Por Pe. Jefferson Antônio da Silva Monsani Em Espiritualidade Atualizada em 12 MAR 2019 - 10H47

Por que não devemos acreditar em almas penadas e fantasmas?

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Muita razão tem a Igreja ao afirmar que é diante da morte que o enigma da existência humana atinge seu ponto alto (Cf. Gaudium et spes, 18). De fato, embora seja certa para todos os seres humanos, a realidade da morte permanece como um mistério profundo, que, continuamente, coloca diante de nós a pergunta acerca do sentido último da nossa existência. Envolvida pelo véu do desconhecido, ela tem alimentado, ao longo dos tempos, a reflexão e a imaginação de muitos, bem como servido de enredo para a literatura, a pintura, o cinema e mesmo rodas de conversas entre amigos.

Todos nós, certamente, já ouvimos o relato de alguém que afirma já ter visto alguma pessoa falecida. Mas nós, católicos, podemos acreditar que os mortos aparecem? Por que não podemos acreditar no que, popularmente, chamam de 'alma penada' ou 'assombração'? O que a Doutrina Católica tem a nos dizer a respeito do mistério da morte, à luz das Sagradas Escrituras e da Tradição da Igreja?

O autor da carta aos Hebreus afirma que “está destinado aos homens morrer uma só vez, e depois disso vem o Juízo” (Hb 9, 27). De fato, por meio da morte, o corpo volta à terra de onde veio, enquanto a alma, que é imortal, vai ao encontro do Senhor para se unir novamente ao corpo quando este, glorificado, ressuscitar na vinda de Cristo no fim dos tempos.

A vida eterna, que se inicia com a morte corporal, é precedida por um juízo particular realizado por Cristo em relação à fé e às obras de cada um, que vai conceder o acesso à glória do Céu, imediatamente ou depois de uma adequada purificação, ou então à condenação de sermos separados de Deus. O Purgatório é o estado dos que morrem na amizade de Deus, mas, embora seguros da sua salvação eterna, precisam ainda de purificação para entrar no Céu. É importante dizer, ainda, que quando acabar nossa vida sobre a terra, não voltaremos a outras vidas terrenas. Não existe, portanto, reencarnação depois da morte (Cf. Mt 25,31-46; Jo 5, 28-29; Jo 11, 25-26; Jo 14, 1-3; Rm 8, 11; 1 Cor 15).

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A Igreja, como vimos, é muito clara em seu ensinamento acerca da morte e da vida eterna e, de fato, em nenhum momento, fala-se a respeito da possibilidade de os mortos aparecerem para nos dizer algo ou para nos encarregar de algum assunto que deixaram pendente durante a vida terrena. Contudo, é verdade, também, que muitas pessoas afirmam já ter visto algum ente querido já falecido, sendo que, para não faltarmos com a caridade, não podemos afirmar que mentem ao dizer isso. Mas, então, o que acontece? Já no final do século XIX, começou a se constituir a disciplina chamada Parapsicologia e a conclusão a que os parapsicólogos chegam sempre mais, é que esses fenômenos são produzidos pelo poder da mente, a partir do medo ou da dor que a lembrança da pessoa falecida produz, bem como do desejo de estar na presença de quem já partiu desse mundo.

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Inspirada em uma meditação de Santo Agostinho, a Igreja reza na Santa Missa pelos Defuntos: “Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível” (Prefácio dos Mortos I). De fato, pela fé sabemos que a morte não tira a vida, mas a transforma e, com a transformação do modo de existir que a morte inaugura, transforma-se, também, a maneira de nos relacionarmos com aqueles que amamos e que já passaram para a vida eterna.

Insistir no desejo de nos relacionar com aqueles que já faleceram, da mesma maneira que nos relacionamos com aqueles que vivem neste mundo, nos faz perder de vista o que significa, precisamente, a fé na vida eterna, que nos dá a coragem de amar ainda mais intensamente as pessoas e de trabalhar para que este mundo seja o princípio do Céu para o qual se encaminha a peregrinação da nossa existência. Como bem disse o Papa Bento XVI, “somente quem pode reconhecer uma grande esperança na morte, pode também levar uma vida a partir da esperança”.

Neste dia de Finados, em virtude do mistério da Comunhão dos Santos, ofereçamos nossas orações de sufrágio pelas almas dos fiéis defuntos, em particular a Santa Missa, bem como nossas obras de caridade e penitência. Mas rezemos também por nós mesmos, para que, vivendo santamente a vida presente, mereçamos, um dia, entrar na alegria do Céu, onde viveremos para sempre com Cristo, ressurreição e vida para quem n’Ele crê (Cf. Jo 11, 25).

Escrito por
Padre Jefferson Antônio da Silva Monsani
Pe. Jefferson Antônio da Silva Monsani

Formado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas
e Teologia pela Faculdade João Paulo II
Sacerdote na Diocese de Araçatuba

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