Por João Antônio Johas Leão Em Espiritualidade Atualizada em 03 ABR 2019 - 14H37

Independência: O que nos faz realmente livres?

Estamos passando por momentos muito conturbados em nosso país e agora que se aproxima a data da nossa Independência, vale a pena refletir no que nos faz realmente livres ou, pelo contrário, o que pode acabar minando nossa liberdade. Para isso, vale a pena relembrar um pouco da história do povo que Deus escolheu por sua herança, o povo de Israel, que pode traçar sua ascendência até Abraão quando ainda vivia em uma terra distante da prometida e lá recebeu um chamado de Deus para partir em busca de um lugar melhor, sob a promessa de que seus herdeiros seriam mais numerosos que as estrelas do céu.

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Pelo menos de maneira geral, conhecemos um pouco dessa história. Sabemos que chegaram ao Egito por uma fome muito grande que passavam. Foram recebidos pelo seu irmão José, que tinha grande estima do faraó, mas logo outro faraó entrou no poder e escravizou os israelitas. Foram escravos naquele país até que surge na história o pequeno Moisés, que cresce como príncipe no Egito, mas que descobre suas origens israelitas e vendo o sofrimento do seu povo o liberta da escravidão na Páscoa de Israel. Esse povo então perambula pelo deserto durante anos, até que chegam a Terra Prometida, de onde mana leite e mel. Conseguem expulsar os que aí viviam e passam a viver nesse lugar abençoado. Agora sucede-se no poder juízes e reis, que vão guiando o povo nas vicissitudes da vida até a chegada de um homem chamado Jesus que dará um rumo novo a essa história.

Nesse pequeno (E muito incompleto) reconto da história de Israel, falta um detalhe muito importante. Na verdade, não é um mero detalhe, mas algo sem o qual não se entende de maneira nenhuma tudo o que aconteceu. Falta a presença de Deus.

Quis tentar contar essa história sem Deus porque penso que é uma maneira, muito presente hoje em dia, de entender a realidade atual e que faz muito dano. Quem hoje em dia pelo menos faz o esforço por colocar nas mãos de Deus o curso da história, de buscar ver com os seus olhos tudo o que acontece ao nosso redor, sabendo que Ele é um Pai providente e que tem cada um dos cabelos de nossas cabeças contados? Muitas vezes nem nós católicos o fazemos, quem dirá o resto do mundo que parece querer deixar a Deus cada vez mais fora da realidade.

 

"Se colocamos Deus na equação, vamos compreendendo que a liberdade está diretamente relacionada com a obediência ao seu Plano de Amor". 

Se colocamos Deus na equação, vamos compreendendo que a liberdade está diretamente relacionada com a obediência ao seu Plano de Amor. Na mentalidade atual, ser obediente é quase sinônimo de perda de autonomia, mas quando olhamos para a história de Deus com o seu povo, vemos que na realidade não é bem assim. Deus tem compaixão de Israel e quer livrá-lo de sua escravidão e por isso lhes concede Moisés. Enquanto caminham sob a guia desse enviado de Deus, o Senhor livra seu povo da servidão, lhes dá o maná por alimento e a água que sai da rocha por bebida. Os faz caminhar sem que suas sandálias se desgastem, em suma, Deus fornece tudo o que necessitam para essa travessia até a terra prometida.

O povo de Israel, por sua vez, oscila entre momentos de fidelidade e momentos de rebeldia. Em vistas de algumas dificuldades, vacila em confiar cada vez mais no Senhor e muitas vezes viram suas costas àquele que os libertou e que os acompanha em cada passo. Nesses momentos, Israel volta a ser escravo de seu pecado, desejando inclusive voltar a servidão do Egito. É preciso então que intercedam junto a Deus pelo povo, para que tenha misericórdia desse coração duro. E Deus sempre está pronto para perdoar e receber um coração contrito.

Hoje, como naquela época, Deus continua junto do seu povo que, a partir de Jesus, Deus feito homem, é a Igreja. E também como antigamente, somente seremos realmente livres, independentemente da situação social em que vivamos, dos problemas políticos e econômicos, se buscamos não virar as costas ao Senhor no meio de toda essa tribulação. Somente de “mãos dadas com Ele” é que poderemos suportar com paciência as dificuldades e comprometer-nos com esperança em realizar um país mais honesto e livre que desejamos todos.

Em um momento gritamos 'Independência ou Morte'. Mas que essa independência não signifique nunca um afastamento de Deus, único alicerce capaz de nos manter unidos e caminhando rumo a uma vida realmente verdadeira e livre. Uma independência de Deus leva necessariamente, como sabemos pela história do povo de Israel, a perda da liberdade que tanto almejamos e que com tanto esforço queremos afirmar.

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