Por Pe. Pedro Cunha Em Dúvidas Religiosas Atualizada em 21 MAR 2019 - 08H44

Uma pessoa com Síndrome de Down pode receber o Sacramento do Matrimônio?


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Pessoas com Síndrome de Down podem e DEVEM devem ocupar um lugar próprio e digno, na sociedade e na Igreja


Me perguntaram se uma pessoa com síndrome de Down pode receber os sacramentos, inclusive o Sacramento do Matrimônio

Entendendo que a síndrome é causada pela presença de três cromossomos 21 (em vez de dois, como é o comum), em todas ou na maior parte das células de um indivíduo, e que isso ocorre na hora da concepção de uma criança, sabe-se que as pessoas com Síndrome de Down (ou Trissomia do Cromossomo 21), têm 47 cromossomos em suas células em vez de 46, como a maior parte da população.

Podemos perceber que as crianças, os jovens e os adultos com síndrome de Down podem ter algumas características físicas semelhantes, mas personalidade e características psíquicas diferentes e únicas.

A síndrome de Down não é uma doença, mas uma condição da pessoa, associada a algumas questões para as quais os pais devem estar atentos desde o nascimento da criança. As pessoas com síndrome de Down têm muito mais em comum com o resto da população do que diferenças. Por isso, é importante descobrir, como em qualquer outra criança, o que esta pessoa pode alcançar e desenvolver com suas capacidades, dons e talentos. Acima de tudo, é preciso promover a autonomia.

De acordo com a National Down Syndrome Society (NDSS), 80% das pessoas com Síndrome de Down estudam em escolas comuns; 95% estudam música, 58% praticam esportes. Ou seja, elas possuem uma vida integrada à sociedade. As pessoas com a trissomia têm limites, mas quem não os tem? O que não podemos é sermos nós, não-trissômicos, a os limitarmos, como se eles não fossem capazes.

Como qualquer outra pessoa, também os portadores da síndrome aprendem, estudam, trabalham, têm sentimentos profundos, amam, são capazes de ser amados, se divertem e são muito responsáveis. Além de tudo isso, grande parte deles são muito mais verdadeiros e autênticos em seus sentimentos humanos e religiosos do que a maioria das pessoas. Em resumo, não só podem, como devem ocupar um lugar próprio e digno na sociedade e na Igreja, participando assim de todos os sacramentos, desde que estejam aptos, como se espera de qualquer outra pessoa.

*Padre Pedro Cunha é sacerdote da diocese de Lorena (SP), reitor do Santuário Diocesano de Nossa Senhora de Santa Cabeça, fundador das Aldeias de Vida e professor universitário.

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