Um dos aspectos fundamentais da vida da Igreja é a missão. Por sua essência, ela foi um mandato de Jesus a seus discípulos: “Portanto, ide e fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei” (Mt 28,19). O são convidados a continuar esta missão de evangelização.
O Sínodo sobre a Sinodalidade, aberto em 2021 pelo Papa Francisco, buscou, de acordo com o Relatório Final, uma “ampla consulta ao Povo de Deus” (p.4), nas diversas realidades da Igreja pelo mundo. A chave para essa caminhada é a unidade e a corresponsabilidade, como podemos observar a partir da Exortação Apostólica Evangelii Gaudium: “Em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário” (120).
Somos missionários e participantes integrais da caminhada da Igreja, sendo apóstolos de Cristo nesta terra, conforme apresenta o Decreto do Concílio Vaticano II, Apostolicam Actuositatem, do Papa São Paulo VI de 1965. “A Igreja exerce-o de diversas maneiras, por meio de todos os seus membros, já que a vocação cristã é também, por sua própria natureza, vocação ao apostolado” (2).
Composto pelos batizados, o Povo de Deus é convidado a evangelizar e iluminar toda a sociedade nas mais diversas oportunidades. Jamais de forma isolada, mas em conjunto. Em sua última mensagem para a Quaresma, em fevereiro de 2025, o Papa Francisco destacou essa dimensão da vida da Igreja. “Caminhar juntos, ser sinodal, é esta a vocação da Igreja. Os cristãos são chamados a percorrer o caminho em conjunto, jamais como viajantes solitários” (Mensagem do Santo Padre Francisco para a Quaresma de 2025).
Em nossas comunidades, essas ações podem acontecer de diversas maneiras, como destaca o administrador apostólico de Aparecida, Dom Orlando Brandes. “Os nossos grupos bíblicos de reflexão nas casas são pura sinodalidade, porque a gente se encontra em grupo e ali vamos rezar juntos, partilhar juntos. Agora, principalmente, sinodalidade (...) São os nossos conselhos pastorais. Então, tendo os conselhos (...) Reunimos as forças da paróquia e estamos vivendo sinodalidade”, afirma o prelado.
Ele também pontua outros espaços da sociedade onde podemos viver a sinodalidade. “O casamento, a família, é também uma oportunidade ímpar para a gente viver a sinodalidade. Entre os irmãos entre si, marido e mulher entre si, pais e filhos vivendo a sinodalidade no dia a dia, mas também no lugar do nosso trabalho”, aponta Dom Orlando Brandes.
Na passagem do Evangelho de São Mateus, temos essa missão expressa, diante das realidades de toda a sociedade civil organizada: sermos missionários e evangelizadores. “Vós sois o sal da terra (...) Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13).
Ainda na Exortação Apostólica Christifideles Laici, do Papa São João Paulo II, de 1988, é apresentada a ligação entre esse trecho bíblico e a missão do batizado na Igreja. “As imagens evangélicas do sal, da luz e do fermento, embora se refiram indistintamente a todos os discípulos de Jesus, têm uma específica aplicação nos fiéis leigos. São imagens maravilhosamente significativas, porque falam não só da inserção profunda e da participação plena dos fiéis leigos na terra, no mundo, na comunidade humana, mas também e, sobretudo, da novidade e da originalidade de uma inserção e de uma participação destinadas à difusão do Evangelho que salva” (15).
O Papa Leão XIV, em seu primeiro discurso público na sacada da Basílica de São Pedro, logo após sua eleição, também falou sobre o sentido da caminhada sinodal na missão da Igreja com seus mais variados dons. “Queremos ser uma Igreja sinodal, uma Igreja que caminha”, exortou o Pontífice. A Igreja dispõe de diversos dons, cada um com sua particularidade, e todos são fonte de “Comunhão, Participação e Missão” (Relatório Final do Sínodo 2021–2024). Além disso, como ensina São João Paulo II, “o Espírito Santo, ao confiar à Igreja-Comunhão os diversos ministérios, enriquece-a com outros dons e impulsos especiais, chamados carismas” (Christifideles Laici, 24).
Portanto, pode-se observar nas reflexões propostas a partir das diversas orientações do Magistério da Igreja. Enquanto estiver neste mundo o leigo batizado tem a missão de evangelizar, a partir da escuta participativa em comunhão com toda a Igreja e com a sociedade. Nesse caminho, a sinodalidade apresenta-se como um método e um estilo de vida eclesial.
“(...) O sagrado Concílio pede instantemente no Senhor a todos os leigos que respondam com decisão de vontade, ânimo generoso e disponibilidade de coração à voz de Cristo, que nesta hora os convida com maior insistência, e ao impulso do Espírito Santo” (Apostolicam Actuositatem, 32).
Conheça mais sobre a sinodalidade
Leia os textos sobre sinodalidade no site a12.com/sinodalidade.
Igreja, povo de Deus
O Concílio Vaticano II, especialmente pela Lumen Gentium, fundamenta a visão da Igreja como comunhão e inspira o atual Sínodo sobre a Sinodalidade, que busca aplicar essa eclesiologia na vida concreta das comunidades até 2028.
Como viver a sinodalidade na Quaresma?
Um período propício para a prática da sinodalidade é a Quaresma, um momento de reaproximação com Deus em sua infinita misericórdia.
A peregrinação como expressão de sinodalidade
A peregrinação, inspirada pelo Apostólo São Paulo, fortalece a fé, promove a sinodalidade e une milhões de fiéis na caminhada espiritual em Aparecida.
Boleto
Carregando ...
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:
Carregando ...
Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.