Outubro é um mês muito especial! Nós, que vivemos e trabalhamos em Aparecida, acolhemos milhares de devotos que vêm celebrar a Novena e Festa de Nossa Senhora Aparecida. Sempre digo que, neste mês de outubro, Aparecida passa a ter um colorido especial: o rosto leve, o sorriso estampado, os pés, por vezes, calejados, e o coração agradecido dos devotos da Mãe Aparecida.
E é no dia 12 de outubro, dia da Padroeira do Brasil, que também comemoramos o “Dia das Crianças”. Nossa Senhora, nossa Mãezinha de Aparecida, acompanha nossas crianças nesse dia tão especial e intercede por cada uma delas, para que sua inocência seja um bálsamo em meio às violências que tantas sofrem no Brasil e no mundo afora.
Anualmente, no dia 12 de outubro, o Santuário Nacional de Aparecida se une ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região de Campinas (SP) para dizer “não” ao trabalho infantil. A Casa da Mãe Aparecida faz esse esforço junto às autoridades competentes para que o trabalho infantil seja erradicado em nosso país.
Guardo no coração e na mente as palavras de nosso Reitor, Pe. Carlos Eduardo Catalfo, C.Ss.R., que, repetidas vezes, desde que assumiu a missão de zelar pela reitoria do Santuário, reafirma no Altar Central: “O lugar da criança é na brincadeira!”
Pode parecer uma frase de efeito ou uma ideia óbvia, quando, na verdade, revela uma grande verdade: a criança deve aproveitar sua infância com leveza, espontaneidade e gratidão, contemplando as coisas mais simples da vida como extraordinárias. Sim, o lugar da criança é na brincadeira feliz, leve e despojada!
Com o advento do mundo digital, as crianças estão cada vez mais presas aos smartphones, deixando de desfrutar o mundo lá fora, criado por Deus. É claro que, para muitos pais ou responsáveis, a rua deixou de ser um lugar seguro para elas, mas o melhor caminho não é expô-las à tecnologia como única ferramenta possível.
Dados científicos e especialistas no assunto têm feito graves alertas sobre a exposição precoce de crianças e adolescentes ao uso da tecnologia, que pode afetar sua capacidade cognitiva e de aprendizado. O melhor caminho possível é dedicar tempo e oferecer brincadeiras sadias e estimulantes, que desvelem o verdadeiro rosto da infância: brincar com tempo!
Também muitas crianças são expostas ao trabalho infantil. Em uma palavra, a criança que é explorada no mundo do trabalho tem sua infância roubada.
Para tudo, tudo, tudo há tempo. Haverá tempo para que essa criança “mergulhe” no mercado de trabalho. Mas, neste momento, cabe a ela dedicar-se à família, aos estudos e às brincadeiras; brincar com tempo, para que nada esteja fora do tempo e para que não haja tempo perdido.
O saudoso Papa Francisco se referia a essa realidade como um “grande flagelo”, que deve ser combatido, também segundo ele, com iniciativas concretas e eficazes para garantir e defender a dignidade daqueles que são mais frágeis.
Que o Governo brasileiro e os governos de outras nações, com o apoio da Igreja e, é claro, de cada um de nós, arregacem as mangas e façam valer o grande sonho do Pai: que todos tenham vida em abundância, especialmente as crianças, que têm um coração a ser imitado por todos.
Nossa Senhora Aparecida, rogai por nossas crianças e por aqueles que não se cansam de lutar por esta nobre causa: a erradicação do trabalho infantil.
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