História da Igreja

E não teve lugar para eles na hospedaria

“Então ela deu à luz seu filho primogênito. Envolveu-o em panos e deitou-o na manjedoura, por não haver para eles lugar na hospedaria.” (Lc 2,7)

Padre Inácio Medeiros C.Ss.R. (Juan Ribeiro)

Escrito por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

21 NOV 2022 - 09H56 (Atualizada em 21 NOV 2022 - 11H28)

Adam Jan Figel/ Shutterstock

Com o fim do Ano Litúrgico e início do Advento, nossos olhos e nosso pensamento se voltam para o mistério da encarnação de Jesus, o Verbo de Deus. No ciclo de três anos, concluímos o Ano litúrgico C e nos preparamos para o início do Ano A.

Na narrativa do nascimento de Jesus, o Evangelho diz que “não havia lugar para eles na hospedaria” (cf. Lc 2, 7b). A cena do nascimento do Menino Deus mais uma vez será mostrada nos muitos presépios que serão armados em nossas casas e nas igrejas.

Assim, nos deparamos com a realidade do Jesus Histórico, que veio ao mundo assumindo todos os percalços de nossa existência.

Por determinação do imperador romano, autoridade da grande potência que dominava o mundo, que fez da Palestina uma de suas províncias, todos deveriam fazer o recenseamento em sua cidade de origem. E lá se foram José e Maria, que estava grávida, quase completando o tempo para o nascimento, se recensear em Belém.

Não havia lugar para eles

A narrativa do Evangelho mostra José batendo de porta em porta de conhecidos e parentes, tentando encontrar um lugar onde Maria pudesse dar à luz a Jesus. Eles procuravam um pouso, mas todos se recusam receber o casal, alegando que já não havia mais lugar.

José acaba encontrando um estábulo, levando Maria para aquele humilde lugar. Foi lá que ela deu à luz o Menino Jesus, em meio aos animais que lá estavam.

Segundo a tradução da língua grega e conforme a narrativa dos Evangelhos, a palavra “hospedaria” pode ser entendida como um quarto de hóspedes. Em geral, as famílias tinham um lugarzinho reservado para receber os seus visitantes. Mas tudo estava lotado!

Frame Stock Footage/ Shutterstock
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Belém era a cidade natal de José, e provavelmente ele tinha parentes em Belém, procurando se hospedar numa das casas deles. 

Alguns estudiosos afirmam que José não quisesse procurar uma pousada, tipo hospedaria para acomodar Maria, porque naquela época a maioria das pousadas de beira de estrada não gozavam de boa fama e José, mesmo em sua simplicidade e pobreza, queria oferecer a Maria, dentro de suas posses, um mínimo de privacidade para um acontecimento tão pessoal e importante.

Como o censo romano obrigou todos a voltarem para suas casas, o pouso ou quarto de hóspedes procurado em casas de parentes não foi encontrado e, com isso, Maria e José não tiveram tempo de encontrar outro lugar que não fosse um estábulo.

Leia MaisA Pedagogia do estábulo de Belém

Como eram as casas de camponeses do tempo de Jesus

A cidade de Belém, como outras do tempo de Jesus, era habitada por muitas famílias, que mesmo morando nas cidadezinhas, que mais pareciam vilas, trabalhavam nos campos, indo e vindo com seus animais.

Uma casa habitada por camponeses naquela época, em geral tinha uma área perto da porta, na maioria das vezes de chão de terra batido, onde à noite eram recolhidos os animais da família, para que não fossem roubados e para que o calor que saia de seus corpos ajudasse a manter a casa aquecida durante as noites de frio.

Em geral, a família morava e dormia na parte superior da casa, onde também podia haver um quarto reservado para os hóspedes no segundo andar, ou então ao lado da sala comum da família, no térreo. O normal é que perto da porta fosse colocada uma manjedoura ,com um cocho com comida e bebida para os animais.

Kluciar Ivan/ Shutterstock
Kluciar Ivan/ Shutterstock

A região era montanhosa e também podia acontecer que algumas casas localizadas nos arredores da cidade tivessem grutas nos fundos das casas, onde as famílias guardavam seu precioso boi ou seu animal de carga, para que não fosse roubado. Neste caso, o quarto de hóspedes ficaria na frente da casa e o abrigo de animais na parte de trás.

Como as chuvas na região eram bastante escassas e como no tempo do verão fosse forte o calor, a maioria das casas não tinha telhados, e sim terraços, onde os membros da família podiam dormir nas noites quentes e onde se podia guardar alguns de seus pertences.

Conforme a narrativa do Evangelho, Maria pode ter dado à luz ao Menino Jesus numa área onde os animais eram mantidos, tendo feito do cocho onde se colocava a comida o berço para receber o Deus Menino.

A história do nascimento de Jesus, entendida dentro do contexto da época, deve realçar ainda mais o sentido mais profundo da encarnação do Verbo de Deus, concretizando a profecia que nossos pais do Antigo Testamento por tanto tempo tinham aguardado.

Jesus nasceu em um lugar onde os animais eram guardados, numa simples casa ou gruta de camponeses em Belém e esta cena mudou o mundo e a história para sempre!

Escrito por
Padre Inácio Medeiros C.Ss.R. (Juan Ribeiro)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo, atualmente é diretor da Rádio Aparecida

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