Brasil

As Eleições à luz da Doutrina Social da Igreja

Fr. Rafael Peres Nunes de Lima C.Ss.R. (Arquivo Pessoal)

Escrito por Fr. Rafael Peres Nunes de Lima, C.Ss.R.

09 SET 2022 - 09H29 (Atualizada em 09 SET 2022 - 10H06)

Reprodução/ CNBB

“A Igreja caminha com toda a humanidade ao longo das estradas da história.” (DSI 18). No cenário político brasileiro atual, onde vemos uma luta ideológica que divide a população e, com isso, acaba se esquecendo daquilo que é essencial para todos - a solidariedade, humildade e principalmente o cuidado com o outro - e que deveriam ser os pontos principais de cada candidato, a Igreja, enquanto acompanha a humanidade nos caminhos da história, busca mostrar aquilo que se deve realizar para que todos possam ter dignidade e viver numa sociedade mais justa, à luz do Evangelho.

Todo cristão deveria ter em mente o conhecimento da Doutrina Social da Igreja (DSI), ou seja, aquilo que a Igreja aponta para todos aqueles que seguem seus ensinamentos, e neste caso, sobre a sociedade. Com isso, a DSI é o ponto de partida para realizarmos uma reflexão e também uma análise do cenário político nacional e daqueles candidatos à presidência da República.

“Dentre as multíplices implicações do bem comum, assume particular importância o princípio da destinação universal dos bens” (DSI 171). A Igreja aponta cinco pontos principais, e é a partir deles que os cristãos devem estar atentos nos projetos políticos propostos pelos candidatos.

Leia MaisO que a Doutrina Social da Igreja nos ensina sobre Políticas Públicas?Os 4 princípios da Doutrina Social da Igreja CatólicaO primeiro ponto é a questão da destinação universal dos bens, ou seja, toda humanidade tem o direito, por mandato divino, ao uso de todos os bens criados.

Sendo assim, é preciso que haja uma equitatividade entre todos, isto é, uma distribuição igual dos bens naturais, já que a Terra, nossa Casa Comum, é de todos e para todos.

O segundo ponto é o princípio da subsidiariedade, ou seja, a proteção da pessoa humana dos abusos causados por instâncias do Estado, do poder público que, ao invés de apoiar e ajudar a pessoa, acabam por criar burocracias que dificultam o acesso do cidadão à ajuda do Estado.

O candidato deve estar atento para a ajuda aos mais pobres e necessitados, não criando burocracias estatais para o acesso à ajuda, mas favorecendo e facilitando o acesso à tais projetos sociais.

“O princípio de subsidiariedade protege as pessoas dos abusos das instâncias sociais superiores e solicita estas últimas a ajudar os indivíduos e os corpos intermédios a desempenhar as próprias funções. Este princípio impõe-se porque cada pessoa, família e corpo intermédio tem algo de original para oferecer à comunidade.” (DSI 187)

O terceiro e o quarto pontos da DSI são a solidariedade e o bem comum. “A solidariedade confere particular relevo à intrínseca sociabilidade da pessoa humana, à igualdade de todos em dignidade e direitos, ao caminho comum dos homens e dos povos para uma unidade cada vez mais convicta.” (DSI 192).

O candidato ao poder Executivo do País deve se atentar à solidariedade e ao bem comum de todos os brasileiros e, assim, primar por uma política que não favoreça uma classe social, mas todos os cidadãos; prezar pela Constituição e, principalmente, pelos pontos que valorizam o direito aos elementos fundamentais à vida. O presidenciável deve atentar-se principalmente ao bem-estar daquelas pessoas que hoje sofrem o descaso, o abandono do Estado, e ali exercer o seu mandato.

Somente com esses pontos, o quinto e último ponto poderá ser colocado em prática. A dignidade do ser humano depende do seu bem-estar social, e principalmente de condições dignas para a sua sobrevivência. Logo, o cristão deve estar atento às propostas eleitorais e analisá-las ao ponto de perceber intrinsicamente nelas os pontos da DSI. 

Somente assim poderemos encontrar em determinado candidato uma figura que deva receber um voto de confiança para liderar a nação.

Confira também o programa "Diálogos: qual caminho seguir", da TV Aparecida, que abordou o tema da DSI:


Escrito por
Fr. Rafael Peres Nunes de Lima C.Ss.R. (Arquivo Pessoal)
Fr. Rafael Peres Nunes de Lima, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Bacharel em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e estudante de Teologia no Instituto São Paulo de Estudos Superiores – ITESP.

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