Brasil

Conhecereis a verdade... qual verdade?

Padre José Raimundo Vidigal, C.Ss.R. (Arquivo pessoal)

Escrito por Pe. José Raimundo Vidigal, C.Ss.R.

13 SET 2022 - 16H47 (Atualizada em 14 SET 2022 - 07H46)

Em setembro, mês da Bíblia, nós católicos centramos nossa reflexão na Palavra de Deus, para que sempre mais ilumine nossa caminhada. Nós a lemos com o maior respeito, sem deturpá-la com interpretações equivocadas, deixando-nos guiar pela Igreja, porque “a autêntica hermenêutica da Bíblia só pode ser feita na fé eclesial" (Exortação Apostólica Verbum Domini, n. 29).

Por isso, protestamos contra o uso deturpado que tem sido feito de passagens bíblicas em nosso contexto político. Um exemplo claro é a repetida frase de Jesus: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (Jo 8,32). Dá vontade de perguntar como Pilatos: Qual verdade? A sua?

Se quero me apoiar em Jo 8,32, preciso assumir o compromisso de sempre dizer a verdade. É isto que acontece? Somos bombardeados com tantas mentiras, que fica difícil saber onde está a verdade. O pior é que muita gente espalha o joio, pensando que a fonte é limpa.

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O cristão católico repudia o uso do Nome de Deus e da Sua Palavra totalmente fora do contexto e sem nenhum apoio na interpretação correta, para justificar ideias absurdas, como dizer que "Jesus compraria arma de fogo se no tempo dele houvesse".

Vejamos dois lugares do Evangelho: Quando Jesus diz que não veio trazer a paz e sim a espada (cf. Mt 10,34), no texto paralelo de Lucas (12,51), em vez de “espada”, está “divisão”.

Portanto, usou linguagem figurada: não falava de armas, e sim de tensões que seu ministério ia provocar, sendo "ruína para uns, ressurreição para outros", como profetizara o velho Simeão em Lc 2,34.

Antes de ser preso, mandou vender a capa e comprar espada (Lc 22,36). Mas a continuação do diálogo esclarece que também falava usando imagens: avisava que “tempos perigosos viriam sobre os Apóstolos como sobre Ele próprio e que eles precisavam de coragem para enfrentá-los”.

Essa é a explicação dos estudiosos, confirmada pela sequência da história. Usando sua espada, Pedro corta a orelha de um soldado e é repreendido por Jesus: “Embainha tua espada; pois todos os que lançam mão da espada pela espada perecerão” (Mt 26,52). Seria uma contradição, Aquele que pregou o amor até aos inimigos, montar um grupo armado.

 O sentido das palavras divinas nem sempre é o literal, mas sim aquele que o autor sagrado desejou transmitir. Será que alguém já cortou sua mão ao ler a palavra de Jesus em Mt 5,29: Se tua mão te escandaliza, corta-a”? A exortação não seria, antes, para cortar todo tipo de relacionamento pecaminoso? A leitura fundamentalista, que toma toda palavra no seu sentido literal, não leva em conta o modo humano de falar.

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Escrito por
Padre José Raimundo Vidigal, C.Ss.R. (Arquivo pessoal)
Pe. José Raimundo Vidigal, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, diplomado em Teologia e em Ciências Bíblicas por Universidades de Roma e de Jerusalém. É o tradutor da Bíblia de Aparecida.

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