Espiritualidade

São Domingos de Gusmão e a devoção ao Santo Rosário

Em uma época de muitas heresias, Domingos propagou a prática da simples oração como poderosa intercessão à Mãe de Deus

Escrito por Alberto Andrade

08 AGO 2022 - 14H22 (Atualizada em 09 AGO 2022 - 09H17)

Plautilla Nelli

O Santo Rosário da Virgem Maria é uma das mais populares devoções do rito latino da Igreja Católica. Essa prática em rezarmos a sequência de Pai-Nossos e Ave-Marias e outras orações foi sendo moldada aos poucos na história.

Leia MaisMaior rosário do mundo está sendo construído no LíbanoMais de 100 homens rezam o Rosário debaixo de chuva na AustráliaO Terço consiste na recitação de 50 Ave-Marias, intercaladas por cinco Pai-Nossos, assim mantidos desde o pontificado do Papa São Pio V (1566-1572), que deu a forma atual ao Terço. Cada Rosário era originalmente composto de três terços (150 Ave-Marias), até que, em 2002, São João Paulo II acrescentou mais um mistério, os Luminosos, com mais 50 orações, elevando esse número para um total de 200 Ave-Marias.

O nome rosário vem do latim rosarius – relativo às rosas, e foi chamado assim devido à prática popular de coroar Maria com rosas no final do saltério. O valor espiritual do rosário consiste na característica de ser: uma oração simples e profunda.

No entanto, é datada por volta dos séculos XII e XVI a evolução histórica do rosário. São Domingos de Gusmão, cuja data litúrgica é celebrada em 8 de agosto, foi um dos maiores propagadores dessa prática de devoção.

“Chamamos a Virgem Maria de bendita, usando as palavras inspiradas da Sagrada Escritura. Dirigimo-nos a ela com a saudação do Anjo Gabriel: ‘Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco’ (Lc 1,28). Proclamamos seus privilégios, usando as palavras de sua parente Isabel: ‘Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre’ (Lc 1,42). É delicioso repetir essas palavras, pois elas são ricas de significado e vêm amplificadas pelas cenas do Evangelhos, que são o foco da nossa meditação”, disse o teólogo Scott Hahn em seu livro “Sinais de Vida – Quarenta Costumes Católicos e suas raízes bíblicas”.

Neste áudio, o Padre Inácio Medeiros, C.Ss.R., nos orienta sobre a importante contribuição de São Domingos e da Ordem dos Pregadores tanto na sabedoria do Evangelho como na devoção a Nossa Senhora a partir do Santo Rosário.



Gaspar de Crayer
Gaspar de Crayer


Aparição de Maria após clamor de São Domingos

No sul da França, por volta do final do século XII e no início do século XIII, a heresia albigense espalhava-se rapidamente e causava enorme perturbação na cultura cristã. Esta heresia, entre outros erros, ensinava que havia dois deuses: um bom e um mau. São Domingos se empenhou no combate desta heresia, mas, no início, não conseguiu grandes frutos.

Segundo uma antiga tradição, no ano de 1208, foi a um bosque chorar, rezar e suplicar a Nossa Senhora para que mostrasse uma arma espiritual eficaz para vencer aquela batalha. Depois do terceiro dia que estava em oração, Nossa Senhora apareceu-lhe acompanhada de três anjos e disse a São Domingos:

“Querido Domingos, você sabe qual é a arma que a Santíssima Trindade quer usar para mudar o mundo?”

A resposta de São Domingos foi que ela sabia melhor que ele. Então Nossa Senhora lhe disse:

“Quero que saiba que neste tipo de guerra a arma sempre foi o Saltério Angélico (palavras do Arcanjo Gabriel a Nossa Senhora na Anunciação), que é a pedra fundamental do Novo Testamento. Portanto, se você quer converter estas almas endurecidas e ganhá-las para Deus, difunda o meu saltério”.

Conta-se que Nossa Senhora, então, mostrou o terço para São Domingos, com as 50 Ave-Marias, que passou a ser conhecido como Saltério da Bem-Aventurada Virgem Maria. A partir daí São Domingos começou a espalhar esta devoção, encontrando eco nos fiéis católicos que não sabiam ler e queriam de alguma maneira imitar os monges que recitavam os 150 Salmos da Bíblia.

Os Papas do século XVII e os que vieram depois dão crédito à tradição de que S. Domingos elevou o saltério mariano a uma posição de destaque na prática devocional francesa e, portanto, trouxe o Rosário para a Igreja. O Papa Leão XIII disse:

“Graças a esse novo método de oração […], a piedade, a fé e a união começam a retornar [à França]; assim, o projeto e as maquinações dos hereges começaram a desmoronar”.


Virgem Santíssima modelou a forma como rezamos o Rosário

Mais de 200 anos após a morte de São Domingos, Nossa Senhora apareceu ao beato Alano de Rupe (1428-1475), também da ordem dominicana e lhe pediu para avivá-la novamente.

Nossa Senhora lhe disse que seriam necessários volumes imensos para registrar todos os milagres obtidos por meio do terço e reiterou as promessas feitas a São Domingos de Gusmão. Inspirado pela Mãe de Deus, Alano criou as agrupações de 50 Ave-Marias conhecidas como Mistérios Gozosos, Dolorosos e Gloriosos.

Acrescentou também os Pai-Nossos no início de cada dezena. Surgia assim o Rosário como nós conhecemos hoje, com a diferença da inclusão recente dos Mistérios Luminosos pelo papa João Paulo II.


Irmão Viveiros nos orienta a rezar sempre o Terço


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