Com início na Quarta-feira de Cinzas (18), a Quaresma é um tempo dedicado à conversão. O período é marcado pelos “exercícios espirituais, pelas liturgias penitenciais, peregrinações em sinal de penitência, privações voluntárias como o jejum e a esmola, partilha fraterna (obras caritativas e missionárias)” (CIC, 1438), realizados como forma de preparação para a Páscoa. Uma das formas de mudar o coração e as atitudes, atendendo ao principal chamado deste tempo litúrgico, é a vivência do caminho sinodal como caminho de conversão.
“A sinodalidade começa onde a conversão dói: na escuta. Converter-se, biblicamente falando, é mudar de ideia”, contextualiza o Missionário Inaciano e professor de Teologia Bíblica, Frei Guilherme Anselmo.
A proposta do religioso repercute o pensamento do Papa Leão XIV. Em outubro de 2025, ao receber membros de equipes sinodais no Vaticano, o pontífice afirmou: “O dom da escuta é algo que creio que todos reconhecemos, mas que muitas vezes se perdeu em alguns setores da Igreja, e algo cujo valor acredito que devemos continuar a descobrir, começando pela escuta da Palavra de Deus, pela escuta recíproca, pela escuta da sabedoria que encontramos nos homens e mulheres, nos membros da Igreja”, salientou.
“A Quaresma nos chama a rasgar o coração, não as vestes. O caminho sinodal faz exatamente isso: tira a Igreja do piloto automático, questiona o clericalismo, desmonta a autorreferencialidade e nos devolve ao Evangelho vivido em comunhão”, completa o Frei.
As celebrações como expressão sinodal
Uma das marcas do tempo penitencial são as celebrações da piedade popular. Mais do que expressões de fé, elas demonstram como o espírito sinodal é vivido no dia a dia.
“Procissões, vias-sacras, novenas e romarias são experiências profundamente comunitárias. Ali ninguém caminha sozinho. A sinodalidade já está ali, em germe”, defende o sacerdote.
Esses momentos também podem ser oportunidade de a comunidade caminhar junta na organização das principais cerimônias religiosas do ano. “A sinodalidade prepara o coração para celebrar, e a celebração fortalece o caminho sinodal”, garante o religioso.
“Preparar a Páscoa de forma sinodal significa envolver a comunidade inteira no processo: escuta, partilha, corresponsabilidade. Isso vale para a escolha de sinais, linguagens, ministérios e até dos silêncios celebrativos”, sugere.
Essas ações, quando abraçadas por todos os participantes das paróquias e comunidades, auxiliam naquilo que é proposto pela Quaresma. “Conversão não é sentimento piedoso; é mudança de postura. Quando a comunidade discerne junta, erra menos sozinha e acerta mais em comunhão”, assinala Frei Guilherme.
Quaresma
Composto por quarenta dias, o tempo quaresmal segue até o dia 02 de abril, encerrando-se na Quinta-feira Santa. Os dias recordam o período em que Jesus passou no deserto e são marcados pelos fiéis, sobretudo, pela prática da oração, do jejum e da caridade.
Como posso exercer a sinodalidade na minha comunidade?
Entenda a relação entre a sinodalidade e a vida em comunidade.
Eucaristia, pão dos caminhantes
A Eucaristia, apresentada pela Igreja como fonte e centro da vida cristã, também fortalece a vivência da sinodalidade. Dom João Justino reflete sobre a importância da comunhão eclesial, da assembleia litúrgica e da celebração de Corpus Christi para a caminhada da Igreja.
Maria, um exemplo de sinodalidade
O Magistério da Igreja é amplo ao apresentar a presença de Maria na história da salvação. Ela é modelo de virtudes, fé e perseverança para os cristãos, como destaca a Constituição Dogmática Lumen Gentium, de São Paulo VI, publicada em 1964.
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