Por Craig Kinneberg Em Espiritualidade Atualizada em 06 JUL 2020 - 15H38

O valor espiritual da contribuição do Dízimo

Em muitos momentos na história da Igreja, especialmente nos momentos de maior reforma dentro da própria Igreja Católica, a Igreja primitiva serviu como um modelo que mostra como há de ser o Corpo Místico de Cristo aqui na terra.

A Igreja primitiva pode nos dar várias luzes sobre como devemos tentar viver hoje, inclusive sobre a realidade e a necessidade do dízimo. Uma consulta breve ao livro dos Atos dos Apóstolos revela quais luzes a Palavra de Deus pode nos dar sobre esse tema, focando principalmente no valor espiritual que vem com esse ato:

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Lucas
, o autor do livro dos Atos dos Apóstolos, pinta uma imagem da Igreja primitiva quando, no capítulo 4, diz que “a multidão dos que haviam crido era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava exclusivamente seu o que possuía, mas tudo entre eles era comum”. Uma primeira luz importante que podemos ter com essa passagem é que a atitude dos primeiros cristãos de compartilharem tudo em comum brotava de uma atitude espiritual: a comunhão de corações que viviam esses discípulos de Cristo.

Leia MaisO dízimo, as oferendas e o desapegoSabendo que existia essa comunhão espiritual, um laço de verdadeira fraternidade fundada na fé, os discípulos perceberam que uma concretização dela era a comunhão dos bens materiais. Se todos são irmãos do mesmo Pai, unidos na mesma fé, uma exigência natural dessa unidade espiritual é a unidade material e, ao mesmo tempo, essa unidade material fortalecia a unidade espiritual.

Na segunda carta aos Coríntios, São Paulo faz referência, nos capítulos 8 e 9, a uma coleta que ele e seus companheiros fizeram nas igrejas dos gentios durante sua terceira viagem missionária. Essa coleta tinha como objetivo ajudar os cristãos pobres de Jerusalém, e São Paulo fala sobre como há de ser a atitude interior daqueles que contribuem:

“Cada um dê como dispôs em seu coração, sem pena nem constrangimento, pois Deus ama a quem dá com alegria” (2 Cor 9, 7).

Através dessa passagem, recebemos uma outra luz sobre o valor espiritual da contribuição do dízimo: a liberdade e a alegria interior que devem acompanhar o ato exterior de dar o dízimo, como meio concreto de alegrar até o coração do próprio Deus.

 Saibam, portanto, meus irmãos, que a generosa contribuição do dízimo, feita com liberdade e com alegria, é um ato espiritual também. “Generosa” não significa necessariamente muito, mas significa um coração que não está preso aos bens materiais e não encontra toda a sua segurança neles. A contribuição do dízimo feita desta forma, pensando nas necessidades do próximo, pode se tornar um caminho de encontro com Deus e fortalecimento na relação com Ele.

Escrito por
Craig Kinneberg (arquivo pessoal)
Craig Kinneberg

Nasceu na cidade de Spokane, no estado do Washington, nos Estados Unidos, e se mudou a Phoenix, Arizona quando tinha 13 anos. Aos 20 anos de idade, ingressou no Sodalício de Vida Cristã e morou no Peru durante 3 anos para sua formação inicial. Em 2013, se mudou a São Paulo, Brasil, onde atualmente reside, ajudando na missão apostólica da Família Sodálite, especialmente no projeto catequético e fazendo trabalho pastoral com jovens. Completou os estudos filosóficos e teológicos em vistas ao sacerdócio.

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