Por Edson Luiz Sampel Em Artigos Atualizada em 03 ABR 2018 - 11H48

Canonização equipolente do padre José de Anchieta

Neste dia 3 de abril  recorda-se os quatro anos canonização de José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil, patrono da Academia Marial.


O Papa Francisco assinou um decreto, servindo-se da chamada “canonização equipolente”, pela qual não é necessária a comprovação de milagre, levando em conta o decurso de vida do então beato.

Na missa de Ação de Graças celebrada no dia 24 de abril de 2014 na Igreja de Santo Inácio de Loyola, no centro de Roma, papa Francisco ressaltou em sua homilia que São José de Anchieta soube comunicar o que ele viu e ouviu do Senhor. "São José de Anchieta soube comunicar o que ele mesmo experimentara com o Senhor, aquilo que tinha visto e ouvido dele; o que o Senhor lhe comunicava nos seus exercícios."

É bom lembrar que seu processo de canonização já foi pensado logo após a sua morte. Como aconteceu com São João Paulo II que no dia das exéquias, quando o povo espontaneamente pediu sua canonização com a expressão: “Santo subito!”, assim também o padre Anchieta foi tido como santo pelo povo que o conhecera. 


O padre José de Anchieta, cofundador de São Paulo, é canonizado sem os dois milagres geralmente necessários; um para a beatificação e outro para a canonização propriamente dita. Os canonistas chamam este procedimento de “canonização equipolente” (equivalente), pois ela equivale ao processo normal para declarar que determinada pessoa falecida se encontra junto de Deus, no céu, intercedendo pelos que ainda vivem na terra.

O processo de Anchieta teve início em 1597, ano de sua morte e se arrastou por 417 anos. Houve muitos percalços, incluindo dificuldades financeiras e a supressão da Companhia de Jesus em 1773. No entanto, recentemente, o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, cardeal Angelo Amato, vislumbrou a possibilidade de se mudar de estratégia, com a canonização equipolente.

Na canonização equipolente deve-se ater a três requisitos básicos:

1) A prova do culto antigo ao candidato a santo;

2) O atestado histórico incontestável da fé católica e das virtudes do candidato;

3) A fama ininterrupta de milagres intermediados pelo candidato.

Padre Anchieta preenche sobejamente as três condições. Com efeito, são inúmeros os milagres e graças atribuídos à intercessão dele. Ele é venerado como bem-aventurado (que está no céu) por fiéis de São Paulo e de todo o Brasil, bem como nas Ilhas Canárias na Espanha, local onde Anchieta nasceu.

Esta forma de canonização já foi empregada recentemente pelo papa Francisco, quando, por decreto, elevou aos altares Angela Foligno (outubro de 2013) e Pedro Favre (dezembro de 2013). Os católicos podem ficar seguros de que a praxe a ser adotada no caso de Anchieta goza do mesmo atributo de infalibilidade que resplandece as canonizações ordinárias, nas quais são exigidos os dois milagres. O papa Bento XVI também usou da canonização equipolente para propor à veneração dos fiéis aos santos Romualdo, Norberto e Bruno, entre outros.

A canonização de José de Anchieta é um acontecimento social e religioso. Deveras, a pujança, a desenvoltura da cidade de São Paulo em muito é tributária da operosidade dinâmica dos jesuítas. Da mesma forma que a Companhia de Jesus se expandiu avassaladoramente em pouquíssimo tempo, São Paulo progrediu miraculosamente, talvez graças ao toque inicial de São José de Anchieta e padre Manoel da Nóbrega.


 

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