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Projeto prevê acessibilidade em eventos climáticos extremos

Conheça o Projeto Resgate Inclusivo: Pessoas com Deficiência e Eventos Climáticos Extremos, uma iniciativa para trazer acessibilidade em contexto de calamidade

Escrito por Giovana Marques

18 SET 2025 - 08H29 (Atualizada em 18 SET 2025 - 12H30)

mbruxelle/Adobe Stock

O primeiro projeto no Brasil que coloca a acessibilidade no centro das respostas às mudanças climáticas será lançado em 18 de setembro, às 14h

Trata-se do Projeto Resgate Inclusivo: Pessoas com Deficiência e Eventos Climáticos Extremos, idealizado por Marta Almeida Gil, socióloga e fundadora do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas.

A iniciativa é coordenada também pelo Instituto Guerreiros pela Inclusão, com o apoio do Instituto de Estudos Jurídicos e Diálogos Constitucionais, IDECON.

A proposta foi criada em abril do ano passado após os desastres ocorridos no Rio Grande do Sul. Ela nasce justamente da urgência em assegurar que pessoas com deficiência e outras em situações de vulnerabilidade sejam também resgatadas nestas circunstâncias.

O lançamento oficial será realizado on-line e gratuito, com acessibilidade em Libras e audiodescrição. Além disso, haverá transmissão ao vivo pelo YouTube do IDECON

“Na live de lançamento vamos compartilhar depoimentos de pessoas com e sem deficiência sobre como lidaram com a situação, improvisando estratégias de resgate, abrigos, pontos de distribuição de donativos e outras, para garantir segurança e dignidade de todas as pessoas.”, afirmou a idealizadora.

Reprodução Reprodução

Em entrevista ao Portal A12, Marta Almeida explicou mais detalhes sobre a iniciativa como: os desafios de implementação, os outros órgãos envolvidos no desenvolvimento do protocolo, a conexão entre os três institutos envolvidos e o público-alvo do projeto.

Quais foram os principais desafios para colocar essa iniciativa de pé?

Marta Almeida: Um dos maiores desafios foi justamente entender como contemplar pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e outras condições de vulnerabilidade no contexto de emergências e desastres climáticos. Ao pesquisar e conversar com entes públicos e da academia, percebemos uma lacuna enorme: não existem protocolos específicos, políticas públicas estruturadas de resgate e estudos acadêmicos para esse público no Brasil, que é muito significativo: mais de 14 milhões de brasileiros.

Quando falamos de enchentes, incêndios, secas ou até de tremores de terra, não encontramos referências e nem literatura nacional que tratasse dessa interseção entre deficiência e resposta a desastres. Diante dessa ausência, nosso trabalho tem sido construir a partir do zero – consultando especialistas, dialogando com pessoas com deficiência e buscando também experiências internacionais para adaptar ao nosso contexto. É um processo desafiador, mas necessário, porque não podemos aceitar que milhões de pessoas continuem invisíveis em situações de crise e de pós-crise, pois os efeitos sobre a saúde mental persistem.

Que tipo de protocolo acessível está sendo desenvolvido dentro do projeto? Você teria algum exemplo do que vão abordar na transmissão ao vivo?

Marta Almeida: Estamos desenvolvendo um protocolo acessível de prevenção e resposta a desastres, algo inédito no Brasil. Ele está nascendo de uma escuta ampla, em diálogo com a Defesa Civil de São Paulo e de outros estados, Corpo de Bombeiros, organizações internacionais como Médicos Sem Fronteiras e Cruz Vermelha do Brasil, além – e principalmente – de pessoas com deficiência.

A experiência do Rio Grande do Sul em 2024 mostrou de forma dolorosa que ninguém estava preparado – muito menos as pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida. Em grande medida, foi a própria sociedade civil que precisou se organizar diante da ausência de protocolos específicos e do ineditismo da situação. Ninguém estava preparado: a enchente chegou subitamente e com uma violência inédita. Por isso, o protocolo será o coração do Projeto Resgate Inclusivo: construído de forma participativa, para garantir que, em situações de emergência, nenhuma vida seja invisibilizada ou deixada para trás.

Como funciona a articulação entre os três institutos envolvidos?

Marta Almeida: O Projeto Resgate Inclusivo é fruto da união de três instituições que se complementam em suas áreas de expertise, além de outras entidades, como o site Inclusive News, a empresa Som da Luz Tecnologias de Inclusão e Acessibilidade e UP Brasil.

• Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas – fundado em 1990, presidido por Margarida Maria do Amaral Lopes e coordenado por Marta Almeida Gil, é referência na produção e disseminação de informação sobre pessoas com deficiência. Responde pela idealização, coordenação geral e pela base de conhecimento que sustenta o projeto.

Instituto Guerreiros pela Inclusão (IGI) – presidido por Rita Mendonça, advogada com experiência em Direitos Humanos e atuação na Fundação Renova. Traz a vivência de situações de resgate e pós-resgate, somada à sua trajetória na defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

Instituto IDECON – dá o apoio logístico ao lançamento e o respaldo legislativo. Seu responsável, Dr. Joelson Dias, é advogado especializado em Direitos Humanos e Inclusão, garantindo que o projeto dialogue também com o campo jurídico e de políticas públicas.

Cada instituto tem um papel específico, mas todos atuam de forma integrada, com ações que se articulam e se fortalecem mutuamente, em sintonia com as outras entidades participantes, tornando o projeto mais sólido e potencializando seu alcance.

Qual é o público-alvo imediato do projeto e como as pessoas podem se engajar?

Marta Almeida: O público-alvo imediato são pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e suas famílias. Também incluímos outros grupos em situação de vulnerabilidade, como idosos, crianças, grávidas (especialmente no final da gestação), pessoas obesas ou mesmo aquelas que enfrentam dificuldades temporárias de locomoção. Nosso objetivo é que essas pessoas estejam no centro das estratégias de prevenção e resposta a desastres.

Também buscamos engajar a sociedade em geral, porque a mudança climática já é uma realidade, com tendência a se tornar mais frequente e intensa; e precisamos nos preparar coletivamente. Não se trata de gerar medo ou pânico, mas de desenvolver uma cultura de prevenção e de defesa dos direitos humanos fundamentais, em especial o direito à vida.

O Projeto Resgate Inclusivo: Pessoas com Deficiência e Eventos Climáticos Extremos nasce exatamente para reforçar esse compromisso e para ser uma ferramenta concreta de Justiça Climática.

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