Em nossos últimos artigos estamos fazendo o exercício de explicar as insígnias episcopais. O escopo desta catequese não é outro, do que nos conduzir ao entendimento dos sinais, símbolos e gestos que nos ajudam a entender a liturgia como espaço de encontro com o Senhor. As vestes litúrgicas, usadas pelos bispos, mais do que indicar o posto que ocupam na hierarquia da Igreja, têm por finalidade primeira elucidar o ministério do qual são revestidos e no Espírito são chamados a colocar a serviço de todo o povo de Deus.
As vestes litúrgicas, utilizadas como sinal de poder, colocam em xeque a proposta que o Senhor faz aos que são chamados a servi-lo, no seu povo, com a doação de suas vidas. Na seara do Senhor somos apenas humildes trabalhadores. Sem termos em Cristo o nosso referencial de doação, fica difícil contribuir, como humildes trabalhadores, com a edificação do seu reino.
Uma veste que não está ligada totalmente à liturgia é o solidéu. O seu nome vem da união de duas palavras soli Deo, que significa somente a Deus. Essa veste é feita de pano e tem o formato de uma calota. O seu uso nos reporta à Idade Média, e tinha por objetivo cobrir a cabeça daqueles que faziam a tonsura clerical. As grandes igrejas de pedra eram lugares belos, mas também gelados. Diante dessa situação, o solidéu, utilizado pelos clérigos, dava uma sensação de conforto e proteção da friagem.
São Carlos Borromeu afirmava no seu tempo, ao referir-se a essa veste, que a cor branca era utilizada pelos papas, o vermelho pelos cardeais, o roxo pelos bispos e o preto pelos clérigos. As reformas encaminhadas pelo Concílio Vaticano II suprimiram a prática da tonsura e, por isso, a prática do uso do solidéu por parte dos padres e diáconos entrou em desuso. Mantiveram apenas o uso para os bispos, cardeais e o papa, não só durante as ações litúrgicas, mas também quando estão revestidos das vestes talares.
Durante as ações litúrgicas o solidéu é utilizado por debaixo da mitra. O mesmo é retirado durante a prece eucarística e retomado após a distribuição da eucaristia e purificação do cálice. Nos momentos de adoração eucarística e da cruz, na Sexta-feira Santa ele também é retirado. O gesto de sua retirada neste momento faz jus ao seu sentido: somente a Deus.
Compreender as vestes litúrgicas e o seu uso durante a oração da Igreja nos ajuda a entender que, na liturgia, nada é por acaso. Cada gesto, símbolo ou palavra tem a sua finalidade e importância, servindo de canais para atingirmos o mistério pascal, que na liturgia somos convidados a celebrar e atualizar, por meio dos ritos e preces.
O nosso coração está em Deus: o sentido da mitra episcopal
O bispo recebe no dia da sua ordenação a mitra. Uma veste litúrgica que recorda que pelo testemunho de sua vida é chamado a revelar a glória do Senhor.
O báculo: um sinal do bispo pastor
O texto explica o significado do báculo episcopal como símbolo do serviço pastoral do bispo, chamado a guiar, cuidar e conduzir o povo de Deus à luz do exemplo de Cristo.
O pálio episcopal, um sinal de serviço
O texto explica o significado do pálio episcopal como símbolo de unidade, serviço pastoral e missão da Igreja, destacando a imposição da insígnia ao novo arcebispo de Aparecida.
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