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“É bonito ver os bispos reunidos”, diz Dom Jaime Spengler

Primeira coletiva da 62ª Assembleia da CNBB reforça as reflexões e debates sobre diretrizes, juventude e desafios atuais da Igreja no Brasil.

Escrito por Beatriz Nery

15 ABR 2026 - 16H27 (Atualizada em 15 ABR 2026 - 17H11)

Rian Torres/A12

A 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) começou em Aparecida (SP) com a primeira coletiva de imprensa desta edição. O encontro apresentou o panorama dos trabalhos que devem marcar os próximos dias.

Participaram da coletiva Dom Jaime Cardeal Spengler, presidente da CNBB; Dom Lizardo Estrada Herrera, secretário-geral do CELAM; e Dom Armando Bucciol, diretor espiritual do Colégio Pio Brasileiro, em Roma, responsável pelo retiro dos bispos.

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Rian Torres/A12 Rian Torres/A12


Diretrizes e temas acumulados

Ao abrir a coletiva, Dom Jaime destacou o contexto especial desta assembleia. Ele relembrou que a edição anterior foi suspensa após o falecimento do Papa Francisco, ocorrido na semana em que o encontro seria realizado.

“Nós iniciamos hoje a 62ª Assembleia da CNBB, tivemos o ano passado que suspender a Assembleia, então este ano existe uma expectativa, um ânimo todo próprio, é bonito ver os bispos se encontrando aqui depois de dois anos de distanciamento. […] Isso certamente trouxe para nós um acúmulo de temas para essa Assembleia de 2026”, afirmou.

O principal ponto da pauta é a discussão e possível aprovação das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Tradicionalmente, o documento é aprovado a cada quatro anos. Entretanto, há debate sobre ampliar esse período.

“Existe a tradição de a cada quatro anos aprovar diretrizes para a ação evangelizadora, mas existe também entre nós um debate no sentido de alongar esse tempo. Vamos ver o que a assembleia vai decidir”, declarou.

Dom Jaime explicou que o texto resulta de um amplo processo de escuta. Coordenadores de pastoral, dioceses e organismos eclesiais participaram da elaboração. O documento também recebeu contribuições do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade.

Outro tema relevante será a revisão do documento sobre a juventude no Brasil, chamado de "Documento 85". A atualização considera avanços científicos, tecnológicos e mudanças culturais recentes.

Unidade e desafios na América Latina

Representando o Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM), Dom Lizardo ressaltou a história de comunhão do organismo, que completa 70 anos.

“O CELAM está aqui para acompanhar, para escutar e também para aprender com os demais bispos do Brasil”, disse.

Ele recordou que o organismo acompanha a implementação do Sínodo da Sinodalidade nas conferências episcopais do continente. Também citou temas que desafiam a Igreja na América Latina e no Caribe, como meio ambiente, migração, violência e polarização.

“Há muita polarização, há muita divisão e muito individualismo, daí o trabalho do CELAM é como Cristo quer, a unidade, a comunhão e caminhar juntos”, afirmou.

Segundo Dom Lizardo, a migração preocupa o episcopado latino-americano. Muitos deixam seus países por causa de contextos sociais frágeis e crises institucionais.

Retiro espiritual e comunhão episcopal

Dom Armando Bucciol conduzirá o retiro espiritual dos bispos. Italiano de origem, ele viveu 33 anos no Brasil e atualmente é diretor espiritual do Colégio Pio Brasileiro, em Roma.

“Foi uma experiência de extraordinária comunhão participar e ter esse privilégio da assembleia dos bispos, a maior do mundo, onde tem a variedade máxima de realidades, recordou.

O tema do retiro será: “No seguimento de Jesus Cristo crucificado e ressuscitado, para testemunhar e louvar o seu amor”. As meditações devem retomar experiências vividas ao longo de sua trajetória junto a padres, religiosos e leigos.

Em entrevista à Rede Aparecida de Comunicação, Dom Armando destacou que sua fala aos bispos é também um diálogo com a Igreja no Brasil.

“Eu acredito que, falando aos bispos, eu me dirijo à Igreja do Brasil. Partilho o que vivi 33 anos no Brasil e, portanto, conheço a luta, os sonhos, os ideais, a beleza, a riqueza da nossa juventude brasileira, porque eu me considero, por aquilo que eu vivi, com tanta intensidade, membro desses povo que amei e amo. Eu vivo lá em Roma com 100 padres brasileiros do Brasil inteiro, portanto, continuo respirando, partilhando e sonhando. Portanto, é isso que a conversa com os bispos visa mesmo atingir por meio dos pastores, incentivar e encorajar", afirmou.

A 62ª Assembleia segue nos próximos dias com debates, votações e momentos de espiritualidade. O foco está na missão evangelizadora da Igreja no Brasil e nos desafios atuais da sociedade.

Assista a coletiva na íntegra no YouTube do Portal A12 e se prepare para as demais:

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