História da Igreja

Fatores que motivaram a crise do Feudalismo

Padre Inácio Medeiros C.Ss.R.

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

07 JUL 2023 - 14H25 (Atualizada em 07 JUL 2023 - 16H10)

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HISTÓRIA MEDIEVAL 21

Estamos chegando ao final de mais uma etapa de nossa caminhada, na qual estudamos a História da Igreja no período medieval. Através de 21 artigos, passamos por um período que abrange diversos séculos ou quase um milênio.

Leia MaisConheça o movimento dos cátaros ou albigensesAs Ordens MilitaresNeste período o mundo se transformou. Se a Idade Média deixou para traz o período conhecido como Antiguidade Clássica, agora haveria de ser suplantada pela Idade Moderna que muitos historiadores chamam também de Nova História.

A partir dos séculos XIII e XIV, uma profunda crise anunciou o final da época medieval. Fome, pestes, guerras, rebeliões de servos e mutações populacionais atingiriam a essência do sistema feudal.

Ao final do século XV, as monarquias nacionais já estavam consolidadas, a nobreza enfraquecida e as obrigações feudais contestadas pelas constantes rebeliões de servos. A própria missão da Igreja haveria de sofrer uma grande mutação.

Mudanças socioambientais provocam transformações no Sistema Feudal

O sistema feudal consolidado, sobretudo, na Alta Idade Média, teve que conviver com o renascimento comercial, com o renascimento urbano e com o aparecimento de uma nova classe social, a burguesia. As transformações foram ocorrendo de forma ininterrupta.

O século XIII será um tempo de transformações de apontamento do rumo que o mundo e a sociedade iriam seguir. No início o sistema feudal até parecia assimilar as inovações surgidas no campo econômico, político e social, no entanto, com o início do século XIV, uma profunda crise precipitou a derrocada do mundo medieval. Este século foi chamado por alguns historiadores de "Outono da Idade Média".

Na passagem da idade antiga para a medieval diversos fatores haviam levado à crise do mundo com a derrocada do Império Romano: crise agrícola, estagnação do comércio, fome, pestes, guerras e invasões agravaram as contradições entre o campo e a cidade acontecendo o fenômeno da ruralização da economia.

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Na passagem do período medieval para a Idade Moderna com a volta do crescimento populacional a produção agrícola não respondia às exigências das cidades em crescimento porque já não restavam terras por ocupar, e as utilizadas estavam cansadas, gerando uma baixa produtividade. As inovações tecnológicas anteriores já não respondiam às novas necessidades. Além disso, a introdução do trabalho assalariado ocorria de forma muito lenta.

A atividade comercial estava estagnada devido à falta de moedas e insuficiência de novos mercados. As minas de ouro e prata haviam se esgotado na Europa e o mercado consumidor europeu se mostrava pequeno para um comércio em expansão. Por isso, foi preciso buscar fora aquilo que a Europa não conseguia produzir. Neste contexto as cruzadas reabriram o caminho para o Oriente.

Com a insuficiente produção agrícola e a estagnação do comércio, a fome se alastrou pela Europa. A desnutrição e as más condições de higiene propiciaram a ocorrência de sucessivos surtos epidêmicos, dos quais o mais desastroso foi a chamada peste Negra que ocorreu entre 1347 e 1350.

Paralelamente à fome e à peste, a sociedade feudal do século XIV conheceu um grande número de guerras e revoltas. A mais importante delas foi a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra.

Por fim, um fator fundamental para a quebra das estruturas do sistema feudal foi a longa série de rebeliões dos servos contra os senhores feudais. Ainda que momentaneamente derrotados, os levantes dos servos foram tornando inviável a manutenção das relações de servidão. A partir do século XIV, com mais rapidez em algumas regiões e menor em outras, as obrigações feudais foram se extinguindo. Estávamos assim a um passo da substituição do feudalismo pelo sistema capitalista em suas primeiras formas.

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Crise no modo de produção feudal e de compreensão do mundo

No século XIV, a população da Europa ainda vivia dentro de acordo com as características que vinham sendo construídas desde o século III. A isso se denomina feudalismo. Neste sistema as relações de produção se baseavam no trabalho servil, prestado fundamentalmente nas terras dos senhores feudais, categoria social formada pelos nobres e pela alta hierarquia da Igreja Católica.

Um forte crescimento da população é verificado entre os séculos XII e XIV e a população começa a se movimentar graças, sobretudo, ao direcionamento das cruzadas. O poder de consumo da população, especialmente da nobreza aumentou e a população começou a se movimentar em direção das cidades formando os subúrbios que dariam origem mais tarde à categoria do proletariado.

Mesmo assim, no período final da Idade Média ocorreu a expansão das áreas agrícolas, devido ao aproveitamento das áreas de pastagens e a derrubada de florestas ajudando a sustentar a população que crescia, mas fenômenos como a fome, a peste e a guerra continuavam marcando a sociedade.

No plano social se dava o crescimento de um novo grupo, a burguesia comercial. Esta classe era residente nas cidades que tendiam a uma expansão cada vez maior, pois passaram a atrair os camponeses e os elementos marginais da sociedade feudal.

Politicamente se notava o fortalecimento da autoridade real, processo considerado necessário pela nobreza, temerosa do alcance das revoltas camponesas e também pela burguesia que precisava de estabilidade para crescer. A unificação política e o surgimento dos Estados Nacionais modernos aparecem como uma solução política para a nobreza manter sua dominação, mas não por muito tempo.

Finalmente, a crise se manifesta no plano cultural e espiritual-religioso. O surgimento das universidades, a modificação do regime de estudos e o desenvolvimento de novas técnicas científicas possibilitam o desenvolvimento de uma nova concepção de homem e de mundo. A Igreja Católica que não conseguia mais atingir tão facilmente os fiéis, necessitados de uma teologia mais dinâmica, precisou também se reinventar. Neste contexto surgirão as Ordens Religiosas Mendicantes para evangelizar o homem urbano e mais aberto para as novidades do mundo.

Esta crise generalizada será o ponto de partida para se compreender o processo de transição do Feudalismo ao capitalismo.

Escrito por
Padre Inácio Medeiros C.Ss.R.
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

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