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Revista de Aparecida

Uma janela aberta para a sinodalidade

Mais de 10 milhões de romeiros visitam Aparecida durante o Ano Santo, reforçando característica sinodal do templo

Escrito por Victor Hugo Barros

30 DEZ 2025 - 07H05

Thiago Leon

O Santuário Nacional acolheu, em 2025, cerca de 10 milhões de peregrinos, vindos de diversas partes do Brasil. O movimento de romeiros, impulsionado pelo Ano Santo, mostrou um rosto ainda mais plural da devoção à Padroeira do Brasil, seja por meio das romarias organizadas em grupo, seja por meio das peregrinações individuais ou em família, expressando de forma concreta uma imagem de sinodalidade para a Igreja.

“O Santuário se expressa como sendo uma janela aberta para a sinodalidade, a Igreja que caminha junto. Ele reúne todos os elementos sinodais e expressa isso de uma maneira muito simples, que tanto as comunidades percebem e repetem o mesmo gesto tanto quanto também os romeiros, os devotos, as pessoas que vêm aqui buscar justamente aquecer a sua fé”, avalia o prefeito de igreja do Santuário Nacional, padre Jorge Américo.

Essa característica dos lugares de peregrinação já havia sido explorada pelo Papa Francisco. Durante encontro com os reitores de santuários, em 11 de novembro de 2023, o pontífice afirmou que “os santuários são lugares de oração, onde se oferece consolo, escuta e misericórdia”. Foi também Bergoglio quem definiu que “uma Igreja sinodal é uma Igreja da escuta: escuta de Deus, na oração; escuta do povo; escuta recíproca entre pastores e fiéis”, como afirmou no Discurso na Comemoração dos 50 anos do Sínodo, em outubro de 2015.

Esta realidade pode ser observada na dinâmica diária de Aparecida. “Os nossos queridos confrades, todos os dias, incansavelmente, dedicam horas e horas ao atendimento das confissões, porque é uma das características de um Santuário: a celebração do sacramento, sobretudo o sacramento da Eucaristia e o sacramento da penitência”, esclarece padre Jorge.

São João Paulo II, “a peregrinação revela a condição do cristão como aquele que caminha rumo ao encontro definitivo com Deus” (Carta aos Reitores de Santuário, 1999). “Caminhamos juntos porque estamos unidos pela Palavra de Deus e pela tradição viva da Igreja”, recordou Bento XVI na homilia na abertura do Sínodo dos Bispos, em 2005.

“O próprio povo é um povo sinodal. Então, as pessoas já conhecem, na própria dinâmica de comunidade, que caminhar juntos é o único e melhor caminho para aquele que é cristão. A romaria, por mais que seja um sinal externo, reflete uma realidade interior muito mais forte, que é o sentido de pertencer a um único corpo, o sentido de estar junto, o sentido de caminhar junto”, completa o prefeito de igreja da Basílica de Aparecida.

Para fortalecer a dinâmica sinodal, o Santuário realiza todos os fins de semana o encontro de coordenadores de romaria. Aberto a todos os responsáveis pelos grupos de peregrinações, o momento acontece aos sábados, após a missa das 9h, e aos domingos, depois da celebração eucarística das 8h, no subsolo do Santuário Nacional. O momento integra o projeto de sinodalidade do Santuário de Aparecida, que pode ser conhecido em A12.com/sinodalidade.

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