Por Padre Pedro Cunha Em Espiritualidade Atualizada em 26 FEV 2020 - 13H41

Como jejuar?

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O j
ejum disciplina o corpo; a vontade e estabelece os níveis de nossa autonomia e de nossa liberdade. Ele também pode nos elevar mais espiritualmente e nos fortalecer. Se o jejum não fosse tão importante, por que Jesus jejuaria? E olha que Ele jejuou 40 dias antes de iniciar a sua missão, e foi tentado de muitas formas.

O jejum tradicional, feito por Jesus, foi o dos alimentos, ou seja, manter o corpo com o necessário para lhe fornecer energia suficiente para os seus afazeres naquele dia, e não ingerir alimentos além da conta ou desnecessários.

Hoje, muitas pessoas fazem o Jejum daquilo que mais gostam: chocolate, doces, refrigerantes, etc. Na verdade, esses alimentos não são essenciais para o nosso dia a dia, então não fará falta retirarmos do nosso cardápio.

A Igreja Católica nos propõe dois dias especiais para o Jejum, a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa. Nesse dia a Igreja orienta aos seus fiéis que estão aptos a jejuar, ou seja, de acordo com o Cânone 1252. “[...]estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade até os 60 anos começados".

Mas em que consiste o Jejum? Em não comer nada?

Absolutamente. A pessoa deve reduzir significativamente a quantidade de alimento que ingere em suas refeições, ao menos pela metade, e não ingerir outros alimentos entre essas refeições: água não quebra o jejum.

O bom seria que esses alimentos que eu deixei de ingerir naquele dia pudessem ser compartilhados com os pobres, que diariamente pouco ou nada têm para comer, ao menos no dia de nosso jejum. Se eu partilho o que deixei de comer com um pobre que nada tem, nesse dia eu e o pobre comeremos do mesmo modo. Nesse caso, estamos aliando o jejum a outra prática quaresmal muito nobre: a esmola.

Às vezes, nos esquecemos de que estamos em mundo desigual e injusto. Enquanto eu tenho o necessário e até mais para viver, muitos não têm nada, passam fome. Só nos encontraremos de verdade conosco mesmos quando formos capazes de ver a necessidade do outro e criarmos em nós uma atitude concreta de fraternidade e ajuda.

Dar esmolas não é apenas dar uma moeda ao mendigo que passa e pede ou está em alguma calçada de mãos estendidas. Dar esmolas é me dispor a olhar a vida dos mais necessitados, verificando aquilo que falta ao meu irmão, eu tenho e posso compartilhar com ele daquilo que possuo. Isso pode ser dinheiro, comida, roupa, remédio, cuidado, zelo, presença, amor, carinho, amizade, compaixão.

Veja o que você tem e deseja compartilhar, leve ao outro, compartilhe. Você verá como aumentará o que você dividiu e nunca lhe faltará.

No tempo quaresmal, não faltam ideias para outros tipos de jejum, que podem ser acrescidos ao jejum dos alimentos e não se tornarem substitutos. Por exemplo, o jejum da língua, pois muitas vezes, os grandes problemas de nossos relacionamentos são causados por coisas inadequadas que falamos.

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Assuma o propósito de nada falar que venha a machucar ou ferir alguém.
Também procure não alimentar conversas que possam conduzir a sua vida para o pecado ou induzir os seus relacionamentos a pecar com você.

Um outro é o jejum do desperdício, pois muitas vezes o grande problema de nossa relação com o mundo e a natureza é que desperdiçamos muitas coisas: alimentos e água especialmente. Procure não desperdiçar e nem gastar dinheiro com coisas supérfluas. Assim ajudará ao nosso planeta e à natureza que Deus tão lindamente nos concedeu.

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Nesse sentido, junte outra prática quaresmal ao seu jejum: a oração. Use o seu tempo para rezar mais, viver de maneira mais profunda a sua intimidade com Deus.

Finalmente lembre-se que Quaresma é tempo de conversão, de mudar hábitos ruins em hábitos bons e construtivos. O jejum pode muito lhe ajudar neste processo de transformação e conversão.

Faça do jejum uma oportunidade para verificar o quanto está forte ou fraco na sua determinação, na sua autonomia, na sua vontade e na sua liberdade.

Escrito por
padre pedro cunha (Gustavo Cabral/A12)
Padre Pedro Cunha

Padre Pedro Cunha é sacerdote da diocese de Lorena (SP), fundador das Aldeias de Vida, professor universitário e reitor do Santuário Diocesano de Nossa Senhora da Santa Cabeça

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