É muito comum ouvirmos a frase “tudo no tempo de Deus”, e é muito fácil também afirmar isso para algum amigo ou familiar. Mas será que realmente compreendemos como o tempo de Deus funciona?
Kairós é o conceito usado para explicar o momento perfeito em que Deus realiza seus propósitos em nossa vida, e esse tempo é diferente de nosso tempo humano, o Chronos, que são os dias e as horas que conhecemos.
É preciso compreender que Deus age em sua plenitude; e acreditar em seu tempo é ter esperança e paciência, fortalecendo assim a nossa fé.
Inspirado pelo tema “O tempo de Deus como visão que muda tudo”, Pe. Gerson Schmidt escreveu um texto para o Vatican News onde apresenta reflexões do Pe. Lucas Matheus Mendes, que destaca que o tempo é o espaço onde Deus escolhe encontrar o ser humano.
Esse é um assunto para refletirmos em qualquer momento de nossas vidas, mas no início do ano, ele parece ser bem oportuno: “o tempo não é a passagem apenas de dias, meses e anos, mas o tempo se torna lugar de atuação de Deus.”
Ele destaca as palavras do Padre Matheus em que ele cita que a Bíblia inicia dizendo: “No princípio, Deus criou o céu e a terra" (Gn 1,1), e esse princípio não é apenas uma data, mas o começo de uma história de amor que se desenvolve no tempo. Por isso, é preciso “aprender a olhar o tempo com os olhos da fé”.
A partir de Santo Agostinho, ele aprofunda que o tempo não é algo apenas externo, mas algo que acontece “dentro de nós, diante de Deus”.
“Que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; se quero explicá-lo a quem me pergunta, já não sei. Mas digo com segurança que sei isto: se nada passasse, não haveria tempo passado; se nada viesse, não haveria tempo futuro; se nada existisse, não haveria tempo presente”, (Confissões, XI, 14, 17).
O pensamento segue e afirma: “Não existem três tempos: passado, presente e futuro. O que existe são três modos do tempo na alma: o presente do passado (memória), o presente do presente (atenção) e o presente do futuro (expectativa)”.
Pe. Lucas explica que essa visão transforma tudo, “Porque, se o tempo habita a alma, então Deus entra na história entrando no coração humano. É assim que somos convidados a olhar para qualquer tempo comemorativo, como memória habitada por Deus, como presença atravessada por Deus, como esperança sustentada por Deus”.
Santo Agostinho descreve a memória como um “vasto e ilimitado santuário”. Nada do que vivemos se perde: está guardado na memória de Deus e na memória da Igreja.
Pe. Lucas explica que São João Paulo II recorda que o programa da Igreja não é novo: é Cristo, Aquele que é “o mesmo ontem, hoje e sempre”. Ele nos chama a fidelidade criativa, à escuta do Espírito e à coragem de anunciar, confiantes na promessa: “Eu estarei contigo” (Ex 3,12).
O futuro, por sua vez, é expectativa, metas e esperança. Como ensina a tradição espiritual: “A esperança tem duas filhas belíssimas: a indignação e a coragem. A indignação para não aceitar as coisas como estão; a coragem para mudá-las.” Não confiamos apenas em estratégias humanas, mas na fidelidade de Deus.
Com a reflexão de Pe. Lucas Matheus, aprendemos que o tempo humano está aberto à eternidade: memória que se torna gratidão, presente que se torna missão e futuro que se torna esperança.
Que Santo Agostinho nos ensine a habitar o tempo com o coração em Deus; que São João Paulo II nos inspire a avançar sem medo; e que este novo ano nos encontre criativos, confiantes e cheios da graça e esperança que vêm de Deus.
add_circle Chronos e Kairós: como viver o tempo que nos é concedido?
Fonte: Vatican News
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