O curso d’água do rio Paraíba do Sul banha parte dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, sendo o principal rio desse estado, e Minas Gerais, atravessando a destacada região do Vale que leva seu nome e que no passado teve seu desenvolvimento impulsionado pelo café, pela produção leiteira e pelos imensos arrozais.
A nascente do rio Paraíba do Sul localiza-se no município de Areias (SP), sendo formada pela confluência dos rios Paraitinga e Paraibuna. Considerando sua nascente mais afastada da foz, o Rio Paraíba do Sul nasce na serra da Bocaina, no município de Areias, no estado de São Paulo, com o nome de rio Paraitinga, recebendo o nome rio Paraíba do Sul na confluência com o Paraibuna.
Mesmo nascendo tão pequeno, o rio segue um percurso de 1.137 km, desde a nascente no Nordeste Paulista, até sua foz em Atafona, em São João da Barra, no Norte Fluminense. Sua bacia abrange uma área total de cerca de 56,5 mil km², banhando 88 municípios em Minas Gerais, 57 no Rio de Janeiro e 39 em São Paulo.
Na origem, o Vale do Paraíba era coberto quase totalmente pela vegetação da Mata Atlântica, hoje restrita a parques e reservas florestais, mas em processo de recuperação, sobretudo, nos altos da Serra da Mantiqueira.
Na modernidade, o rio tem seu curso marcado por sucessivas represas, destinadas à provisão de água e eletricidade para as populações da bacia e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Por essa razão, o rio encontra-se hoje em estado ecológico crítico, com margens assoreadas e 40% da sua vazão desviada para o rio Guandu. Suas águas também são utilizadas para abastecimento industrial, preservação da flora e da fauna e disposição final de esgotos.
Rio Paraíba do Sul
Os estudos arqueológicos demonstram a grande importância do Rio Paraíba para as comunidades indígenas que habitavam o Vale, existindo diversos registros de sambaquis (depósitos arqueológicos subterrâneos), principalmente na parte fluminense, além de inúmeros sítios habitados por comunidades indígenas que praticavam a cerâmica.
A chegada dos europeus provocou uma miscigenação intensa, ocasionando também a fusão das tradições africana, europeia e indígena que ainda marca a cultura local.
A exploração agropecuária que acontecia desde a época colonial, ajudou no processo de desenvolvimento da economia do Vale pela criação de animais domésticos e depois do gado, feito em maior escala. Aos poucos, na região também entrou a plantação da cana-de-açúcar até que, no século XIX, veio a produção do café em larga escala, o que vai proporcionar o desenvolvimento de várias vilas, hoje transformadas em cidades, e a introdução do transporte ferroviário.
Antes da cultura do café migrar para outras regiões como Campinas, Oeste Paulista e Norte do Paraná, ele foi o responsável pelo grande prestígio que a região ganhou, sendo incluída no conjunto da política nacional, quando o poder maior estava concentrado nas mãos dos poderosos latifundiários, os Barões do Café, e o cenário nacional era marcado pela política do “café com leite”, com o poder se revezando entre os estados de São Paulo (Café) e Minas Gerais (Leite).
A estátua de Dom Pedro I proclamando a independência do Brasil
A importância estratégica do Vale, não apenas pela sua localização geográfica, mas pela força de sua economia, explica, por exemplo, a viagem a cavalo de Dom Pedro I, em 1822, quando se dirigia a Santos e depois a São Paulo, onde viria a “proclamar” a independência do Brasil. O imperador passou pelo Vale, numa viagem de 14 dias, que na verdade foi em “lombo de burro”, para cooptar os fazendeiros do café a favor de seu movimento.
Com o impulso do crescimento econômico do século XIX, o Vale acumulou grande riqueza que possibilitou a construção de sua infraestrutura e o início da industrialização acelerada com a ferrovia e, mais tarde, com a inauguração da Rio-São Paulo, atual Rodovia Presidente Dutra ligando as duas maiores cidades do país. Já no ocaso da Segunda Guerra Mundial, viria a construção da Companhia Siderúrgica Nacional de Volta Redonda – RJ (CSN).
Com população de 2,5 milhões de habitantes, incluindo o Litoral norte de São Paulo, a região metropolitana do Vale do Paraíba foi criada em 2012, pelo fato de a região ser de extrema importância como polo tecnológico, industrial e educacional.
A cultura do Vale do Paraíba tem forte expressão em seu folclore, crônicas e lendas, tão bem expressa na literatura de escritores como Monteiro Lobato e os personagens por ele criados. Os acervos culturais e monumentos arquitetônicos retratam cada período de transformação da região, mostrando que a riqueza do Vale não é apenas material, mas também oral, como é fortemente percebido nas recordações de costumes, da culinária e da sabedoria popular.
A região do atual Município de Guaratinguetá era ponto de passagem obrigatório para quem se dirigia à Província das Minas Gerais, sobretudo depois da descoberta do ouro em suas terras. Ao longo do rio existiam as cabanas de pescadores e de famílias que se dedicavam ao cultivo do solo nas lavouras de subsistência.
No mês de outubro de 1717, passaria por Guaratinguetá o senhor Pedro de Almeida e Portugal, conhecido pelo título de Conde de Assumar, que estava se dirigindo a Vila Rica, capital da Província das Gerais, designado que fora para o governo das províncias de Minas e São Paulo. Ela por ali passaria a fim de recolher sua “mudança” deixada em Paraty, para ser transportada a Guaratinguetá. As autoridades não perderam tempo e, desejando ganhar as “boas graças” do governador, decidiram oferecer-lhe um banquete com os frutos da região, entre os quais estaria o peixe do Rio Paraíba.
Mesmo não sendo época propícia para isso, pois o rio estava baixo, com pouca água, os pescadores foram chamados para fornecer o peixe para o banquete do governador. Entre eles estavam Felipe Pedroso, João Alves e Domingos Garcia.
A partir deste ponto, o rio e o seu Vale entraram para a história a partir do instante em que um dos pescadores tirou das águas que corriam na região do atual Porto Itaguaçu o corpo mutilado de uma pequena imagem, logo reconhecida como a de Nossa Senhora da Conceição. Mesmo estando o barro enegrecido pelo tempo, a imagem ainda trazia sinais da pintura original em púrpura e azul.
A bendita curva do rio, cantada em verso e prosa, definitivamente ligou a história da Rainha e Padroeira do Brasil ao rio e ao seu Vale conhecido hoje no Brasil e no mundo.
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