O ano de 2021 chegou! Talvez um dos mais esperados dos últimos tempos, depois do atípico ano de 2020, marcado não somente pela pandemia da COVID-19, como também pela forma com que muitas pessoas optaram por vivenciá-la. No Brasil, por exemplo, enquanto muitos indivíduos seguiram rigorosamente os protocolos de distanciamento e higiene para evitarem contaminações, outros simplesmente ignoraram a existência do novo coronavírus e das centenas de milhares de mortes, desrespeitando o isolamento e provocando ou participando de aglomerações em festas e em outras ocasiões, sem contar o não uso da máscara facial.
Claro que não incluo aqui os inúmeros trabalhadores que estiveram expostos ao vírus nas aglomerações dos transportes públicos, mas me refiro àqueles que teriam condições de respeitar o isolamento e não o fizeram.
Em decorrência de tudo isso, em 2021, uma palavra urge como dever e, ao mesmo tempo, direito de todos nós para que este ano seja diferente e melhor que 2020, como muitos esperam: o CUIDADO. Ele foi o cerne da mensagem do Papa Francisco para o 54º Dia Mundial da Paz*, celebrado em 1º de janeiro de 2021, que teve como tema: “A cultura do cuidado como percurso de paz”.

O pontífice inicia sua mensagem prestando condolências para aqueles que perderam entes queridos em razão da COVID-19 e enaltece o trabalho dos profissionais que não estão medindo esforços para cuidar dos doentes. “Estes e outros acontecimentos, que marcaram o caminho da humanidade no ano de 2020, ensinam-nos a importância de cuidarmos uns dos outros e da criação, a fim de se construir uma sociedade alicerçada em relações de fraternidade”, ressalta.
Na mensagem, Papa Francisco nos lembrou como o cuidado esteve presente desde o início da criação, o qual é ressaltado na Bíblia, no Livro de Gênesis, que revela “a importância do cuidado ou da custódia no projeto de Deus para a humanidade, destacando a relação entre o homem e a terra e entre os irmãos”.
O pontífice também exalta como a cultura do cuidado é mantida no ministério de Jesus e na vida dos seus seguidores por meio das obras de misericórdia espiritual e corporal que “constituem o núcleo do serviço de caridade da Igreja primitiva”. Mas, o Papa lamenta o fato do cuidado ter se tornado um direito de poucos em razão da ganância. Por isso, ele convida organizações internacionais e dos governos, dos mundos econômico e científico, da comunicação educacional e das instituições educativas a pegarem uma bússola que possa dar um rumo comum ao processo da globalização, “um rumo verdadeiramente humano”.

Chamada pelo pontífice de “bússola dos princípios sociais”, ela promoveria a cultura do cuidado, oriunda do processo educativo que, segundo o Papa Francisco, “nasce na família, núcleo natural e fundamental da sociedade, onde se aprende a viver em relação e no respeito mútuo”. E, em colaboração com a família, existem os outros agentes, que são a escola, a universidade e os sujeitos da comunicação social “chamados a transmitir um sistema de valores fundado no reconhecimento da dignidade de cada pessoa, de cada comunidade linguística, étnica e religiosa, de cada povo e dos direitos fundamentais que dela derivam”.
Por fim, o pontífice encerra sua mensagem explanando que, sem cultura do cuidado, não há paz, e que esta se revela uma “via privilegiada” enquanto compromisso comum e solidário destinado a promover a dignidade e o bem de todos. Portanto, mais do que nunca, somos impelidos a promover tal cultura, formar uma grande roda e acolher o próximo com o coração, pois, do contrário, 2021 será apenas mais um ano em meio a tantos outros, já que a mudança para um mundo melhor começa em nós.
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