Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 22 FEV 2019 - 11H21

A morte dos apóstolos

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Durante sua vida pública, Jesus escolheu um grupo de pessoas, preparou-as e associou-as à sua missão. Eram os apóstolos, que após Pentecostes se dispersaram por várias regiões conhecidas do mundo na época. À exceção de João Evangelista, segundo uma tradição da Igreja, todos os demais apóstolos morreram martirizados. Deles, o mais destacado, Pedro, morreu martirizado em Roma, entre os anos 64 e 67 da Era Cristã. No lugar de seu sepultamento está hoje a grande Basílica de São Pedro, no Vaticano.

A Morte dos Apóstolos

Dos doze apóstolos chamados por Jesus, dez deles morreram como mártires, à exceção de Judas, o traidor, que tirou a própria vida. O último apóstolo a morrer, João, encontrou um destino muito diferente. Vivendo quase até o final do século I, acredita-se que ele morreu de causas naturais.

A tradição apostólica diz que João foi o autor do último livro do Novo Testamento, o Apocalipse, bem como também três cartas e do Evangelho que traz o seu nome. Neste, ele é descrito como “o discípulo que Jesus amava” e é quem recebe de Jesus, na cruz, a missão de cuidar da Virgem Maria. Como ele era o mais jovem dos apóstolos, isso explica parcialmente porque os estudiosos acreditam que ele viveu um longo caminho, até chegar aos 95 anos.

De Pedro, a tradição afirma que ele foi crucificado de cabeça para baixo. Tomé foi morto pela lança, Judas Tadeu com flechadas e, um por um, todos tiveram uma morte trágica, por causa do nome de Jesus. Mas a resposta do fato de João ter escapado de um destino semelhante aos demais, por tanto tempo, tem a sua explicação na tradição. As autoridades tentaram matar João de uma maneira horrível, mas isso não aconteceu.

A história conta que, após a Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, João foi preso pelas autoridades e levado para Roma, onde foi condenado à morte. O método de execução prescrito seria extremamente cruel. Ele seria mergulhado em óleo fervente na frente de uma multidão de espectadores no Coliseu. O fogo foi aceso embaixo da panela, o óleo estava fervendo e João foi trazido para fora. Guardas o apanharam e, então, o mergulharam no líquido escaldante. Foi quando algo incrível aconteceu. Em vez de ver um homem ser brutalmente fervido até a morte, a multidão testemunhou um milagre: João ficou no óleo completamente ileso.

Algumas versões da história dizem que muitos espectadores se converteram por causa do que viram. O governante romano, furioso e envergonhado por não poder matar João, decidiu, em vez disso, bani-lo para a pequena ilha grega de Patmos e foi justamente lá que ele recebeu a visão que transcreveu no livro do Apocalipse. Em algum momento, João foi capaz de deixar Patmos e viajar de volta para Éfeso, onde morreu de causas naturais. Dado tudo o que tinha acontecido, viver quase cem anos foi realmente algo milagroso.

O Apóstolo Pedro é crucificado em Roma

Um dos principais apóstolos de Jesus, Pedro, foi crucificado em Roma em outubro de 64, em seguida às perseguições de Nero contra os cristãos. Cristo lhe havia dado esse nome para simbolizar sua função de fundador da Igreja. São Pedro é o apóstolo investido da dignidade de primeiro papa pelo próprio Jesus. “Você é Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”.

Pedro nasceu em Bethsaida, na Galileia. Pescador no lago Tiberíades, junto com o irmão André, seu nome de batismo era Simão, que em hebraico significava “Deus te ouviu”. Simão e André tinham sua própria frota de barcos, em sociedade com Tiago e João. Casado, teria também uma filha, Santa Petronília. André, depois de ter ouvido de João Batista a exclamação “Eis o anjo de Deus!” apontando para Jesus, contou depois a Simão que havia conhecido o Messias.

Pedro foi chamado por Cristo a segui-lo, dizendo-lhe: “Você é Simão, filho de João. Você se chamará Pedro.” Em seguida, depois da pesca milagrosa, recebeu a promessa de Cristo que se tornaria pescador de almas. Foi dos apóstolos o mais ativo e, certamente, o mais impulsivo, razão pela qual se tornou o porta-voz e líder reconhecido: “Te darei a chave do Reino do Céu e tudo o que ligares na Terra terá sido ligado nos céus; e tudo o que desligares na Terra terá sido desligado nos céus.”

Outro dado interessante era a estreita amizade entre Pedro e João Evangelista, atestado por exemplo na Última Ceia, quando pergunta ao Mestre, através do Discípulo Amado, quem o haveria de trair, ou quando ambos encontram o sepulcro de Cristo vazio no Domingo de Páscoa. Fato é que tal amizade perdurou até mesmo após a Ascensão de Jesus, como podemos constatar na cena da cura de um paralítico posto nas portas do Templo de Jerusalém. Não obstante, foi presa de grande temor durante a prisão e o suplício de Jesus, e o renegou três vezes. Mas logo se arrepende e deixa cair amargas lágrimas de remorso. Ele não é um asceta, um diplomata e diz o que pensa. E protesta quando o Mestre prenuncia sua iminente morte: “Tem compaixão de ti, Senhor, isso de modo algum te acontecerá”. Ou quando se recusou a lavar os pés de Jesus durante a última ceia. Porém recebeu admoestações de Cristo e, embora não as compreendendo, se dispôs a aceitá-las por intuir que estava diante da verdade.

Os apóstolos, no afã de propagar o cristianismo a todos, e não somente aos judeus, depois de permanecer 12 anos em Jerusalém, espalharam-se pelo mundo conhecido de então.

Pedro tinha o dom de operar milagres. À porta do templo, curou um pobre aleijado, suscitando entusiasmo entre os populares e preocupação no Sinédrio - sob o domínio romano, assembleia judia de anciãos da classe dominante. É preso, seviciado e miraculosamente libertado. Deixa Jerusalém, onde a vida se havia tornado perigosa devido à perseguição de Herodes Antipas. Empreende numerosas viagens antes de se fixar em Roma, centro do imenso Império Romano. Ali, se tornou bispo e o primeiro papa durante 24 anos.

Em virtude do incêndio de Roma em 64, do qual foram culpados os cristãos, iniciou-se a primeira perseguição por vontade de Nero e que vitimou milhares de pessoas. Pedro terminou na prisão e, no mesmo ano, foi crucificado na colina do Vaticano. Seu corpo foi sepultado à direita da via Cornélia, onde mais tarde seria erguida a Basílica Costantiniana.

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Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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