A afirmação inicial pode gerar tanto identificação, como também críticas. Talvez seja importante fazer algumas perguntas, para entender exatamente o que está querendo dizer quem afirma aquilo. Está se referindo a todos os animais, ou apenas aos domésticos? Fala de qualquer animal que encontrar ou daquele com o qual já existe um relacionamento?
Leia MaisTenho mania de limpezaDe outro lado, quais foram as últimas experiências com pessoas? Existe alguma coisa que o deixou chateado com a humanidade inteira ou apenas com alguém específico?
Seja qual for a visão de quem fala e de quem escuta, é importante contextualizar o que realmente significam esse tipo de ideias. Donde vieram? Por que a pessoa pensa e sente assim? Quais os sofrimentos que ela leva consigo?
Pensemos, por exemplo, em alguém que experimentou de perto a corrupção (à qual todo homem está exposto). Talvez outro não sentiu a incondicionalidade do amor que uma pessoa devia ter dado. Ou também, pode ter se frustrado por não encontrar mais inocência e mansidão nas pessoas (sobretudo quando se tornam adultas). Ou talvez sofreu perante o orgulho de pessoas que se achavam superiores a tudo o mais.
Quem sabe, aquele que experimentou esses sofrimentos perante os homens, encontrou um consolo num animal doméstico. Experimentou ali o que precisava dos seus relacionamentos com os demais. Assim, uma coisa é certa: como pessoas, precisamos de bons relacionamentos.
Agora, independentemente da posição perante a afirmação inicial, lembremos da necessidade que toda pessoa tem de se relacionar com um semelhante:
"‘Não é bom que o ser humano viva sem a companhia de um semelhante; farei para ele alguém que o ajude e a ele corresponda!’. Sendo assim, o Senhor modelou, do solo, todos os animais selvagens e todas as aves do céu (...). Entretanto, não se encontrou para o próprio ser humano alguém que com ele cooperasse e a ele correspondesse intimamente. Então, Yahweh Deus fez Adão cair em profundo sono (...). Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus modelou uma mulher e a conduziu até ele. Então exclamou Adão: “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne!" (Gn 2,18-23).
Para além da riqueza da reflexão bíblica sobre esta passagem, fiquemos com esta ideia: "alguém que com ele cooperasse e a ele correspondesse intimamente" (Gn 2,23). Seja qual for a experiência (e o grau dela) para quem sustém a afirmação inicial, é vital que ela encontre caminhos para se relacionar com seus semelhantes, seus iguais.
Talvez valha a pena fazer umas colocações adicionais a respeito do assunto. Por um lado, lembrar dos animais não-domésticos. Os animais selvagens podem manifestar aspectos de agressividade, frieza e domínio que aparentemente os animais domésticos (à diferença de alguns seres humanos) não têm. Por outra parte, estão os "termos" nos quais podemos "propor" nosso relacionamento com animais domésticos. Às vezes, algumas pessoas podem se sentir mais confortáveis tendo relações possessivas, não tendo o "problema" da liberdade pessoal de um outro ser humano, colocando as condições para o relacionamento, evitando o drama da existência que carregam as pessoas.
Considerando isso tudo, vale a pena reafirmar a importância dos relacionamentos para as pessoas, assim como as possíveis distorções que podem existir para quem se refugia num determinado tipo e forma de relacionamentos.
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