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Comportamento

Como aprender a conviver com o luto?

José Augusto Rento Cardoso (Arquivo Pessoal)

Escrito por José Augusto Rento Cardoso

07 MAI 2021 - 10H34 (Atualizada em 07 MAI 2021 - 10H59)

Perder alguém que amamos é um processo doloroso. Muitas vezes essa perda ocorre de forma brusca, sem avisar, e podemos nos sentir injustiçados, perdidos, desesperançados e acreditando que nunca mais voltaremos a viver como era antes.

Nesse tempo particular em que vivemos, muitos são os que vivenciam a perda de alguém amado. A perda de um avô, avó, pai, mãe, tio, amigo, etc. Tantos já se foram vítimas dessa pandemia de Covid-19 e tantos perderam a vida por outros motivos. De qualquer forma, diante dessa dor, vamos vivenciar um processo de luto.

Chamo de processo pois é importante reconhecer que o luto é algo que deve ser vivenciado e que possui etapas. Por mais que haja sofrimento, não viver o luto, fugir dele, tende a trazer mais dificuldades futuras, enquanto passar por ele pode nos ajudar a encontrar um sentido para o sofrimento e, posteriormente, crescer e amadurecer com essa situação.

Leia MaisTer medo da morte é pecado?O luto possui 5 estágios (Kubler-Ross, 2005) :

1. Negação e isolamento – A pessoa tenta, de alguma forma, se esconder e não confrontar a situação.

2. RaivaQuando, de alguma forma, se apresenta a revolta contra aquele acontecimento. Surge a experiência de injustiça e de que ninguém compreende o que você está passando.

3. Barganha – A pessoa tenta, de alguma forma, negociar com a dor, ou mesmo com a possibilidade da perda.

4. Depressão – A pessoa fica mais quieta, podendo ocorrer, quando o processo está sendo bem elaborado, uma reflexão sobre todo o ocorrido e sobre o que a vida lhe diz com essa perda.

5. Aceitação – Quando a perda é, de alguma forma, compreendida e a pessoa dá passos para além do seu sofrimento.

fizkes/ Shutterstock
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Todos esses estágios podem ocorrer de forma muito rápida e, nem sempre, na mesma ordem. Cada pessoa é um mistério e a forma de vivenciar a dor passa por seu histórico de vida, pela relação com seu ente querido, por outros acontecimentos concomitantes e pela rede de suporte que ela receberá.

Entretanto, é possível vivenciar um luto e superá-lo. Algumas vezes, é importante que você recorra a um profissional de saúde mental para ajudá-lo, mas outros aspectos podem contribuir para sua melhoraPor mais que inicialmente queiramos o isolamento e a fuga da dor, é importante que, aos poucos, possamos retomar a convivência com amigos e pessoas que podem nos ajudar a superar essa perda.

Leia MaisMensagem de esperança diante da pandemia!Vivenciar o luto também nos permite olhar para a vida. Olhar para como conduzimos nossos comportamentos e mesmo questionar qual o sentido de nossa vida. Viktor Frankl (1905-1997), afirma que mesmo no sofrimento somos capazes de encontrar sentido para nossa vida e, a partir dele, crescer enquanto pessoa.

A religiosidade também pode ser um fator importante na superação do luto. Acima de tudo, a esperança da vida eterna ou do reencontro em algum momento após essa etapa que aqui trilhamos. Gosto sempre de refletir que o tempo em que vivemos aqui é muito curto para amar alguém e, por isso, Deus nos dá a certeza da eternidade, pois lá, continuaremos amando aqueles a quem nos foi dado a dádiva de encontrar enquanto caminhando nesse mundo.

Mesmo no sofrimento, é possível encontrar um sentido para vida, talvez o mais poderoso de todos.

:: O que achou da reflexão? Tem algum testemunho para contar?
Comente aqui embaixo. (E tenha força! Você não está só!)

Escrito por
José Augusto Rento Cardoso (Arquivo Pessoal)
José Augusto Rento Cardoso

José Augusto Rento Cardoso é natural de Petrópolis (RJ). Casado, pai de três filhos, membro do Movimento de Vida Cristã e coordenador do Projeto Reconciliatio Psicologia Integral. É graduado em Psicologia, mestre em História e Filosofia da Psicologia e Pós-graduado em Psicologia Positiva e em Logoterapia e Análise Existencial. Atua nas áreas da Psicologia Clínica e Psicologia Jurídica.

CRP 05/42118

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