Espiritualidade

Sacerdotes anciãos: como é viver o fim da caminhada?

Patrícia Damiana da Silva Coelho (Arquivo pessoal)

Escrito por Patrícia Damiana da Silva Coelho

17 SET 2021 - 08H41 (Atualizada em 17 SET 2021 - 09H24)

SeventyFour/ Shutterstock padre idoso descendo escadas, padre idoso, fim da vida, morte (SeventyFour/ Shutterstock)

Inicialmente, para nos auxiliar a pensar sobre esta temática, recordei-me do pensamento de Viktor Frankl, o criador da Logoterapia e Análise Existencial, que em sua obra 'Sede de Sentido'  sinaliza que “a vida tem sentido, literalmente, até o último suspiro.”

Leia MaisO suicídio entre os sacerdotes e religiosos consagradosBaseado nos pressupostos da Logoterapia, o ser humano é um ser movido por uma vontade de sentido. Ele é atraído pela busca de uma vida valorosa, significativa, com sentido! Essa busca pelo sentido ocorre durante o nosso percurso existencial, passando pelas etapas do ciclo da vida, e dentre estas, pela fase do envelhecimento.

Logo, mesmo estando nesta etapa e mesmo sendo idoso, tal busca por uma vida com sentido não cessa, até o último suspiro.

Anneka/ Shutterstock
Anneka/ Shutterstock

Diante deste contexto, podemos nos perguntar: De que modo podemos contribuir para esta fase da vida dos sacerdotes idosos?

Para tal, Pereira (2019) pontua sobre acolhermos ao padre idoso com um olhar valoroso por sua missão contínua, pois o “sacerdote idoso é um valor e uma riqueza de experiências históricas. Um patrimônio da Igreja local. Um reservatório de esperança para o povo de Deus.”

Seguindo nesta caminhada de cuidado, cabe destacar a declaração feita pelo Papa João Paulo II, Na Carta aos Anciãos, de 1º de outubro de 1999, onde destaca que:

“Os anciãos ajudam a contemplar os acontecimentos terrenos com mais sabedoria, porque as vicissitudes os tornaram mais experimentados e amadurecidos. Eles são guardiões da memória coletiva e, por isso, intérpretes privilegiados daquele conjunto de ideais e valores humanos que mantêm e guiam a convivência social. Excluí-los é como rejeitar o passado, onde penetram as raízes do presente, em nome de uma modernidade sem memória. Os anciãos, graças à sua experiência amadurecida, são capazes de propor aos jovens conselhos e ensinamentos preciosos.

Elizaveta Galitckaia/ Shutterstock
Elizaveta Galitckaia/ Shutterstock

Quanto valor têm os anciãos para a nossa comunidade! Como a sua missão é fundamental para seguirmos! Neste sentido, viver esse fim de caminhada implica considerar e respeitar essa etapa da vida dos sacerdotes idosos como valiosa, a fim de que eles se sintam valorizados por sua preciosa missão, de acordo com as recomendações eclesiásticas, dentro de suas possibilidades.

Leia MaisDepressão e vida religiosa: entre o preconceito e a féNeste fim de caminhada, há sempre possibilidades de considerar novos projetos para realizar os seus valores e missão, até porque a motivação pela busca de uma vida com sentido encontra-se presente!

Enfim, acolher os sacerdotes idosos com gratidão, reconhecimento e zelo pelo legado e enriquecimento que nos deixam com sua existência pode ser oportunidade de colaborar para um fim de caminhada mais pleno e com sentido!

Escrito por
Patrícia Damiana da Silva Coelho (Arquivo pessoal)
Patrícia Damiana da Silva Coelho

Psicóloga Clinica, Especialista em Logoterapia e Análise Existencial. Mestranda em Psicologia pela Universidade Católica de Petrópolis.

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