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Espiritualidade

Transfiguração: um 'spoiler' da Ressurreição

Maurício Ribeiro, coordenador dos coroinhas e acólitos do Santuário Nacional (Arquivo pessoal)

Escrito por Maurício Ribeiro

28 FEV 2026 - 07H00

Jaroslav/ Adobe Stock

A glória de Deus é eterna e está prometida para nós

A Quaresma é um tempo de recolhimento, de oração silenciosa, de reflexão, de práticas externas e interiores de penitência. Mas logo no início deste tempo, o Senhor nos dá um 'spoiler' de como será o final deste percurso de penitência e conversão.

Ao longo de todo o seu tempo com os discípulos, Jesus afirmava que o Filho do Homem ia ser entregue nas mãos dos homens, que iam zombar dele, cuspir nele, torturá-lo e matá-lo, mas depois de três dias ele ressuscitaria e os discípulos ficaram com medo deste momento. No entanto, para ‘acalmar’ um pouco a preocupação dos discípulos, Jesus, por meio da Transfiguração, lhes dá um spoiler de como seria a Ressurreição.

No relato da Transfiguração, vemos que Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João, e sobe com eles até o alto da montanha. Esta não é uma subida para a glória desse mundo, mas para a glória de Deus. Lá, os discípulos ficam espantados ao verem o seu Mestre envolvido nesta glória. Que nós também possamos nos espantar ao ver a glória de Deus, uma glória que não é momentânea, mas eterna, e que está prometida a cada um de nós.

Jesus é a luz que clareia as mentes e os corações fechados

“E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz.” Este evento, caracterizado pelo brilho e pela luz, tem por finalidade iluminar a mente e o coração dos discípulos, pois eles ainda viviam na escuridão da dúvida de não entender que Jesus precisaria sofrer e morrer para salvar a humanidade. Jesus é a luz que clareia as mentes e os corações que ainda estão na escuridão da dúvida.

Muitas vezes, somos atraídos pela luz artificial dos ídolos, que nos alienam e nos mantêm fechados em nós mesmos. Essa luz, artificial e momentânea, escurece a nossa mente sobre o conhecimento dos mandamentos de Deus. É uma luz que nos fecha em nossos conceitos e achismos, impedindo-nos de aprender a mensagem da Palavra de Deus e conhecer a verdade.

Então, nos perguntemos: Qual luz prefiro? A luz do Senhor ou a falsa luz artificial dos ídolos?

Não existe Ressurreição sem Cruz

No monte Tabor, Jesus leva consigo somente Pedro, Tiago e João. Mas por quê? Por que eles eram os privilegiados, os "mais santos"? Não, pelo contrário: eles não compreendiam o que iria acontecer com o Mestre. Por exemplo, quando Jesus disse que iria sofrer, Pedro o reprendeu dizendo: “Senhor, [...] de modo nenhum te acontecerá isso” (Mt 16,22). Mas imediatamente Jesus o repreende, dizendo: “afasta-te de mim, Satanás, [...] porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (Mt 16,23). Quanto a Tiago e João, filhos de Zebedeu, queriam um lugar à esquerda e à direita de Jesus, quando Ele estivesse na glória. E Jesus responde a eles dizendo: "Vós não sabeis o que estais pedindo" (Mt 20, 22).

Irmãos e irmãs, às vezes nós temos estas mesmas atitudes dos discípulos. Não queremos enfrentar o sofrimento e pensamos somente no triunfo. Mas este não é o plano de Deus. Jesus nos ensina que o caminho da Ressurreição passa pela Cruz.

Nós, como Pedro, muitas vezes não compreendemos as coisas de Deus. Só queremos enxergar a nossa visão, achando que, somente porque somos filhos de Deus, não devemos sofrer. Nós, como Tiago e João, muitas vezes pensamos somente na glória, esquecendo que, para chegar até ela com Jesus, é preciso passar pelo Calvário.

Hoje, cada um de nós deve tomar muito cuidado com a tentação de rejeitar a Cruz e querer somente um cristianismo triunfalista. Este não é o cristianismo de Jesus!

Pela Paixão, chegaremos à glória da Ressurreição

Caros irmãos e irmãs, “O Senhor é bondoso e compassivo; é paciente e cheio de amor” (Sl 103,8). Por isso, para tirar do coração dos discípulos o escândalo da Cruz, Ele manifestou a sua glória e fez resplandecer, no mais claro brilho, seu corpo igual ao nosso. Com o testemunho da Lei e dos Profetas, nos ensina que, pela Paixão, chegará à glória da Ressurreição. Perante testemunhas escolhidas, brilhou primeiro na cabeça da Igreja - São Pedro - o esplendor que até hoje brilha com grande intensidade em todos os membros de seu corpo.

Que nesta caminhada quaresmal, Deus conceda a cada um de nós a graça de compreender que, aquele que está com o seu Filho na paixão, também estará com Ele na Ressurreição. Que nós, abençoados generosamente pelo Senhor e adeptos ao seu Evangelho, desejemos felizes alcançar a mesma glória que Ele revelou aos Apóstolos.


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Escrito por:
Maurício Ribeiro, coordenador dos coroinhas e acólitos do Santuário Nacional (Arquivo pessoal)
Maurício Ribeiro

Maurício José Ribeiro Campos Felizardo é Professor de Matemática licenciado pela UNESP e é atualmente o coordenador dos Cerimoniários e Coroinhas do Santuário Nacional.

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