Muita gente acredita que ser santo é algo distante, reservado apenas a religiosos ou pessoas extraordinárias, mas a verdade é que todo batizado é chamado à santidade, como ensina o Catecismo da Igreja Católica (§2013).
Isso não quer dizer que todos serão canonizados, mas que a santidade está ao alcance de quem vive o amor de Deus no dia a dia.
A Igreja Católica reconhece a santidade por meio de um processo que analisa a vida, as virtudes e os milagres atribuídos a uma pessoa. Esse processo é guiado por normas claras e só começa cinco anos após a morte do fiel, salvo exceções autorizadas pelo Papa.
O percurso tem quatro etapas principais: Servo de Deus, Venerável, Beato e Santo. Com o A12, você entende cada uma delas:
Tudo começa quando o bispo da diocese onde a pessoa morreu abre a causa de beatificação. Nesse momento, o fiel é chamado de “Servo de Deus”. É feita uma investigação detalhada sobre a sua vida, escritos e testemunhos de quem o conheceu.
O processo segue as normas do documento Sanctorum Mater (2007), da Congregação para as Causas dos Santos.
O Servo de Deus Pe. Léo, sj
2. Venerável
Com os documentos enviados a Roma, o Dicastério para as Causas dos Santos avalia se a pessoa viveu as virtudes cristãs em grau heroico.
Se for reconhecida essa vivência, o Papa pode declarar o Servo de Deus como Venerável. Isso significa que ele foi um exemplo de fé e fidelidade ao Evangelho, embora ainda não possa receber culto público.
O Venerável Padre Vítor Coelho de Almeida, C.Ss.R.
Para a beatificação, é necessário o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão do Venerável, geralmente uma cura sem explicação médica. Esse milagre passa por análises científicas e teológicas rigorosas.
No caso de mártires, o milagre pode ser dispensado. Após a aprovação, o Papa declara a pessoa como Beato, autorizando o culto em regiões específicas ou em congregações ligadas à sua vida.
O Beato Guido Schäffer
Para a canonização, um segundo milagre deve ser reconhecido após a beatificação. Com isso, o Papa declara a pessoa como Santo, permitindo o culto público universal, ou seja, em toda a Igreja.
A canonização é um ato infalível do Magistério. Segundo a Constituição Apostólica Divinus Perfectionis Magister (1983), o Papa confirma que aquele fiel está no Céu e pode ser proposto como modelo para todos os cristãos.
Santa Dulce dos Pobres
Existe também um caminho mais raro e antigo: a canonização equipolente. Nesse caso, o Papa reconhece a santidade de alguém sem precisar de milagre ou processo formal, por causa de um culto constante e fama de santidade comprovada ao longo dos séculos.
Confira três histórias fora do comum dentro do processo de canonização:
Conhecido pelos fenômenos de voo e levitação, foi perseguido pela Inquisição de Nápoles e teve sua beatificação dificultada pelas acusações de superstição. Foi canonizado em 1767, pelo Papa Clemente XIII.
Nascida no Sudão e vendida como escrava, só se tornou cristã na Itália. Sua história comoveu a Igreja e atraiu atenção mundial. Foi canonizada em 2000 por João Paulo II.
Monge maronita do Líbano, viveu no silêncio de um eremitério. Após sua morte, mais de 20 mil curas foram atribuídas à sua intercessão. Isso acelerou sua canonização, feita por Paulo VI, em 1977.
:: Por que existem os Santos na Igreja?
Fonte: Catecismo da Igreja Católica/Redentoristas/Vatican News
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