O Concílio Vaticano II, convocado pelo Papa João XXIII e concluído pelo Papa Paulo VI, foi um tempo de renovação (aggiornamento) e de abertura da Igreja ao mundo moderno, com foco em sua missão, na liturgia, na Bíblia e no papel dos leigos. Um dos documentos primordiais desse período é a Lumen Gentium, a Luz dos Povos, uma reflexão sobre a essência da Igreja Católica Apostólica Romana.
Composto por oito capítulos, o documento descreve os diferentes aspectos da Igreja, explicando os mistérios da Igreja e a ligação entre as esferas eclesiais: ministros ordenados, religiosos(as) e leigos(as).
Retomado em 2021 pelo Papa Francisco, o Sínodo sobre a Sinodalidade está intimamente ligado ao Documento do Vaticano II. “Podemos dizer que a relação entre o processo de sinodalidade e a Constituição Lumen Gentium é direta, pois a sinodalidade é uma atualização prática da eclesiologia do Vaticano II, cuja expressão central está justamente na Lumen Gentium”, pontua Dom Joel Portella, bispo da Diocese de Petrópolis (RJ) e animador do processo sinodal no Brasil.
“Não nos esqueçamos de que a LG (Lumen Gentium) apresenta a Igreja como comunhão e que, portanto, a sinodalidade é o caminho concreto pelo qual a Igreja realiza essa comunhão. Entre as duas, portanto, há uma ligação direta”, completa.
Conforme destaca o prelado, o Sínodo sobre a Sinodalidade está na fase de implantação, ou de aplicação das conclusões, e vai até 2028, quando está prevista uma nova assembleia em Roma para avaliar se as etapas estão sendo aplicadas. O sínodo, de acordo com ele, “versou sobre toda a Igreja, isto é, sobre o modo como, nos nossos dias, a Igreja deve viver a comunhão, o discernimento e a tomada de decisões. Nesse sentido, não foi um sínodo sobre um aspecto pontual, mas sobre a Igreja como um todo, pois a sinodalidade diz respeito a tudo que se faz na Igreja”, relembrou Dom Joel.
O Sínodo sobre a Sinodalidade
Convocado pelo Papa Francisco em 2021, ele foi realizado em etapas com duração de três anos, em fases diocesana, nacional e continental. Outro passo foram as assembleias realizadas em 2023 e 2024. Atualmente, estamos vivendo a fase de implantação do sínodo, que irá até 2028, culminando em uma assembleia em Roma para a avaliação das atividades e realidades.
A vivência do processo sinodal nas comunidades
O documento Lumen Gentium convida os fiéis a participarem da implementação do plano de Deus durante a caminhada terrena, por meio de gestos e ações que podem ser aplicados em nossas rotinas. “O Povo santo de Deus participa também da função profética de Cristo, difundindo o seu testemunho vivo, sobretudo pela vida de fé e de caridade, oferecendo a Deus o sacrifício de louvor, fruto dos lábios que confessam o Seu nome” (cfr. Hb 13,15 – Lumen Gentium, 12).
Em relação aos sinais concretos do processo de sinodalidade nas comunidades, Dom Joel Portella enumera alguns deles a partir do documento final da Assembleia do Sínodo, realizada em 2024. “Organização em pequenas comunidades, com diversos serviços e ministérios, existência e funcionamento dos conselhos de pastoral e administração, transparência da gestão pastoral e de administração e outros exemplos que estão indicados no documento final”, elencou o bispo.
Documento final do Sínodo
Publicado em 2024 com o tema ‘Por uma Igreja Sinodal: comunhão, participação, missão’, o documento sintetiza as reflexões e os debates realizados ao longo de todo o processo, iniciado em 2021. Ele oferece diretrizes para o futuro da Igreja, buscando aprofundar o compromisso com a comunhão, promover uma maior participação e impulsionar a missão confiada ao povo de Deus.
Finalizado na XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, o documento “recolhe os frutos de um caminho marcado pela escuta do Povo de Deus e pelo discernimento dos Pastores. Deixando-se iluminar pelo Espírito Santo, a Igreja inteira foi chamada a ler a sua própria experiência e a identificar os passos a dar para viver a comunhão, realizar a participação e promover a missão que Jesus Cristo lhe confiou”, explicou o Papa Francisco (Nota de acompanhamento de Francisco para o Documento Final do Sínodo).
Mesmo com os encaminhamentos para a Igreja no mundo, o processo de sinodalidade ainda não terminou. Dom Joel Portella estimula as comunidades a continuarem a caminhar. “A expectativa é que não se considere o sínodo como algo acabado. Infelizmente, temos o costume de achar que a vida em geral e também a vida pastoral acontecem de evento em evento. Se acabou a assembleia sinodal de 2024, não temos mais por que falar de sinodalidade. Esse pensamento não é correto. Ele vai contra tudo o que o sínodo nos tem ensinado. A Comissão Nacional e as comissões diocesanas devem ser animadoras da implementação de tudo o que está indicado no documento final”, finaliza.
A Sinodalidade na Assembleia Geral da CNBB
Um dos temas debatidos na 62º Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) é a sinodalidade e sua aplicação prática. Neste ano, o evento acontece entre os dias 15 e 24 de abril, no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP). Até 2028, toda a Igreja caminha para o processo de implementação do relatório final do Sínodo sobre a Sinodalidade. Mas, de forma concreta, como é edificado esse método e conceito na Assembleia Geral?
A dignidade comum dos Batizados à luz da Sinodalidade
Como podemos observar a dignidade comum dos Batizados à luz da Sinodalidade em nossa realidade no Brasil? Para nos ajudar nesta reflexão, a partir do Magistério da Igreja, o presidente da Comissão Episcopal para o Laicato e bispo de Araguaína (TO), Dom Giovane Pereira de Melo, contextualiza o assunto. Leia!
A transmissão da fé na missão permanente da Igreja
A sucessão apostólica garante a transmissão da fé na Igreja, vivida em comunhão e sinodalidade, com os bispos como guardiões da Tradição desde os apóstolos.
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