Falamos aqui a respeito da dramática realidade do suicídio entre os profissionais da saúde, especificamente entre os profissionais médicos, em formação ou recém-formados. Esta problemática tem despertado preocupação em muitas partes do mundo e procura-se dar uma resposta à situação. Vejamos alguns dados preliminares a respeito do suicídio no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Estamos sempre diante de dramas pessoais e familiares que comovem e impressionam as pessoas. Para quem passou pela experiência de uma tentativa e se “salvou”, ou sobreviveu a ela sendo um amigo ou parente próximo, as marcas para o resto da vida são indeléveis.
O suicídio é um drama mundial que não escolhe cultura, classe social, gênero ou idade. Segundo a OMS, cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida anualmente em todo o mundo, com uma morte a cada 40 segundos. Neste ranking mundial, a Índia, com uma população de 1,3 bilhões de seres humanos, lidera o número de mortes por suicídio, com 258 mil casos por ano.
O Brasil ocupa o 8º lugar no ranking da OMS, com 31.507 casos de suicídio registrados entre 2012 e 2014, sendo que um brasileiro se suicida a cada 45 minutos. Estima-se que, para cada suicídio concretizado, entre 40 e 60 tentativas ocorram em todo o planeta. Pela envergadura da tragédia, a OMS, a partir de 1999, considera a problemática em torno do suicídio como caso de saúde pública.
Desde então, estabeleceram-se várias iniciativas de educação e conscientização para prevenção do problema; publicaram-se vários documentos e guias especializados que estão ajudando a romper com o tabu e dar maior visibilidade ao tema, orientando tanto a sociedade em geral quanto os profissionais da saúde em particular.
Uma destas iniciativas, promovida pela OMS e pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio, foi a de estabelecer o dia 10 de setembro como o Dia Mundial para a Prevenção do Suicídio.
No Dia Mundial da Saúde de 2017, a OMS escolheu como tema "A depressão: Vamos conversar?" (Depression: Let’s talk?), que, na sua forma mais grave, em muitas instâncias, está na raiz como causa de muitos casos de suicídio.
Muita gente não sabe, e nem imagina, que o suicídio pode ser prevenido. Segundo a OMS, em 90% dos casos ele pode ser evitado, isto é, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos. Em muitas situações, as pessoas são portadoras de doenças mentais e não têm condições de acesso e ajuda de profissionais especializados (psiquiatras, terapeutas, etc.) ou grupos de ajuda, ou aconselhamento anônimo de organizações tais como o CVV (Centro de Valorização da Vida). Outros, quando passam por uma crise, vivendo sozinhos e como anônimos, não encontram ninguém de confiança com quem contar nesta hora.
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Frente a este verdadeiro holocausto silencioso, a responsabilidade das instituições de saúde, e particularmente das instituições de saúde mental, aumenta exponencialmente. Estas devem abordar esta temática com propriedade, com conhecimentos científicos e humanismo, vencendo os tabus e encarando o problema sem julgamentos preconceituosos. Isto se consegue com educação, conscientização, informações esclarecedoras e assistência digna às pessoas necessitadas e perturbadas psiquicamente, que buscam ajuda num momento de crise ou intenso sofrimento psíquico.
A problemática do suicídio entre nós é profundamente marcada por inúmeros preconceitos e tabus. Abundam julgamentos fáceis e, em muitos casos, até preconceitos religiosos de condenação (“a pessoa está condenada ao inferno”), mas falta o que é mais importante: escuta atenta e compreensão. Nem rir, nem chorar, mas compreender e solidariamente se comprometer ajudando é o caminho a seguir!
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