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Espiritualidade

Não quero ser um servo mau e cruel!

Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. (Arquivo Santuário Nacional)

Escrito por Padre José Luis Queimado, C.Ss.R.

24 NOV 2021 - 08H39 (Atualizada em 24 NOV 2021 - 09H23)

Refletindo seriamente sobre a parábola do “empregado cruel”, meu coração se entristece em perceber que muitos cristãos participativos da Igreja ainda não conseguiram deixar as palavras de Jesus transformarem a própria vida. Jesus fala; eles tapam os ouvidos. Há tantas pessoas na mesma comunidade ou paróquia que não se falam, que não se suportam, que não perdoam. Jesus se doando no altar, e o clima horroroso na convivência dos irmãos!

O texto dessa magnífica parábola está em Mateus, capítulo 18, versículos de 21 a 35. Tudo se inicia com a pergunta de Pedro:

Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão se ele pecar contra mim? Até sete vezes?”

A resposta de Jesus destrói absolutamente qualquer justificativa que queiramos dar às nossas mágoas guardadas a sete chaves no nosso coração. Nosso Senhor é enfático:

'Não apenas sete vezes, mas até setenta vezes sete'.

É óbvio que esses números são simbólicos, afinal ninguém está anotando quantas vezes está exercendo o perdão até que se chegue ao número 490. A perfeição do número 7 e o simbolismo bíblico do número 70 evocam a infinitude desse exercício espiritual que é o perdão. Devemos perdoar sempre, infinitamente, pois também precisamos do perdão. E até que deixemos de ter quaisquer falhas e limites, o que acontecerá somente na eternidade, não podemos deixar de fazê-lo.

Leia MaisConhecendo os Evangelhos: O dom maior é o perdãoDepois dessa resposta, Jesus conta a parábola em questão:

Um rei resolveu acertar as contas com seus empregados que lhe deviam. O primeiro tinha um débito gigantesco, e é condenado a ser vendido como escravo, junto com os seus bens mais preciosos, mulher e filhos. Ajoelha-se e, suplicando em desespero aos pés do rei, diz que vai pagar tudo o que deve com o tempo. O monarca se compadece, sente o sofrimento daquele servo, e lhe perdoa toda a dívida.

A misericórdia abundou para aquele que estava em falta. Esse mesmo homem devedor, que recebeu um presente lindíssimo da misericórdia, é colocado frente a frente com um de seus colegas de trabalho que lhe devia uma pequena soma de dinheiro. Com certeza, ele, que experimentou a misericórdia, iria irradiar esse mesmo dom àquele que, em desespero, suplicava-lhe o perdão.

Não, meus caríssimos, aquele mesmo homem falho e devedor não se deixou tocar pelo sofrimento do outro; não teve compaixão. Jogou o pobre companheiro na prisão. Os demais companheiros se indignaram ao ver essa cena execrável e foram contar ao rei. Este também sentiu tremer suas entranhas de raiva porque aquele a quem muito foi perdoado não aprendeu nada ao ser poupado dos sofrimentos merecidos. E o rei dá ordens para que o prenda, até que sua dívida fosse paga, pois se não aprendeu com a misericórdia, terá de aprender com a justiça. E Jesus finaliza a parábola com uma afirmação que deveria nos inquietar, e muito! “Do mesmo modo, meu Pai do céu agirá convosco, se cada um de vós não perdoar de todo o coração a seu irmão”.

Sim, Deus é misericordioso, mas se continuarmos com o coração endurecido, negando-nos em perdoar àqueles que pouco nos devem, seremos tratados da mesma forma por Ele. Não vale a pena colocarmos uma máscara e irmos à Igreja todos os domingos se nosso coração estiver obstinado. “Se, portanto, fores levar tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa tua oferta lá diante do altar e vai primeiro fazer as pazes com esse irmão e depois volta para fazer a oferta”. (Mt 8, 23-24).

Recebemos tantas bênçãos, tantas dádivas das mãos de nosso Deus. Ele nos perdoa de incontáveis fraquezas, traições e sujeiras. Muitíssimas vezes O decepcionamos com nossos vícios, nossa indiferença e nossa soberba. Nossos segredos mais íntimos são todos claros para Ele, que nos conhece profundamente. Nossa dívida é imensa, mas sempre nos perdoa quando caímos aos seus pés em súplica. No entanto, o perdão não virá e a paz não habitará nosso coração enquanto estivermos guardando ressentimentos de alguma pessoa e não formos capazes da misericórdia.

Dá tempo! Faça as pazes; converse com aquele que está distante; tenha coragem de ser cristão de verdade; vire a página e recomece a caminhada! Se Deus nos chamar amanhã, estaremos preparados para dizer: Amei como o Senhor me ensinou; meu coração está pronto, meu Deus! Aqueles que se recusarem a expulsar o orgulho e o ódio de seus corações serão enviados para a prisão, onde terão de pagar até o último centavo.

Escrito por
Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. (Arquivo Santuário Nacional)
Padre José Luis Queimado, C.Ss.R.

Missionário Redentorista com experiência nas missões populares, no atendimento pastoral no Santuário Nacional de Aparecida, passou pela direção do A12, fez missão na Filadélfia nos Estados Unidos. Atualmente é diretor editorial adjunto na Editora Santuário.

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