Por Craig Kinneberg Em Espiritualidade Atualizada em 15 ABR 2020 - 10H22

Como olhar para a pandemia com uma visão de fé?

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Na
homilia durante o momento extraordinário de oração pelo fim da pandemia, com a bênção Urbi et Orbi, no último dia 27 de março de 2020, o Papa Francisco baseou sua reflexão no Evangelho de Jesus que acalma a tempestade após a súplica dos apóstolos medrosos (cf. Mc 4, 35-41). Nesse episódio, Jesus pergunta para seus apóstolos: “por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”. O Papa repetiu esse versículo numerosas vezes durante sua homilia, e colocou uma ênfase significativa no tema da fé.

Acredito que suas palavras podem nos ajudar a ver que olhar para a situação atual com uma visão de fé não é só possível, mas é uma verdadeira necessidade que temos para poder manter a calma nas águas turbulentas da tempestade.

Em forma de oração, o Papa falou para Jesus durante esta homilia:

“Senhor, lanças-nos um apelo, um apelo à fé. Esta não é tanto acreditar que Tu existes, como sobretudo vir a Ti e fiar-se de Ti”.

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Descobrimos aqui que a fé implica numa atitude de confiança profunda; trata-se de algo mais que simplesmente acreditar na existência de Deus (se a fé fosse somente isso, então teríamos que dizer que até os demônios têm fé).

No momento que vivemos atualmente, uma pergunta que talvez possa nos interpelar é “em que, ou em quem, estamos colocando a nossa confiança e esperança?”. Será que estamos colocando a nossa confiança nas “falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades”, como diz o Papa, ou será que podemos dizer como São Paulo, “eu sei em quem depositei a minha fé” (2Tm 1,12)?

Um pouco mais à frente, o Papa diz que “o início da fé é reconhecer-se necessitado de salvação. Não somos autossuficientes, sozinhos afundamos: precisamos do Senhor, como os antigos navegadores, das estrelas”. Esta experiência, que nos revela claramente a nossa fragilidade como seres humanos, nos leva a experimentar que somos profundamente necessitados e dependentes de Deus. Sem reconhecer isso, o que requer a virtude da humildade, não poderemos ter uma visão de fé sobre tudo o que estamos vivendo. É essencial que digamos “Senhor, pelas minhas forças, não consigo; preciso de Ti!”.

Finalmente, creio que ter um olhar de fé sobre a situação atual também implica acreditar que Deus sempre é capaz de tirar um bem (ou vários bens) do mal. Uma e outra vez na história, Deus nos mostra Seu poder e Seu amor por nós tirando frutos maravilhosos das piores situações. Basta olhar para a cruz e meditar no fato de que do pior acontecimento possível (a morte do Filho de Deus na cruz), Deus tirou o maior bem que podemos imaginar (a destruição da morte e o dom da vida eterna).

Escrito por
Craig Kinneberg (arquivo pessoal)
Craig Kinneberg

Nasceu na cidade de Spokane, no estado do Washington, nos Estados Unidos, e se mudou a Phoenix, Arizona quando tinha 13 anos. Aos 20 anos de idade, ingressou no Sodalício de Vida Cristã e morou no Peru durante 3 anos para sua formação inicial. Em 2013, se mudou a São Paulo, Brasil, onde atualmente reside, ajudando na missão apostólica da Família Sodálite, especialmente no projeto catequético e fazendo trabalho pastoral com jovens. Completou os estudos filosóficos e teológicos em vistas ao sacerdócio.

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