Cruz do Nada - Altar Central (Thiago Leon)
Espiritualidade

Exaltação da Santa Cruz: O Amor sem medida que nos convida a amar nossas cruzes

Júlio Egrejas (Arquivo Pessoal)

Escrito por Júlio Egrejas

14 SET 2021 - 08H35 (Atualizada em 14 SET 2021 - 08H59)

“Então chamou a multidão com seus discípulos e disse:
‘Se alguém Me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e Me siga.
Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la;
mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la’.”
(Mc 8,34-35, do Evangelho do 24º Domingo do Tempo Comum).

Considerada uma das penas mais cruéis da antiguidade, a crucifixão era verdadeiramente um escárnio, cheio de ironia e desrespeito. Com ela, além do suplício físico, os juízes e seus carrascos infligiam um castigo moral, uma punição de desprezo e chacota ao pregar o infrator no madeiro em local público, muitas vezes nu, elevado sobre o chão para a zombaria dos passantes.

A mensagem era eloquente: aquele que outrora se ufanava em estar livre para suas delinquências na sombra, no escondido, agora está preso, mãos e pés, ao madeiro, imóvel e exposto como uma coisa, como um objeto de malhação e deboche. E foi essa a punição que os injustos juízes de então consideraram ser adequada a Jesus.

Jesus, porém, havia dito: “Quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim”. Nosso Senhor Jesus, Deus de amor, ultrapassa como cordeiro silencioso esta “elevação-suplício” e a transforma em elevação de atração e conquista.




A cruz, antes de Cristo, sinal das mais terríveis torturas, é agora para o cristão a árvore da vida, o trono da misericórdia, o altar da Novo Aliança de Cristo, entregue à morte, de onde veio o maravilhoso sacramento de toda a Igreja. A cruz é o sinal definitivo de que o amor silencioso, como o de um cordeirinho inocente, trucidado pela injustiça de lobos ferozes, vence a loucura do pecado. Por isso, em algumas Igrejas no Oriente, a festa da Exaltação da Cruz se compara à da Páscoa em grandeza e beleza.

Na festa da Exaltação da Santa Cruz, celebramos o amor de Cristo que, da exaltação injusta e cruel, fez de seu Corpo Santo a transformação do suplício em atração dos corações. Só mesmo o seu amor transforma a cruz, de deboche e dor, em glória da Igreja e orgulho santo nos nossos corações.

Leia MaisExaltação da Santa Cruz: fonte de santidade e salvação

Nenhuma de nossas cruzes teria sentido sem a elevação de Cristo na Sua Cruz. Esta elevação, realizada em toda celebração Eucarística, renovada nos corações, feita vida na Igreja, é o único motivo que justifica carregarmos as nossas cruzes com um sentimento que vai muito além da aceitação resignada, mas com amor verdadeiro e agradecimento renovado.

Com a festa da Exaltação da Santa Cruz, que revela a Exaltação do Amor de Jesus, nossas cruzes recebem seu significado último: são o nosso caminho de ressurreição da morte e do pecado, são a nossa alegria, são a nossa comunhão com a exaltação do amor salvífico e vencedor de nosso Senhor Jesus.

Escrito por
Júlio Egrejas (Arquivo Pessoal)
Júlio Egrejas

Júlio Egrejas nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1975, é membro do Sodalício de Vida Cristã desde 1993. Desde 2012 mora em Petrópolis, e participa do Movimento de Vida Cristã, onde realiza diversos serviços de evangelização e formação Cristã, com destaque para o Curso Católico de Oração e Espiritualidade. Atualmente está terminando a dissertação em vistas ao Mestrado em Direito Canônico.

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Redação A12, em Espiritualidade

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.

Bem vindo!


Para completar seu cadastro, por favor, verifique seu e-mail e defina sua senha.
Caso não encontre o e-mail na sua caixa de entrada, por favor, verifique na caixa de SPAM/TRASH/LIXO ELETRÔNICO.