Vivemos num mundo dividido entre um culto ao corpo perfeito e, de outro lado, a “salvação da alma”. Tal dualismo não começou na atualidade, nem em séculos passados, mas surgiu na antiga Grécia, com o surgimento da filosofia de Platão.
Em seu surgimento, o dualismo platônico mostrava o corpo como a prisão da alma, ou seja, o corpo (imperfeito, reflexo do mundo perfeito) aprisionava a alma (perfeita em ligação com o mundo das ideias).
Com o alvorecer da pós-modernidade, vemos um reflorescimento deste dualismo, mas alterado na questão do corpo. O corpo passou a ser cultuado mais profundamente e a busca pela perfeição corporal agora guia a sociedade. A alma já não tem tanto valor; ficou em segundo plano.

Como enxergar o ser humano como um todo, sem divisões?
A sabedoria semita é fantástica ao ponto de mostrar uma outra visão em relação ao ser humano. Primeiramente, não há uma divisão entre corpo e alma. O ser humano, ao ser criado, é criado por inteiro.
O ser humano, na mentalidade semita, é um ser de relação mútua consigo mesmo, com o outro, com o mundo e principalmente com o Criador. Um ser de relação é também um ser sem dualidade. O בָּשָׁר (basar), ou seja, a carne mortal do ser humano - a vida, o corpo do ser humano - é criado por Deus. Este basar faz parte da criação e, por isso, está interligado com tudo.
Yahweh, ao criar o ser humano, o cria por completo, sem divisões, sem dualidades. Além do basar, o Criador ainda dá aos seres criados o נֶ֫פֶשׁ (nephesh), a capacidade de respirar. Na mentalidade semítica/hebraica, o ato de respirar é a capacidade de mostrar “quem você é”; o nephesh é a identidade do ser vivente.
Leia MaisA virtude da coragem a partir da confiança em DeusA vida como caminho para uma harmonizaçãoUma consciência despertaO Criador, além do basar e do nephesh, dá algo único para o ser humano. É aquilo que o diferencia dos outros seres criados.
O רוּחַ (ruah) é o sopro divino; é o pneuma que o Criador dá a nós, e isso nos diferencia dos outros seres criados, pois recebemos o sopro de Deus; recebemos o seu Espírito.
Portanto, a mentalidade semítica/hebraica nos ajuda a perceber a unidade do ser humano, como ser criado à imagem e semelhança de Deus.
Uma mentalidade dualista que cultua mais o corpo e despreza a alma, ou vice-versa, acaba por descartar a totalidade da vida humana.
O ser humano é único. A vida de cada ser é única. É preciso que percebamos que, ao compreendermos a unidade, também poderemos perceber que cada um forma um todo na Criação.
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