A Igreja sempre foi uma voz forte em defesa da educação. Ela sempre enxergou a educação como uma ferramenta aliada à transformação social. Para muitos de nós, a escola sempre foi uma realidade muito presente. Nossos pais e/ou responsáveis nos levaram à escola, oferecendo-nos, desde a mais tenra idade, a oportunidade de aprender e conviver com o ensino, que é sempre transformador.
E nunca é demais dizer: a escola é para todos, porque todos têm direito a uma educação de qualidade! A própria Constituição Federal de 1988, em seu artigo 205, proclama: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Em suma, uma educação de qualidade abre as portas para o desenvolvimento humano integral e também insere a pessoa no mundo do trabalho.
O problema, que é, na verdade, uma grande chaga ainda aberta no Brasil, são os muitos irmãos e irmãs nossos que não tiveram a oportunidade de estudar no tempo adequado. E não estamos falando apenas de crianças e adolescentes, que também, por vezes, se veem privados do ensino. Referimo-nos aqui aos muitos jovens, adultos e idosos que foram privados da educação por uma série de motivos, talvez até pela necessidade de garantir o próprio sustento e o de suas famílias. São pessoas que, mesmo a essa altura da vida, marcada por tantas responsabilidades, não desistiram do aprendizado e seguem buscando conciliar família, trabalho e estudos.
Não se trata simplesmente de “correr atrás do tempo perdido”, mas de buscar o conhecimento que, uma vez adquirido, passa a fazer parte da pessoa, libertando-a das amarras da alienação que, por vezes, o próprio contexto político e social impõe.
Aqui, devemos reconhecer o trabalho, hoje ainda pouco conhecido e pouco falado, realizado em muitas escolas do nosso país, geralmente no período noturno, para atender jovens, adultos e idosos: o projeto Educação de Jovens e Adultos (EJA). Essa modalidade de ensino já transformou a vida de muitos irmãos e irmãs nossos que interromperam — ou talvez nem sequer tenham iniciado — seus estudos quando ainda eram crianças.
Penso que o EJA seja também um grande “grito” contra toda forma de “escanteamento”. Afinal, só porque alguém atingiu determinada idade, deve permanecer como está? Não! O conhecimento, seja transmitido cedo ou tarde, é sempre libertador e contribui para garantir o pleno exercício da cidadania e dos direitos.
Neste próximo dia 14 de novembro, vamos comemorar mais uma vez o Dia Nacional da Alfabetização. Que essa data, de fato, coloque em evidência esse direito fundamental e desperte em nossos governantes a consciência de que oferecer uma educação de qualidade não é um favor, muito menos um privilégio concedido por eles. É uma obrigação do Estado, como estabelece a própria Constituição Federal de 1988.
Nossa Senhora nos deu uma grande lição: educar é sempre um ato de amor; é dar vida! Ela educou seu Filho amado com amor e, hoje, do Céu, também nos ensina a educar e a defender o direito ao ensino para todos.
Nossa Senhora Aparecida, Mãe Educadora, rogai por nós! Assim seja. Amém!
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