Por Rede Aparecida de Comunicação Em Notícias Atualizada em 23 NOV 2018 - 15H58

Dia da Consciência Negra: a realidade do negro no Brasil


Em 20 de novembro comemora-se o dia da Consciência Negra, momento para a sociedade brasileira tomar noção da dimensão e o peso dos negros na trajetória no país. A Rede Aparecida de Rádio transmite pela Rádio Aparecida e Rádio POP o especial “Realidade do negro no Brasil”, em cinco reportagens produzidas pela jornalista Carolina Barros no Notícias em 30, às 7h e no Jornal Regional, às 11h.

Onde tudo começou

A chegada dos negros no Brasil, vindos da África, começou no inicio do século XVI e continuou até o século XIX. Os africanos que vieram, chegaram escravizados pela política da Europa, que impôs ao continente africano a exploração da mão-de-obra simplesmente pela cor da pele. No Brasil, esse uso inapropriado de recursos humanos apenas pelo tom da pele perdurou por 350 anos.

A força braçal dos negros construiu o Brasil que conhecemos: na lavoura, na construção de igrejas, casas, calçamentos, em todo o contexto do país se tem a mão negra como origem. Como forma de se rebelar, os movimentos negros surgiram ainda de forma precária e clandestina. Nesse contexto, uma das figuras mais conhecidas é Zumbi dos Palmares, líder do quilombo dos Palmares.

Os quilombos ainda resistem no século XXI. Um levantamento da Fundação Cultural Palmares do Ministério da Cultura mapeou 3.524 dessas comunidades em todos os estados brasileiros. Um dos quilombos famosos é a associação remanescente do Quilombo Kimbundu do Cafundó, comunidade centenária que fica localizada em Salto de Pirapora, a 150km de Campinas (SP). O grupo conta com um pouco mais de 100 pessoas e luta para preservar a cultura de seus ancestrais, ex-escravos que fundaram o local em 1888. Campinas, historicamente, foi a última cidade a aderir ao Decreto Real assinado pela Princesa Isabel, em 13 de maio de 1888.

Luta pós-escravidão

Após o fim da escravidão, a luta pela vida, direitos e igualdade teve início e ainda perdura, mesmo após 130 anos de abolição da escravatura. o fato é que essa luta ainda tem muito chão para ser percorrido.

É preciso começar pela educação. Especialistas na luta pela causa negra apontam que o contato intercultural é um meio de educar. O protagonismo negro é esquecido pelas escolas quando é passada a história da escravidão.

O que podemos evidenciar dessa luta para a sociedade? Quando eles conseguiram a liberdade da escravidão de forma oficial, a marginalização dos negros veio à tona. A professora Efigênia Augusta de Freitas, pós-graduada em História da África e Cultura Brasileira, traz sua visão no segundo dia de reportagem do especial:


Negros e a oportunidade escolar escassa


Analise seu dia a dia e se questione:

- quantos médicos negros você conhece?

- quantos professores negros em universidade você já viu?

- quantos negros ocupam uma cadeira na política ou ocupam lugares de destaque nas grandes empresas e industrias no pais?

São poucos.

O acesso à educação é ainda mais complicado para os negros. O movimento Todos pela Educação afirma que, no terceiro ano do ensino médio, a diferença entre brancos e negros é grande: O percentuais revelam 38% dos brancos, 21% dos pardos e apenas 20,3% dos pretos têm o aprendizado adequado em português. Em matemática, 15,1% dos brancos; 5,8% dos pardos e 4,3% dos negros têm o desempenho satisfatório.

A luta iniciou-se nos anos 40, quando o direito à educação era escasso e muitas vezes negado. No final do século passado, as cotas foram introduzidas para que, por lei, fossem oferecidas condições iguais aos negros.

Felizmente, existem alguns poucos exemplos de jovens que conseguiram driblar as dificuldades e falta de oportunidades para conseguir um espaço na sociedade, como o jovem João Costa, de 24 anos, morador de uma comunidade quilombola em Simão Dias, no interior do estado do Sergipe.

De família carente de 11 filhos, de pais lavradores, e sem expectativa de estudo e de trabalho, João lutou, e muito, para conseguir seu espaço. Teve também muita força de vontade em não deixar-se abater pelas condições que a vida oferecia. João se formou médico generalista na Universidade Federal de Sergipe (UFS), pelo sistema de cotas. Na comunidade em que ele nasceu, os jovens não terminam o ensino médio e muito menos conseguem ingressar no ensino superior.

Ouça depoimento de João:

 
Preconceito contra mulheres negras é rebatido com empoderamento


Desdém, ser taxada como incapaz intelectualmente, inferior, ter cabelo feio, ser bonita 'apesar' de negra
. Essas são algumas das coisas que mulheres negras aturam diariamente. O dia-a-dia da mulher negra no Brasil é maquiado de uma falsa impressão.

Essa história começa a mudar a partir do momento em que ela própria se assume negra, mas sabendo que, ainda assim, é o caminho mais difícil. E é preciso enfrentar, principalmente em relação ao mercado de trabalho, que barra mulheres e homens negros com a mesma formação de pessoas brancas.

A sociedade é masculinizada, machista e patriarcal. O crescimento do empoderamento da mulher negra ainda não foi descoberto por essa faixa da sociedade, muito por conta do pouco acesso à educação de qualidade que a mulher negra tem e que, sem dúvida, tem um papel de peso nesse processo de se destacar, de se impor, de assumir a sua origem.

Nessa trajetória, chegamos aos dias atuais de evidência ao empoderamento feminino e a valorização da origem negra. A partir do ano 2000, as mulheres assumiram seu cabelo e suas vestes com a ajuda da mídia e - muito felizmente - é um caminho sem volta, mas um percurso longo.

Ouça depoimento de mulheres e da jornalista da TV Cultura, Joyce Ribeiro:

“Acredito na liberdade para todos, não apenas para os negros”

Essa frase de Bob Marley é destaque desse último dia de especial sobre os negros. “Como podemos constatar pelo dia a dia e relato de especialistas e personagens que conversaram conosco durante esse especial, a cultura escravista e os resquícios da segregação racial continuam enraizados na nossa sociedade e, por mais que muitas pessoas se neguem a enxergar, viver o preconceito e a extrema diferença de oportunidade é a realidade dos negros até hoje”, conclui Carolina Barros, jornalista responsável pelas reportagens.

Hoje, a abordagem é sobre os negros que tem destaque na sociedade e os que estão na política. Muitos exemplos podem ser citados na música, nos esportes, nas artes, tanto aqui no Brasil quanto em outros países, como Martin Luther King Jr., Nelson Mandela, Machado de Assis, Pixinguinha e Zumbi dos Palmares, entre outros que ficaram conhecidos pela defesa de direitos e igualdade aos negros.

No Brasil, 54% da população se autodeclara negra, então como não encontramos mais negros em locais de destaque? Mais uma vez, a educação é citada como base do preconceito, da exclusão, o não acesso a educação. Isso se deve, então, à baixa escolaridade que lhes foi imposta.

Um dos mais importantes pesquisadores sobre a questão do negro no Brasil, o professor Kabengele Munanga, que também é e um dos militantes intelectuais para o inicio das politicas afirmativas para os negros, conta um pouco da sua trajetória vindo da África e afirma que, se tivesse nascido negro no Brasil, teria poucas chances de chegar à posição em que ele se encontra agora.

Jeferson Lesbão é um exemplo de destaque dos negros na sociedade. Estudante de informática, área que gosta desde criança, foi seguindo seu dom e traçou seu caminho até chegar hoje à sua maior conquista: ter sido contratado para trabalhar no Facebook.

Ouça depoimento de ambas figuras emblemáticas:

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