Por Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R. Em Espiritualidade

“Alegria de um túmulo vazio”

Mulher por que choras?

 

sepulcro túmulo vazio

 

Quando personalidades falecidas são grandes, fazemos mausoléus e belos túmulos para recordar sua memória. Quão impressionantes são os monumentos antigos. Alguns não passam de ruínas. Os cristãos cultivaram com muito carinho o túmulo de Jesus, vazio. É a primeira prova de sua ressurreição.

Sta. Helena fez construir ali uma grandiosa basílica para o túmulo vazio. Chamava-se Anástasis, que quer dizer, para celebrar a Ressurreição. No tempo das cruzadas deram preferência para o nome de Santo Sepulcro que está lá até hoje atestando que Ele está vivo.

Os chefes dos judeus, na manhã da Ressurreição corromperam os guardas que noticiaram o acontecimento pagando para que dissessem que os discípulos tinham vindo à noite e roubado o corpo: “Dizei que seus discípulos vieram de noite enquanto dormíeis e roubaram o corpo” (Mt 28,13).

Sto. Agostinho diz: “como sabiam que foram os discípulos, se estavam dormindo”? Os chefes e os guardas constataram a Ressurreição. Mas não tiveram fé. Fé é um dom para quem abre o coração.

De outra parte vemos as mulheres que vão ao túmulo de madrugada ver o túmulo. Houve um terremoto e um anjo rolou a pedra. Jesus se fez ver às mulheres. Os textos não coincidem. Ouvimos também a narrativa da aparição à Madalena que chorava.

Os anjos perguntam: “Por que choras? Levaram o meu Senhor e não sei onde O colocaram”, responde. Jesus aparece e ela O confunde com o jardineiro. Ela O identifica pelo modo como a chama (Jo 12,11-18). É um diferente que não mudou. O túmulo vazio é a certeza de que algo novo acontecera. Os discípulos ficaram confusos, mesmo depois das aparições.

Ide ver o lugar onde Ele estava

Lemos no Evangelho de Marcos que as mulheres foram ao túmulo para ungir o corpo. Estavam preocupadas se haveria alguém para rolar a pedra.

Viram o túmulo aberto e dentro encontraram um jovem sentado à direita. Ficaram com medo. Ele lhes disse: “Estaria procurando Jesus de Nazaré, o crucificado. Ressuscitou, não está aqui. Vede o lugar onde O puseram” (Mc 16,6).

Madalena procurava um morto e Ele se apresenta vivo. A certeza que vem do túmulo vazio é suficiente para saber que Ele vive. Os chefes do povo, fariseus, sacerdotes e os chefes do povo souberam da ressurreição, mas não foram capazes de crer.

Os discípulos tiveram dificuldades pela alegria que sentiram e porque ainda não tinham compreendido as Escrituras. Mas aquele túmulo vazio era a prova. Certamente vamos ver que os textos não coincidem. O que interessava aos evangelistas era o fato e não sua sincronização. São tradições diferentes. Jesus deixa o lugar vazio porque passou à vida.

O túmulo de Jesus não se destina mais a um corpo, mas é um motivo para crer. Com a experiência de Cristo vivo, completa sua destinação. Dai em diante será um símbolo da pedra que produz a luz, como mostramos simbolicamente na liturgia de Páscoa.

Vivo que dá a Vida

A liturgia antiga de Jerusalém mantinha uma lâmpada permanentemente acesa para mostrar que Ele está Vivo e é o centro da comunidade e de todas as celebrações.

Quando somos batizados ou participamos de um sacramento estamos em contato real com Jesus que nos dá sua vida. Pena que a Páscoa tenha se tornado um momento festivo no qual o coelho, símbolo da fecundidade, absorveu o sentido da Páscoa.

A Vida que recebemos Dele penetra todas nossas atividades. Tudo que fazemos Nele é Páscoa. O túmulo vazio nos recorda que a Vida venceu a morte. Vencemos a morte quando vivemos o amor.

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