Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 14 MAR 2019 - 10H07

Constantino: Vitória ou derrota da Igreja?

PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA

HISTÓRIA ANTIGA 09

Constantino: Vitória ou derrota da Igreja:

Por mais ou menos 300 anos, a Igreja Católica foi perseguida no império e pelo Império Romano, com sua vida e missão apostólica muito prejudicadas. As perseguições começaram de forma esporádica, mais ou menos a parir do ano 60 d.C. e foram crescendo, tornando-se sistemáticas e intensas. Elas começaram como episódios isolados, em algumas regiões ou províncias do Império, tornando-se, depois, generalizadas e oficiais.

Apesar do exagero dos números, sabe-se que muitos cristãos perderam a vida nas perseguições, que miravam primeiro as autoridades da Igreja, mas depois atingiam a todos os cristãos. Estes, porém, resistiram e o seu sangue foi como que o fermento de novas comunidades e de novos cristãos. A partir do início do século IV, as coisas começaram a mudar.

A ascensão do imperador Constantino

No ano de 313, depois de derrotar quase todos os oponentes ao trono, assumindo o poder no ocidente, o imperador Constantino ascendeu ao poder, tomando medidas para restringir as perseguições e favorecer a liberdade da Igreja. Uma das medidas de maior impacto foi a elaboração de uma lei especial chamada Edito de Milão. Por ela estabeleceu a liberdade religiosa no Império.

Com o edito de Milão, terminaram as perseguições. A Igreja e o Império passaram a caminhar juntos e a Igreja teve oportunidade de expandir-se rapidamente.

Ainda hoje se discute qual teria sido o motivo da conversão de Constantino e os benefícios ou malefícios que isso trouxe para a Igreja. Foi uma conversão verdadeira ou foi uma ação política? Constantino agiu corretamente ou como um oportunista político? Com Constantino, houve a vitória ou derrota da Igreja?

A razão maior dessa discussão está no fato de Constantino ter se batizado somente às vésperas de sua morte. Porém, como uma primeira resposta a estas nossas perguntas, podemos dizer que com Constantino houve, ao mesmo tempo, alguns pontos positivos e outros negativos para a Igreja. De um lado, a Igreja saiu lucrando e de outro, saiu perdendo com a sua conversão.

O que houve de positivo:

 Constantino favoreceu a liberdade religiosa no Império. Todos adquiriram liberdade de seguir a religião que quisessem.

 Os bens confiscados dos cristãos com as perseguições foram devolvidos.

 Os sacerdotes cristãos foram colocados no mesmo nível dos sacerdotes pagãos.

 Os bispos da Igreja passaram a gozar dos mesmos privilégios dos magistrados e demais autoridades civis do Império.

 As leis do império foram cristianizadas e as leis da Igreja tornaram-se leis do Império e vice-versa.

 Os cristãos puderam ocupar cargos e posições de confiança no Estado, o que antes era proibido.

 O culto pagão, sobretudo, aquele que se fazia acompanhar por bebedeiras e orgias, foi restrito.



Como consequência destas medidas, aos poucos a situação se inverteu e os cristãos deixaram de ser perseguidos, passando a gozar de uma situação bem melhor, pois, aos poucos, o Império se cristianizou, o clero passou a gozar de privilégios e as leis passaram a ser fundamentadas no Evangelho.

Quais foram os privilégios recebidos pelo clero (padres e bispos) da Igreja:

 Os Sacerdotes passam a ser dispensados de pagar impostos e taxas.

 Receberam muitas propriedades de volta.

 Foram dispensados de encargos onerosos ou difíceis.

 Aos poucos, os bispos tornaram-se conselheiros do Estado.

 Os templos pagãos começam a ser confiscados e doados aos cristãos.

Mas há também o lado prejudicial em todas essas medidas, e algumas consequências negativas foram surgindo, dificultando bastante a vida e o caminhar da Igreja. Aos poucos, a situação se inverte e os perseguidos passam a ser os pagãos. O culto pagão torna-se proibido, seus templos vão sendo confiscados, a ação dos feiticeiros e agoureiros torna-se proibida e o auxílio dado pelo Estado aos sacerdotes pagãos é restringido.

Outras medidas de caráter mais amplo também foram tomadas: as moedas deixam de ser cunhadas com símbolos pagãos, como a efígie do Imperador, outros símbolos pagãos são retirados dos lugares públicos e, aos poucos, os pagãos vão perdendo a plena cidadania.

Por esta época, surgem até mesmo algumas formas de perseguição, sobretudo, aos judeus.

O resultado destas medidas nós sentimos até hoje, pois, como o cristianismo se tornou quase obrigatório, o número de cristãos aumentou muito, mas este crescimento não foi acompanhado pela qualidade. Surgiram cristãos sem convicção e sem fervor. A Igreja cresceu em quantidade, nem sempre acompanhada pela qualidade.

No ano de 390, o Imperador Teodósio tornou o cristianismo a única religião do Império e, com isto, de agora em diante, todos seriam obrigados a professar a fé cristã. O império passaria a se intrometer na vida da Igreja e a organização do estado aos poucos vai sendo assumida pela Igreja.

.:: A morte dos apóstolos

Escrito por
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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