Por Redação A12 Em Brasil

Diálogo e respeito são chaves para uma boa relação familiar

A falta de diálogo é um problema comum nas famílias pós-modernas e tem provocado muitos desentendimentos entre pais, filhos e cônjuges. 

A psicóloga, Heloisa Fleury, fala com o Portal A12 sobre o tema e afirma que uma comunicação saudável acontece quando os pais valorizam estar com os filhos, conversam sobre tudo e criam oportunidades para isso, sempre que possível.

Heloisa passa informações preciosas que ajudam a entender e solucionar a falta de diálogo familiar; detalha como as brigas de casal podem influenciar no comportamento dos filhos e revela que fatores como excesso de trabalho ou falta de dinheiro não podem ser usados como desculpa para a falta de diálogo. “A comunicação precisa ser praticada para ser eficaz”, justifica.

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Foto: Arquivo Pessoal

Portal A12 - A falta de diálogo é algo comum nas famílias modernas?

Heloisa Fleury – Tem sido uma tendência cada vez maior. Uma comunicação saudável acontece quando os pais valorizam estar com os filhos, conversam sobre tudo e criam oportunidades, sempre que possível, para isso. A comunicação precisa ser praticada para ser eficaz. Quando não há atividades compartilhadas, há falta de tempo para conversas frequentes, os filhos têm dificuldade para desenvolver habilidades interpessoais e fortalecer a confiança – acabam ficando com a impressão de que conversar sobre algo mais difícil é trabalhoso e com pouca chance de dar certo. Acaba sendo mais fácil resolver problemas na internet e nas redes sociais. No entanto, comunicação e responsabilidade afetiva são as principais condições para um funcionamento familiar saudável e mais ainda para o desenvolvimento da autoestima dos filhos, principalmente na adolescência.

A12 – Quais os principais fatores externos e internos que levam à falta de diálogo e tolerância entre familiares?

Heloisa – Interromper os filhos quando eles tentam explicar algo, continuamente lembrar problemas que já foram resolvidos no passado, tentativas contínuas de controlar comportamentos através da indução de culpa, menosprezar os sentimentos dos filhos, reclamar ou dar sermão. Esses comportamentos tendem a gerar ressentimento, desconfiança e uma posição de defesa no filho, que pode parar de tentar comunicar-se com seus pais.

A12 – Em se tratando de família, no caso de pais e filhos, até onde é possível respeitar as opiniões contrárias?

Heloisa – Todas as opiniões contrárias que não impliquem em perigo para o filho devem ser respeitadas, mas sempre com a oportunidade de análise de diferentes pontos de vista. Sempre que possível, os pais devem colocar na conversa o que eles pensam sobre o assunto e discutir as diferenças. Filhos que têm um bom diálogo com os pais costumam ter mais facilidade para examinar uma questão de diferentes formas. Havendo esse clima de liberdade para expressar pensamentos e ideias e conversar sobre tudo (respeito pelas opiniões), há condições que permitem não aceitar qualquer atitude que coloque o filho ou alguém em risco.

A12 – De que modo as brigas e desentendimentos entre cônjuges podem recair na educação dos filhos?

Heloisa – Uma briga ou um desentendimento ocasional e que é enfrentado no diálogo será a melhor maneira de ajudar os filhos a aprender a dialogar. Por outro lado, brigas constantes podem dar aos filhos uma mensagem de que conflitos são insolúveis.

A12 – E no caso da relação pais e filhos, como estabelecer limites para que haja respeito mútuo?

Heloisa – O respeito mútuo depende muito da capacidade de ouvir, que deve ser praticada regularmente. Aprender a ouvir e praticar isso são partes cruciais da comunicação bem-sucedida entre pais e filhos. É fácil se distrair com outras atividades, como o jantar, que exige atenção, restando menos atenção à conversa. Isso não é propício para uma comunicação eficaz. Ouvir é uma habilidade que deve ser praticada regularmente.

A12 – No caso de pais e mães que trabalham fora, como é possível fazer para não faltar diálogo e compreensão?

Heloisa – Mesmo com pouco tempo, comunicação é chave para tudo e sempre será o primeiro passo para encontrar soluções. Diante de qualquer preocupação, deve ficar calmo e ser honesto sobre as preocupações. Muitas vezes são os pais que se sentem sem disposição para lidar com as questões que percebem em casa, por já ter problemas demais no trabalho. Essa atitude leva a aumentar a dificuldade para conversar. Precisam divertir-se juntos – mesmo quando as coisas estão difíceis, é importante encontrar tempo para se divertir – e conversar levemente. Assim fica mais fácil falar sobre coisas mais difíceis. Pesquisas sugerem pelo menos três refeições por semana com todos juntos para aprenderem a conversar, brincar etc.

A12 – Até que ponto a falta de dinheiro pode interferir no bom relacionamento entre os membros da família?

Heloisa – Se a família está tendo problemas financeiros, os filhos não devem ser poupados, mas convidados a participar do planejamento de estratégias ou a criar um orçamento. Os pais precisam estar conscientes das próprias dificuldades para lidar com a falta de dinheiro ou qualquer outro problema porque, no geral, a dificuldade é dos adultos. Procura-se poupar os filhos – poupando eles mesmos de assumirem a realidade, gerando as dificuldades. Ou seja, não é a dificuldade com a falta de dinheiro que leva aos problemas, mas a forma como os pais enfrentam esse problema ou outro qualquer.

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