Sinodalidade

Missão digital e sinodalidade: evangelizar também nas redes

Missionários Digitais refletem sobre o anúncio do Evangelho na internet, a escuta dos jovens e o papel das redes sociais na vida da Igreja.

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Escrito por Luciana Gianesini

27 MAI 2026 - 09H53 (Atualizada em 27 MAI 2026 - 12H26)

Reprodução Instagram/ Montagem A12

A internet se tornou um dos principais espaços de convivência da atualidade. Nela, pessoas se informam, constroem relacionamentos, compartilham experiências e buscam respostas para suas inquietações. Diante dessa realidade, a evangelização também é chamada a ocupar esse ambiente, transformando as redes sociais em espaços de encontro com Cristo.

Para o missionário digital Alexandre Varela, a Igreja demorou a perceber a internet como um verdadeiro território de missão.

"A gente passou pelo menos uma década ignorando a internet como um lugar. A gente achou que a internet era algo que as pessoas usavam. Quando aquilo virou lugar, aí a internet passou a ter um efeito muito maior sobre o que a pessoa faz, pensa, sobre como ela se forma. E aí faltou a gente estar com mais força nesse lugar."

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Essa presença, porém, não significa apenas acompanhar tendências. Segundo Math, o desafio é unir linguagem atual e profundidade na evangelização.

"A gente tem que, sim, lutar para, cada vez mais, a Igreja estar nos lugares das trends, a Igreja estar no lugar que viraliza, a Igreja ser os conteúdos que viralizam. Mas não parar só nisso. A gente precisa encontrar esse meio-termo onde a gente consegue evangelizar e também encontrar um ambiente seguro, onde o jovem vai conseguir receber conteúdos mais densos sem descaracterizar a mensagem."

O que diferencia um missionário digital?

Um dos temas abordados é a identidade dos Missionários Digitais e sua missão específica dentro da Igreja.

Alexandre Varela explica que a diferença entre um influenciador católico e um missionário digital está no propósito da comunicação.

"O missionário digital é aquele que está na internet sendo missionário, ou seja, é aquele que fala do catolicismo, que dá catequese online, que vai nutrir espiritualmente as pessoas a partir da Igreja Católica."

Já para Math o que diferencia um influenciador de um missionário é o apostolado, produzir conteúdo para as redes sociais e com o intuito de evangelizar. 

A missão digital, segundo Varela, representa uma nova forma de anunciar o Evangelho em um ambiente que ainda está sendo desbravado pela Igreja. Ele reforça essa ideia ao recordar o Jubileu dos Missionários Digitais e Influencers Católicos que aconteceu em 2025, em Roma, e manifestou a força dessa missão para a Igreja.

"A gente está fazendo história. A gente está desbravando toda uma nova forma de ser missionário, que nunca houve, porque é uma tecnologia nova. E finalmente agora a Igreja nos diz que nós somos úteis, que nós temos utilidade para trabalhar na vinha do Senhor."

Escutar para caminhar juntos

A relação entre missão digital e sinodalidade aparece de forma especial quando o assunto é a escuta dos jovens e dos chamados "nativos digitais".

Para Math, a evangelização digital também passa pelo sentimento de pertencimento e pela capacidade de os jovens se reconhecerem dentro da Igreja.

"A Igreja será jovem quando o jovem for à Igreja. Então, a gente precisa que o jovem olhe e se identifique. Se não tiver jovem para ele se identificar, a gente vai ficar constantemente tendo esse problema."

Segundo Varela, a própria Igreja reconhece o potencial dos missionários digitais para alcançar pessoas que nem sempre participam dos espaços tradicionais de consulta e diálogo.

"A Santa Sé olha para os missionários digitais justamente como aqueles que podem ouvir os nativos digitais, aquelas pessoas que estão na internet. (...) Então, a missão digital hoje é absolutamente conectada à sinodalidade."

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Para Paulo César, a sinodalidade também passa pelo testemunho cotidiano e pela coerência entre fé e vida.

"Eu acredito que o nosso testemunho é a base para que a gente possa ser um cristão alinhado ao sínodo, alinhado ao que a Igreja fala. (...) Comunicar não é só dizer alguma coisa, é saber como dizer alguma coisa a quem está ouvindo isso."

Math destaca que a disposição para ouvir é um dos sinais mais concretos do caminho sinodal vivido pela Igreja.

"Esse ambiente sinodal é quando eu falo, mas eu também ouço. E quem me ouve também fala."

Ao refletir sobre a diversidade de expressões presentes na vida da Igreja, ele conclui:

"Quando a gente entende que todo mundo faz parte de uma Igreja, parece que a gente faz: 'Ah, tá, isso que a Igreja quer quando fala que quer ser sinodal'. Onde todo mundo tem lugar."

Confira o vídeo completo:

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