Revista de Aparecida

Significado e valor espiritual do jejum quaresmal

Escrito por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R.

27 FEV 2026 - 07H52 (Atualizada em 10 MAR 2026 - 08H21)

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O assunto tem muitos aspectos. Aqui abordamos essa prática religiosa enquanto assunto tem muitos aspectos. Aqui abordamos essa prática religiosa enquanto ela motiva mudanças sociais justas.

Simplificando, dizemos: jejum, esmola (caridade) e oração são os três pilares bíblicos que sinalizam o itinerário quaresmal para a Páscoa. Segundo os profetas, e depois o Evangelho anunciado por Jesus, o jejum não devia ser a mera prática de piedade ritual exterior. A rigor, sua finalidade bíblica nem era a ascese, o sacrifício em si. Não era tanto uma renúncia espiritual, mas sim a busca da justiça social em favor dos necessitados e oprimidos.

O Antigo Testamento prescreve apenas um dia de jejum ao ano. Era o “Dia da Expiação”; “Dia do grande perdão”. Ver o livro Levítico 16,29-30. A prática do jejum se impôs na cultura religiosa do povo bíblico. Assinalou momentos fortes de arrependimento, tristeza, busca de salvação física, libertação do perigo, ou recordação dos males do exílio. Jesus fez longo jejum de 40 dias no deserto, antes de iniciar seu ministério público. Mas, ele não endossou o modo de jejuar ensinado pelos fariseus. E defendeu seus discípulos criticados por não observarem os costumes rituais dos jejuns, como faziam os discípulos de João Batista.

Ou seja, tanto os profetas no Antigo Testamento, como Jesus na pregação e convivência, fizeram grandes restrições à multiplicação de dias de jejum. Em teoria, a intenção era agradar a Deus, mas as injustiças sociais continuavam. Não mudavam as pessoas no íntimo, não produziam a verdadeira conversão. Muitos se julgavam bons, com méritos às bênçãos e favores divinos. Até reclamavam de Deus com certa petulância. “Por que jejuar se Tu não o vês; mortificar-nos se Tu não o sabes?” (Is 58,3). A resposta divina foi cortante: “O jejum que Javé quer é: acabar com as prisões injustas, desfazer as correntes da opressão... repartir a comida com o faminto, acolher os indigentes” (Is 58,6).

O jejum público exibia atos religiosos incoerentes ao culto a Deus e aos princípios éticos de justiça social. A fé verdadeira, a conversão sincera nos leva a trilhar o caminho do respeito à pessoa em sua dignidade, e à defesa integral da vida. Hoje, nosso jejum é mais por solidariedade do que por penitência.

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