Maria é o que a Igreja é chamada a ser: modelo de fé, de caridade e de perfeita união com Cristo. Ela ensina à Igreja como obter, pela intercessão, os dons da salvação eterna. Ela ensina a Igreja a ser Mãe carinhosa – isto é, Mãe que cuida daqueles que ainda peregrinam e se debatem entre perigos e angústias, até que sejam conduzidos à Pátria feliz”, explica.

Maria nos apresenta outra virtude, a de caminharmos unidos em um propósito de, em unidade, estarmos em sintonia direta com o Pai. “A comunhão é fruto do desejo de colocar em prática a vontade de Deus – e a vontade de Deus é que vivamos em comunidade: “Pai, que eles sejam um, como nós somos um!” (Jo 17,21). Há comunhão quando há doação. Maria se doou ao Pai (“Faça-se em mim”) e, tendo Jesus nos braços, o deu aos pastores na gruta de Belém, aos magos do Oriente e a Simeão e a Ana, no Templo. Por fim, no Calvário, o deu ao Pai, unindo-se à vítima que ela gerara. Como Maria, nossa missão é dar Jesus – e como o mundo precisa dele!”, disse. Ele complementa: Maria ensina à Igreja que sua missão principal é dar Jesus ao mundo – isto é, fazer o que ela, como Mãe de Jesus, fez. Todo o resto – isto é, todas as atividades da Igreja – são consequência desta missão principal”, destacou.

Um outro ponto apresentado por Dom Murilo, a partir de uma menção de um teólogo dos primeiros tempos, é que Maria inspira os fiéis a viverem a comunhão e a escuta dentro das comunidades. “Tertuliano registrou o que os pagãos diziam a respeito dos cristãos: “Vede como eles se amam”. Os primeiros cristãos entendiam que Jesus os chamou para viver em comunidade, não para que cada um caminhasse por si. Com Maria e com os primeiros cristãos aprendemos que, tendo dons e carismas diversos, precisamos dos outros para melhor servir a comunidade. Cristãos que se isolam ou que rompem a comunhão são um contratestemunho evangélico”, exortou.

O Relatório Final do Sínodo (2021 – 2024) ressalta a relação de uma Igreja, à semelhança de Maria, que caminha na escuta, no discernimento comunitário e na missão. Mencionando o documento final, o arcebispo emérito propõe uma meditação. “‘O sentido último da sinodalidade é o testemunho que a Igreja é chamada a dar de Deus, Pai e Filho e Espírito Santo (...) Caminhando em estilo sinodal, no entrelaçamento das nossas vocações, carismas e ministérios, e, indo ao encontro de todos para levar a alegria do Evangelho, podemos viver a comunhão que salva: com Deus, com toda a humanidade e com toda a criação. Desta forma, graças à partilha, começaremos já a experimentar o banquete da vida que Deus oferece a todos os povos’ (154)”, rememorou o trecho.

O arcebispo emérito ainda ressalva a participação de Nossa Senhora no contexto da salvação no relato do livro dos Atos dos Apóstolos. “A Virgem Maria, ‘que no Cenáculo ajudou a comunidade nascente a abrir-se à novidade do Pentecostes’ (155), pode nos ensinar a ser um Povo de discípulos missionários que caminham juntos: uma Igreja sinodal, concluiu Dom Murilo Krieger.

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