A Igreja celebra hoje, 3 de julho, a Festa do Apóstolo São Tomé. A figura de São Tomé está intimamente ligada ao evento pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo. No Evangelho de São João (20, 24-29), lemos o encontro do Apóstolo com o Ressuscitado. Nesse encontro, Tomé faz uma das mais profundas profissões de fé: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28). Contudo, até chegar a essa bonita profissão de fé, Jesus dialoga com Tomé: “Mete aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos, aproxima também a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas fiel” (Jo 20, 27). Vemos aqui um encontro de fé, e fé é sempre um encontro pessoal.
Quando refletimos sobre o encontro do Ressuscitado com Tomé, na verdade, parece que estamos refletindo sobre o nosso encontro com a pessoa de Jesus. Tomé representa todos nós. É nosso irmão gêmeo.
Quem não tem um pouco de Tomé? É comum a expressão: “Eu sou igual a Tomé, só acredito vendo!”. Por vezes, assim como Tomé, também temos dificuldades para crer. Professamos que Jesus ressuscitou, que nos acompanha e que caminha conosco pelas estradas da vida, mas podemos duvidar em algum momento, porque não o vimos e nem o tocamos.
Buscamos sinais concretos e nos esquecemos daquele toque invisível da graça de Deus em nossas vidas. Na verdade, queremos sempre ver com os olhos e tocar com as mãos. Somos como Tomé, com as mesmas inquietações, com a mesma lógica. Isso não é motivo para escandalizar-se; primeiro, porque isso é plenamente humano; depois, porque Jesus sempre vem ao nosso encontro. Ele nos ama! Ele é por nós! Ele não desiste de nós! Ele não procura cristãos perfeitos! Ele não busca cristãos que possuem uma fé inabalável!
A fé não é sentimento e nunca pode ser reduzida a isso. Sentimentos passam, a fé permanece! A fé pode ser traduzida numa “grande aventura” e toda aventura é feita de altos e baixos, luzes e sombras, gozos e provações. Assim foi com Tomé, assim também acontece com cada um de nós.
Crises de fé sempre são bem-vindas quando sabemos aproveitá-las a ponto de crescer depois. Por exemplo, no trecho evangélico acima, Tomé apresentou uma crise de fé. Ele ficou estagnado? Parado? Sem reação? Não! Deu o passo da fé, superou e cresceu.
As crises, dizia o saudoso Papa Francisco, não são um pecado, são um caminho de superação. “Os momentos de crise”, escrevem os santos, “são os mais oportunos”. Por isso, não sabemos qual é a sua crise hoje, abrace-a! As crises ajudam-nos a reconhecer que estamos em necessidade: estamos em busca de sentido e encontros. Na verdade, quando estamos passando por algum momento de crise, aumentam nossa sede de Deus e desejo de voltar ao Senhor, tocar as suas feridas e experimentar novamente o seu amor. Nossa fé deve estar sempre orientada a Jesus. Se assim o for, nossa fé é humilde. Caso contrário, na primeira crise que vier, nossa fé desabará...
Algo chama ainda nossa atenção nesse encontro: diante da incredulidade de Tomé, o Ressuscitado vai ao encontro dele. O Evangelho diz duas vezes que “ele veio”: primeiro, quando Tomé não estava com o grupo dos apóstolos; e depois uma segunda vez (oito dias depois). Nada é por acaso nos Evangelhos... O fato de Jesus ter ido ao encontro deles duas vezes e, na segunda vez, ter se encontrado com Tomé, mostra que Jesus não desiste de nós, não se cansa de nós, não tem medo das nossas crises, das nossas fraquezas. Ele volta sempre, bate à porta do coração e pede para entrar.
Vamos ou não abrir as portas para Ele? Jesus sempre está a nossa espera. Podemos então procurá-lo sempre e, não só, invocá-lo quando, a assim como Tomé, duvidamos ou enfrentamos algum tipo de crise.
Hoje e sempre, peçamos a intercessão do Apóstolo São Tomé, para que tenhamos sempre encontros de fé e assim como ele professemos: “Meu Senhor e meu Deus!” Assim seja! Amém!
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