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Revista de Aparecida

Amor aos pobres: Vento novo do Espírito!

Escrito por Pe. Ferdinando Mancílio, C.Ss.R.

31 DEZ 2025 - 07H00 (Atualizada em 12 JAN 2026 - 16H45)

Thiago Leon

“Eu te amei” (Ap 3,9), diz o Senhor a uma comunidade cristã que, ao contrário de outras, não tinha qualquer relevância ou recurso e estava exposta à violência e ao desprezo: “tens pouca força, mas […] farei que […] venham prostrar-se a teus pés” (Ap 3,8-9).

Começamos o novo ano com essas belas palavras iniciais da “Dilexit te”, Carta Apostólica do papa Leão XIV.

O olhar de Deus é, em primeiro, lugar para com os que estão longe, distantes, como essa Comunidade do livro do Apocalipse, pequena, frágil, distante..., mas que estava sob o olhar do Senhor.

Esse sentimento é muito belo e tocante, pois assim como Deus olha para a Comunidade pequena, esquecida e até desprezada, Ele olha para os frágeis e fragilizados em nosso mundo de hoje, tão ganancioso e que despreza até a vida para se ter mais lucro. Sim, o lucro, a causa de tantas vítimas. O lucro que se torna valor absoluto, quando devia ser relativo. Assim, a Palavra de Deus vai nos mostrando e nos ensinando por onde passam nossos sentimentos, ou devem passar, por onde devemos andar, se queremos viver de fato, a fé em Cristo.

Os desprezados, os abandonados, os pobres, são a razão da ação apostólica da Igreja e os preferidos de Cristo. Cristo não abandona ninguém, mas os mais feridos estão sob o olhar compassivo e misericordioso de Cristo. E é tão bom e tão dócil pensar assim e conseguir enxergar a vivência da fé desse modo. Isso nos traz muita paz e nos fortalece na confiança em Cristo. Saber-se amado por Deus é o grande motivo de nossa vida e a alegria que deve invadir ou penetrar nossa existência.

Como posso ser amado assim por um Deus? Esse é o sentimento dos abandonados e desprezados em nossos dias. Maria já cantou essa esperança e essa confiança na casa de Isabel: “Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias” (Lc 1,52-53).

Nessa certeza é que devemos viver: Deus não nos abandona, nem aos pobres, nem àqueles que confiam e esperam nele. Vamos viver nessa certeza e nessa esperança neste ano? Dificuldades teremos, mas, quem espera no Senhor, sabe como enfrentá-las. Então, Feliz Ano Novo!


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