Texto por: Julia Silveira - Sob supervisão de Victor Hugo Barros
O Santuário Nacional de Aparecida inaugura no Jardim Norte, a obra internacional do artista Timothy Schmalz, “Homeless Jesus” (em português, Jesus Sem-Teto). A inauguração acontece no sábado (21), após a missa das 18h, marcando o primeiro domingo do tempo da Quaresma.
Já instalada em diversos locais do mundo, a escultura chega agora a Aparecida (SP). Em sua criação, Timothy apresenta uma pessoa em situação de rua como a própria figura de Jesus, convidando-nos a reconhecê-lo na simplicidade e nos mais vulneráveis.
A inspiração para a escultura nasceu de uma experiência pessoal vivida pelo artista. Ele recorda:
“Houve um dia, em especial, que eu estava no centro de Toronto e vi uma pessoa em situação de rua completamente coberta por um cobertor. Era no meio do dia, em uma das ruas mais movimentadas de uma das maiores cidades da América do Norte. Eu vi aquela forma ali, era algo muito triste, muito impactante. E imediatamente senti como se estivesse vendo Jesus”, lembra Schmalz em entrevista exclusiva para Revista de Aparecida.
“Pensei: aquele é Jesus. Eu não conseguia ver se era um homem ou uma mulher, mas foi uma sensação muito forte. Voltei para o meu ateliê e não consegui esquecer aquilo. Então pensei: vou ter que esculpir isso. Comecei a trabalhar na ideia e percebi que, se levantasse um pouco o tecido e colocasse as marcas das feridas nos pés, as pessoas entenderiam que se trata de Jesus”, conta.
O artista conta que quando criou o “Jesus Sem-Teto" pela primeira vez, achou seu trabalho ótimo, no entanto não conseguia encontrar um lugar para essa escultura permanecer. “Ela ficou dentro de uma caixa por um ano. E eu cheguei a dizer: ‘O Jesus Sem-Teto não tem um lar’”, relata. A primeira instalação aconteceu posteriormente, na Universidade de Toronto.
A narrativa do Evangelho materializada
“Os justos então lhe perguntarão: ‘Mas, Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber, estrangeiro e te acolhemos, ou nu e te vestimos, doente ou na prisão e te fomos visitar? Aí o rei responderá: ’Na verdade vos digo: toda vez que fizestes isso a um desses mais pequenos dentre meus irmãos foi a mim que o fizestes!’” (Mt 25,37-40).
O artista faz uma analogia a essa passagem, aproximando a escultura das Escrituras.
“A ideia é muito semelhante ao texto bíblico: há primeiro a ambiguidade, o mistério, e depois a revelação de que é Jesus. Assim, a escultura é muito coerente com a Bíblia. E acredito que ela faz as pessoas pensarem, porque, à primeira vista, você vê apenas uma pessoa em situação de rua. Muitas pessoas até pensam que é alguém de verdade. Só quando se aproximam é que percebem que é Jesus, pelas feridas nos pés”, explica o escultor.
Para Timothy, quando uma pessoa em situação de rua é representada em forma de escultura, ela está sendo elevada a um lugar onde nunca antes esteve, tornando essa uma ação significativa.
“Há uma citação muito interessante sobre isso, de um grande dramaturgo e romancista irlandês, Oscar Wilde. Em seu ensaio “The Decay of Lying”, que trata do poder da arte, ele disse, no fim do século XIX, que as pessoas em Londres não viam a neblina até que os pintores começaram a pintá-la”, contextualiza Schmalz.
Isso remete a visibilidade das pessoas em situação de rua. O artista acredita na forma com que a arte pode auxiliar nesse momento. Para ele “mostra que a arte muitas vezes tem o poder de cristalizar algo em nossa sociedade, de tornar visível aquilo que sempre esteve ali, mas que ninguém realmente enxergava(...) E acredito que o primeiro passo para ajudar as pessoas é justamente essa consciência visível”.
A arte como evangelização global
Do Vaticano a Nova Iorque, de Dublin a Madrid, a escultura “Jesus Sem-Teto” foi instalada em vários locais pelo mundo, antes de chegar a Aparecida. A presença da obra em cidades tão simbólicas levanta uma questão inevitável: o que representa ter uma arte com tamanha projeção internacional?
“Se essa escultura está sendo colocada ao redor do mundo, isso não é tanto um elogio à minha escultura, mas um elogio aos Evangelhos (...) Por isso, acho que o fato de essa escultura estar sendo instalada nesse espaço tão bonito (Santuário Nacional) e em um lugar tão importante e significativo é algo muito coerente”, conta o artista.
“Penso que é maravilhoso que, mesmo sendo um lugar com tanta história, acrescentar uma nova peça, uma nova escultura cristã aqui no ano de 2026, seja também um lembrete de que a Igreja está sempre avançando”, continua.
Trazer a obra para a Casa da Mãe também nos releva um significado. “Ao colocar essa nova escultura — creio que ela será inaugurada neste fim de semana — isso mostra, de maneira muito simbólica, por meio de uma escultura de bronze que permanecerá ali por talvez mais mil anos, a ideia de que precisamos pregar hoje”, explica Schmalz.
“Precisamos continuar pregando onde quer que estejamos — usando a escultura, se necessário, usando qualquer meio necessário. E fico muito, muito feliz por ter uma pequena participação na difusão do Evangelho com o “Jesus Sem-Teto”, reforça.
A caridade como um dos pilares da Quaresma
Durante mensagem do Papa Leão XIV aos fiéis brasileiros por ocasião da Campanha da Fraternidade 2026, o Santo Padre reforça que “neste tempo de intensa oração, somos igualmente convidados a praticar com renovado empenho a virtude da caridade com os mais pobres e necessitados, com os quais o próprio Cristo se identifica (cf. Mt 25,35-40)”.
A fala do Papa ressalta que a caridade não é um gesto opcional, mas parte essencial da vivência quaresmal. Essa mesma compreensão é partilhada por Timothy, que acredita que ajudar os pobres é um dever espiritual: “Por isso Cristo foi tão firme ao dizer que precisamos alimentar os famintos, visitar os doentes, cuidar dos necessitados. Caso contrário, nossa espiritualidade se torna apenas um ornamento”.
Ele finaliza recordando que rezar é essencial. “Mas talvez também devamos ampliar nossa compreensão do que é oração. Fazer sanduíches para pessoas em situação de rua pode ser uma forma de oração. Esculpir uma obra que celebra Jesus pode ser uma forma de oração. A fé precisa sair dos limites estreitos e ganhar o mundo”, finaliza.
Seguindo a mesma linha de pensamento do escultor, o Santuário Nacional constrói histórias, constrói gente. Com o apoio da Família dos Devotos, diversas obras e projetos sociais são mantidos para o cuidado com crianças, jovens, adultos e idosos. Dessa forma, a compreensão do que é oração é ampliada em ações como essas.
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Transmissão do evento
Acompanhe a inauguração da escultura “Jesus Sem-Teto”, logo após a missa das 18h, neste sábado (21/02), pela Rede Aparecida de Comunicação, que transmitirá o momento ao vivo.
Assista a entrevista completa:
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